quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

SERÁ QUE VOCÊ TAMBÉM TEM HETERÔNIMO?

O pseudônimo é um nome que, em geral, um autor, seja escritor, poeta, pintor, escultor, escolhe. Ou seja, os pseudônimos são diferentes nomes para uma mesma pessoa. Às vezes é confundido com heterônimo, mas o heterônimo constitui uma pessoa diferente que habita o mesmo artista.

Famosos são os heterônimos de Fernando Pessoa, como ele mesmo afirmou: “Por qualquer motivo temperamental que me não proponho analisar, nem importa que analise, construí dentro de mim várias personagens distintas entre si e de mim”. Essas “personagens distintas” são os heterônimos do poeta, lembramos os nomes de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Os três tinham biografias, data de nascimento, filosofias de vida diferentes.

Sem ter a presunção de ter um heterônimo, mas quase... Refiro-me a um fato muito interessante que aconteceu comigo nos anos 90. Nessa época, os anjos pareciam ter pulado do Céu para a Terra. Foi um momento de grande misticismo. Pois bem, como eu sempre acreditei em anjos, escrevi vários livros com o pseudônimo de Padma Patra. Na realidade, Padma Patra quer dizer “folha de lótus” em sânscrito, idioma sagrado da Índia. Eu já havia escrito outros livros com esse pseudônimo.

Em uma das aulas que ministrávamos no Delfos, duas jovens se inscreveram para os cursos. Uma delas não gostou de minha pessoa no primeiro momento, mas parecia encantada com as aulas do professor Francisco. Quando iniciava a aula do professor, ela ficava sentada na primeira fileira, parecia voar. Já nas minhas aulas, sentava-se no final e atrapalhava falando com a colega ou mexendo em livros e papéis. Minha paciência estava começando a diminuir quando ela, numa das últimas aulas, trouxe um livro pequeno de capa dura, “Invocação aos anjos”, e com orgulho disse: “Conhece?”.

Eu pensei que ela sabia que eu era a autora e, sorridente, falei: ”Claro que conheço”. Mas ela, muito séria, começou a dizer que considerava Padma Patra a sua mestra, essa era uma verdadeira mestra! Entendi que ela não sabia que estava falando com a autora do livro. Por um momento tive desejos de gritar: “Padma Patra sou eu!”. Mas pensei que dizer a verdade nesse momento a prejudicaria. Era melhor fazer silêncio.

Pensei que se a leitura do livro estava lhe fazendo bem, quem era eu para quebrar essa relação mestre-discípulo que ela havia criado? Só por ser autora tinha direito de quebrar a sintonia que ela tinha com o livro? Afinal o livro era de Padma Patra, e eu sou Isabel Furini. E talvez ela esteja certa. Talvez Padma Patra seja alguém diferente de mim. Alguém que more nas profundezas de minha mente, diferente da Isabel que mora na periferia dessa mesma mente.

Talvez Padma Patra não seja o meu pseudônimo, talvez ela seja meu heterônimo. Um ser que habita meu subconsciente. Como já disse Jorge Luiz Borges: “O conto sempre é superior ao contista”, podemos dizer parafraseando Borges que “o livro sempre é superior ao autor”.

Os heterônimos de Fernando Pessoa ficaram famosos, mas, talvez, todos nós tenhamos heterônimos que procurem se expressar, mostrar que existem, talvez...

Isabel Furini é escritora e palestrante, autora de “O livro do escritor” da Editora Instituto Memória.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

VENTO E TEMPO

Sopra o vento no tempo.

Anda o tempo,
brinca o vento,
assovia o vento,
canta o vento,
voa o tempo,
dança o tempo,
avança o tempo,
e a última folha do calendário
é rasgada pelo vento.

Inicia um novo ano
na roda o tempo.

Ano Novo! Vida velha
rotineira,
açoitada pelo tempo.

Sopra o vento,
cimbra o vento,
na superfície do tempo.


Isabel Furini

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

NATAL! (Poema de Isabel Furini)




Formas imaginárias
dançam com o vento.
No silêncio do quarto
faço uma oração
para dissolver as mágoas
- depois durmo.

Meus sonhos invadem
obscuros arquétipos,
inventam metáforas,
sinais simbólicos,
signos alegóricos,
e desperto
com anjos nos olhos.

domingo, 18 de dezembro de 2011

UM QUADRO DO FAMOSO BOTERO



Morei na Colômbia entre 1975 e 1980. Eu ministrava aulas na cidade de Medellín, e lá tive oportunidade de conhecer várias pessoas interessantes. Uma delas pintava por hobby, como bem ela dizia: “Seu objetivo era sentir-se bem; não queria participar de concursos nem expor suas obras, pois isso a deixaria preocupada”. Já a sua amiga tinha o hobby de viajar. As duas chegavam cedo para aulas, e tínhamos a oportunidade de conversar. Elas estavam sempre de alto-astral.

Um dia, a artista plástica disse que sua amiga havia feito uma burrice da qual sempre se arrependia. A outra riu e contou o fato. Quando era solteira, ela foi vizinha do Fernando Botero, o grande pintor colombiano, cujo estilo único é chamado de “boterismo”, e consiste em dar volume às figuras. Elas são desproporcionadas se a compararmos com pessoas e objetos reais, mas têm simetria entre elas. Todos os personagens dos quadros são obesos, mulheres, homens, crianças e até os animais, gatos, cavalos e outros.

Pois bem, naquela época o artista era um iniciante. Um dia, falando com Botero na porta da casa, ela comentou que naquela semana era o seu aniversário. Ele, muito generoso, disse que a presentearia com um quadro. Minha aluna, que não gostava dos quadros do novato, desculpou-se alegando que não tinha espaço na sala para colocar o quadro. Botero retrucou que podia colocar em qualquer lugar da casa, mas ela se justificou que tinha falta de espaço e que sua mãe estava pensando em reformar a casa.

– Como eu sou burra! – disse ao terminar a história. Se eu tivesse aceitado esse quadro a que preço poderia vendê-lo agora que ele é famoso?

Essa lição é muito interessante. Nunca sabemos quando um artista triunfará ou desistirá, ficará famoso ou cairá no esquecimento. Aprendemos uma lição: nunca desprezar a obra de um iniciante, com o tempo ele pode ser um novo Botero.

Isabel Furini é escritora e palestrante. Autora de “O Livro do Escritor” da editora Instituto Memória. Contato:(412) 8813-9276, e-mail: isabelfurini@hotmail.com

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Premio de Literatura UFF 2011




A festa do Prêmio UFF (Universidade Federal Fluminense) deste ano foi realizada no Teatro Municipal de Niterói. Na cerimônia de premiação, além da entrega de certificados e representação teatral dos primeiros lugares de poesia, conto e crônica, foi lançado o livro "Prêmio UFF de Literatura 2011 - Antologia de textos premiados - Poesia, Conto e Crônica", organizado pela professora Sônia Peçanha.



O tema foi do concurso foi "Viagem à Itália", e esclareço que fui honrada com o terceiro lugar na categoria Poesia. Meu poema premiado "Vinhedo" honra a memória de minha avó Maria Assunta.


Ana Paula Campos, da Assessoria de Comunicação e Eventos da Editora da UFF, informou que: "Nesta quinta edição, o Prêmio UFF de Literatura teve dupla comemoração: além de integrar os festejos pelo aniversário da Universidade Federal Fluminense, uniu-se à programação do momento Itália-Brasil, promovido por conta dos 150 anos da unificação italiana e dos 65 da proclamação da República naquele país. O evento contou com o patrocínio da Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro, da Fundação Euclides da Cunha, da Pró-Reitoria de Extensão da UFF, da Comunità Italiana e da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura".

Os ganhadores foram:
Categoria Poesia: Eduardo de Paula Nascimento, de Franca, São Paulo, Carlos Alberto Pessoa Rosa, de Atibaia, em segundo lugar, e Isabel Furini, de Curitiba, em terceiro.

Categoria crônicas: Nilson Lattari, de Juiz de Fora, ficou em primeiro lugar, Afonso Caramano, morador de Jaú, São Paulo, em segundo, e Sérgio Bernardo, de Nova Friburgo, em terceiro.

Categoria conto: Newton Novaes Barra Filho, de Maricá, Henrique José da Silva Bon, de Nova Friburgo, segundo lugar, e Danielle Oliveira, de Mossoró, Rio Grande de Norte, em terceiro.


Todos autores selecionados ganharam livros. Na contracapa podemos ler as palavras do Reitor da Universidade Federal Fluminense, Roberto de Souza Salles:
"O Prêmio UFF de Literatura chega a sua quinta edição o que comprova que já conquistou um lugar no calendário dos eventos literários do país. Neste ano, ele faz parte da programação oficial do Momento Itália-Brasil, e o tema proposto foi "Viagem à Itália". Mais uma vez, poetas, cronistas e contistas se esmeraram na composição de textos inéditos, inspirados pelas belezas e pela riqueza histórica do país homenageado. "

Um fato marcante do evento foi a leitura teatralizada da poesia, da crônica e do conto vencedores,pelos aos atores Ana Moura, Ricardo Lyra Jr. e Melissa Prado, integrantes do Nepac (Núcleo de Ensino e Pesquisa de Artes Cênicas) da UFF, sob a direção de Leonardo Simões. Destaque para o jovem Ricardo Lyra Jr. que com espontaneidade realizou um trabalho excelente e divirtiu a plateia.



Fotografias: Divulgação/Ronaldo Coelho.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Cláudia Vanessa Cipriano Martins



Cláudia Vanessa Cipriano Martins, de Portugal, ganhadora do 3º Concurso Poetizar o Mundo, já recebeu o troféu. Contente, ela enviou uma fotografia.

Parabéns poeta e que continue a lutar e a "poetizar".

1º Lugar: SILÊNCIO?

Nunca me calo,
nem mesmo de boca selada: a voz fala-se de dentro.
O silêncio
- de boca muda e ouvidos surdos –
é utopia!


Cláudia Vanessa Cipriano Martins - São Miguel – Açores - Portugal.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Entrevista na revista ZK 2.0 da Espanha


Os autores do livro Passageiros do Espelho foram entrevistados pela escritora Zeltia G, editora da revista ZK 2.0 da Espanha.

Ver entrevista completa no site:

http://www.zonakeidell.com/zk24/paginas/passageiros/

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O TIC TAC DOS ANOS (Crônica)


Ela sentia vergonha de seu corpo, especialmente quando se encontrava no elevador com a loira do último andar. Essa loira de cinturinha espremida num cinto caríssimo e blusa apertada destacando os seios.


Sim, Rosália sentia vergonha de seu corpo. Nos últimos dois anos havia crescido, crescido para os lados, logicamente. Aumentaram a sua cintura, abdômen e seios. Ela fugia dos espelhos. Isabel, a sua amiga filósofa, dizia que era o crocodilo do tempo, esse que carrega um relógio. Esse relógio carregado pelo grande sáurio na terra do Peter Pan, onde o tempo não passa.

E o crocodilo do tempo seguia Rosália com seu horrível tic tac. Com sua passagem inexorável, acentuava-se a lei da gravidade. Os seios pareciam chegar ao abdômen e a linda bundinha empinada dos 20 anos agora descia até os joelhos. O tempo é cruel, pensou Rosália. Os gregos, muito sábios, haviam-no imaginado com uma foice. Cronos era o ceifador. Ele acaba com a festa da juventude, com a alegria da pele forte e lisa – era preciso habituar-se a essa imagem que ela não desejava para si mesma ou... mudar. Ela sempre havia criticado as mulheres que apelavam, mas nesse dia pegou o telefone e ligou para sua cunhada Natália: “Olá, querida. Você pode me dar o número de telefone daquele cirurgião plástico que apagou vários anos de teu corpo?”.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

LÍNGUAS VIPERINAS I (Crônica de Isabel Furini)

Minha amiga J. adora bons restaurantes. E quem não adora?... O problema é que minha amiga gasta a maior parte de seu polpudo salário em restaurantes. Ha quatro meses ele decidiu mudar. Iniciou um regime. Continuava frequentando restaurantes chiques, mas em vez de pedir carnes e massas, começou a se conformar com saladas e alguma carne magra de frango ou de peixe. E os resultados começaram já estavam presente no primeiro mês. Aquele início tímido, poucos notado pelos outros, mas notado pela roupa que passa de apertada a um pouco folgada. E como dá alegria!

Pois bem, amiga ligou, convidou-me para almoçar em um shopping. Nos encontramos lá, olhamos lojas e depois fomos até a praça da alimentação. Ela, orgulhosa, só colocou no prato frango grelhado e salada variada. Na mesa do lado havia uma senhora sentada olhando para o prato de minha amiga. Mexia a cabeça para um lado e para outro com ar de reprovação. O que seria?

De repente, com voz de mãe autoritária dirigiu-se a minha amiga dizendo: “Não adianta querida, já não adianta, não vai dar resultado, você deveria ter pensado antes... agora é obesa não tem mais nada para fazer”. Depois dessa frase maldosa, levantou-se e saiu como de cabeça erguida, orgulhosa de seu ato de maldade.

Minha amiga olhou o prato, observou a própria barriga proeminente, e eu percebi que seus olhos se enchiam de lágrimas.

Tentei animá-la: - Deixe falar, nem se preocupe. E ela secou a lágrimas e sorriu – foi um sorriso forçado.

Antes de sair do shopping comprou um bombom e o deglutiu com prazer. Dias depois, ligou dizendo que não valia a pena fazer regime... só cirurgia de estômago podia ser uma solução. – Mas você estava indo tão bem! Exclamei.

– Não sei não, disse ela, a mulher do restaurante tem razão não regimes não dão resultado.

Minha primeira reação foi dizer que a mulher do restaurante, essa cobra com forma humana, deveria olhar para a própria vida, em vez de meter o nariz onde não é chamada. Eu deveria ter jogado o prato na cabeça dela – falei para minha amiga e ela riu.

Ao desligar fiquei pensando o que ganham essas pessoas de língua viperina que estão sempre procurando humilhar, ofender, e fazer desistir a quem tem um objetivo. Será que antes de dormir contabilizam os danos provocados com suas palavras e gritam:
- Hoje consegui destruir três pessoas. Uauu! Eu sou demais! Qual será o triste dividendo que essas pessoas estão ganhando?..

Isabel Furini orienta oficinas literárias no Solar do Rosário -Fone (41)3225-6232.
É autora de "O Livro do Escritor" da editora Instituto Memória.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

OFICINA COMO ESCREVER CRÔNICAS



Serão analisadas as diferenças entre crônica e conto. Assuntos que merecem uma crônica. A função do cronista. Os segredos do gênero. O ritmo da escrita.

INÍCIO: 22 de novembro.
HORÁRIO: 14:30 as 17:15 horas.
DURAÇÃO: 4 aulas (22, 23, 24 e 25 de novembro).
PROFESSORA: Escritora Isabel Furini.
LOCAL: Estúdio Teix, VicenteMachado 666.
FONES: (41)3018-2732 (41)3019-2294.
Investimento: R$ 200,00

Os melhores trabalhos serão publicados gratuitamente em um livro que será lançado em 2012.

domingo, 13 de novembro de 2011

Trabajos ganadores del 1º Concurso Internacional

Trabajos ganadores del 1º Concurso Internacional Poetizar el Mundo (en español.

Puesto 1º
Le Sacre du Autumn
de Rosakebia Liliana Estela Mendoza (Perú)


Estoy sentada sobre el poema. Una soledad suprema, admite la existencia de otras soledades aunque serviles y aprendidas. Llevo años, tal vez siglos, tal vez sexos, buscándome la voz con la lengua, el alma con el cuerpo y nada. Me es imposible utilizar el lenguaje de las agujas del reloj y no me importa. Escribo para descifrarme. Hablo dirigiéndome a mí. Le amputaron el pie para coserle el pie. La única ventana del castillo, tiene vista al hospital psiquiátrico. Mirar como resolviendo una ecuación matemática del azar. Mirar, por ejemplo, el patito de hule en la bañera. La topografía de la mirada está hecha con bostezos atrapados a dos manos. Le robo los poemas a un pájaro ciego. Lágrimas sólidas, purita sal. En realidad, se lloran ojos en una intersección de calles donde el único peatón es una botella plástica. De pronto volverse lineal. El pájaro ciego no existe. Tropezarse con sonrisas de dientes rojos. Repasar las vocales, no confundirlas. La mano del amante en la línea once, la mía dibujada con otro color y mayor precisión también en la línea once. Dibujo a grandes rasgos de una muchacha mutilada de una mano. Siempre la voz de mi madre a los cuatro años, hablándome para no dormirme. ¿Dónde está el perrito? ¿Y la muchachita de ojos verdes? ¿Y el muchachito de ojos verdes? ¿Y el carrito azul? ¡Encuéntralo, encuéntralo! Señala el lugar de la herida. Estamos cerca del poema. Se comen el pan de la memoria. La intensidad del poema varía, ahora escribo para no hacer el amor. Hago el olvido.

Puesto 2º
LOS SEGADORES
JOSE MARIANO SERAL ESCARIO (España)


Ya vienen los segadores, con sus testas atezadas por el dorado sol, ya vienen los segadores con la dalla de bruñido filo al hombro. Entonando cánticos de alegría por la buena siega, la parda mula rebuzna, su amo la azuza, con rabia tira del pesado carro cargada de mies, por el polvoriento camino.

Las doradas espigas se corvan rindiendo pleitesía ante el majestuoso Febo, espigas que susurraban una melodía al ser mecidas por la suave brisa. Va y viene la guadaña cercenando la mies, van y vienen los fatigados brazos recogiendo las gavillas.

Repica el martillear sobre la inclusa sacando filo a la dalla. Canta el labrador en sus largas jornadas, con las primeras luces del alba ya en el campo se halla, con la luz de la plateada luna a su morada torna, en ocasiones dormita bajo el estrellado cielo esperando ansioso el centellear del amanecer. Labrador que naces con el florido campo en el corazón y mueres con el campo en el alma, siempre pensando si mañana lloverá o si escampara. Labrador de rostro atezado bajo tu blanco sombrero de paja, de manos encallecidas por el duro trabajar, viajas en tus negras abarcas.

En la era la mies trillas, da vueltas y vueltas la parda mula en su viaje a ninguna parte, el preciado grano de la espiga se desprende, con la horca al viento lanzas paja y grano, la paja unos metros viaja y el grano a tus pies queda. Talegas repletas de trigo, que al molino llevas, el dorado en blanco se torna en la molienda, arduo trabajo que el pan de cada día te dará, tras un año de duro laborear en las ocres tierras. Días de alegría cuando la espigas recoges, días de amargas lágrimas cuando la atronadora tormenta diezma tu cosecha.


Puesto 3º
Entre pensamientos ajenos
de Mario Di Polo Villegas (Venezuela)


Caminé por horas… mientras más caminaba menos recordaba mi casa, mi pasado, mi hogar, si es que alguna vez lo tuve… Me sumergí en las aguas infinitas del tiempo, sin pena ni gloria. Sólo tu recuerdo y su esperanza; soy el despertar de cada minuto; del sueño constante del rumbo perdido; de esa duda profunda, la que gritaba en vano, reclamando su sentido... Soy el pensamiento ajeno que en todos yace, la locura subconsciente, la responsabilidad quebrada, la emoción visceral… Entre pensamientos ajenos despierto. Soy el sueño de un ser que habita en mí; sus deseos; soy el que camina la vida de otro, como una sombra, el silencio de una casa en ruinas… Somos seres de segundos...hijos del pasado y padres del futuro… Desperté de nuevo ¡¿Desperté?! Ya no distingo los sueños, la realidad, la vida o la muerte. Mucho menos, distingo la felicidad de la tristeza, soy el carcelero de mi propia felicidad. Ya no distingo quién habita en mí… Soy consecuencia de la noche, de la calle, del dolor del profundo silencio que me rodea. Me integro a la oscuridad de una casa vacía; de una ciudad vacía; de un alma vacía; de la luz que te llevaste hace años, bautizando mi alma entre crepúsculos, espacios regados que la vida reserva para ella; somos ocasos olvidados, los que de su abstracción cobraron significado propio, dándole sentido a la vida. Amaneceres lejanos nos esperan. Esta noche pronto desaparecerá, entre el alba del pensamiento, de la razón, de la esperanza, de lo profundo de la abstracción… Seguiré caminando, atravesando espacios fugaces. Viviré entre colores, sensaciones, sentimientos. Seré el tiempo reflejado en mi espíritu; la noche que persigue eternas melancolías; la duda terrible del amor. Sólo seré el humilde mensajero. Ése que del pasado logró sembrar su pensamiento en ti...



Mención: 1ª
ÁRBOLES DE MI TIERRA
Melva Agudelo de Bueno (Colombia)


Es mi tierra hija predilecta del sol, favorita de las suaves brisas del río Cauca, flor inmensa de eterno verdor, tierra soleada mecida por el viento, donde en agujas verdes se miran los arrozales, en blanca escarcha los tiernos algodonales entrelazándose con las hojas glaucas de la caña de azúcar.

Árboles hermosos bordean los caminos, de tramo en tramo Palmeras cimbreantes lucen coquetas su esbelto talle, encumbrando sus hojas al cielo para conversar a solas con su amado, el viento; Samanes vetustos con largas melenas colgantes al viento abren sus enormes copas sedientas de rocío, de sol ardiente y en la tarde, de suave brisa que juega entre sus hojas vacilante tierna y silente. Tabebuias amarillas salpican el paisaje con su encendida floración, destacándose contra el azul del cálido cielo.

Acacias voluptuosas, doncellas de la tarde, dejan entrever sus flores en cabellera rubia, Ceibas centenarias, se perfilan cual vigilantes eternos, con membrudos brazos desafiando estoicas las tormentas. Guaduales cimbreantes gimen con la brisa cantarina que arrulla su lamento. Flamboyanes, sus purpúreas flores lo cubren como un manto de fuego difuminándose su silueta allá en la lejanía, pareciendo del ocaso frágil arrebol. La grácil Jacaranda, de tenue follaje con flores cual azules mariposas juegan con el viento.

Otros árboles aúnan sabor y belleza con la policromía de sus frutos: Guanábanos, Ciruelos, Cítricos, Mangos, y Zapotes.

Amo todos los árboles de mi Valle del Cauca más... mi corazón enternece y mi cuerpo rejuvenece mirando el majestuoso Samán cuando hoy a los ochenta y un años cierro los ojos y me evoco meciéndome feliz en mi columpio colgado otrora de la misma fuerte rama.

Cuido y defiendo los árboles, porque sin ellos no habrá vida, agua, sombra, ni se escuchará la alegría cantarina de los pajaritos, ni habrá belleza y armonía del paisaje.


2ª Mención
Sueño remoto
Patricia Declerk (Argentina)


Me voy a dormir, dijo. Y dejó que el mar la abrazara. Sintió las últimas caricias en las huellas de sus pies sobre la arena y pudo ver las rosas blancas colgadas del poniente a modo de bienvenida.

Caminó lentamente hasta el final de la escollera y percibió la turbulencia del viaje. Remolinos de agua avizoran la inocencia de los pasos y señalan el peligro.
Ahora su cuerpo le pertenece; ahora la gravedad se apodera de su vida mientras transforma el oxígeno que respira.

La espuma borró toda incertidumbre que pudiera acecharla antes de ver el abismo como una nueva visión detrás del horizonte. El intento deshecho en la marejada confundió el delirio con el peso ondulante de promesas incumplidas. Buscaba una verdad en el choque, quizás la más definitiva y deseó fervientemente que las aguas descubrieran el engaño.

Un extraño vaho cubrió su pasado y transformó sus venas en cauces salados. Pero el collar de cuentas que forma la bahía ungió el destino de sus ilusiones: el amor será eternamente el viento y la tristeza trepará junto a las alas de las gaviotas. Ya no tendrá que resolver el temor que auscultaba su soledad.

Y se fue a dormir, sin dejar huellas en la arena, para encontrar el sueño remoto sosteniendo inerte en sus manos el sentido.

3º MENCIÓN
RÉQUIEM PARA LA NOCHE Y UN SUEÑO
Yasmin González León (Cuba)


Noche era un perro de ébano y algodón. Cuando sonreía, sus ojos brillaban como si guardase algún secreto ante la mirada de los humanos; y cuando pedía algo, no lo hacía con ladridos: simplemente esperaba, hasta que tú notases su anatomía, y solo entonces, despacio, te tocaba con sus patas delanteras el antebrazo.

Pero si el lenguaje no servía para comunicarse, Noche comenzaba una danza ritual yendo y viniendo del suelo a tu piel, de tu regazo al suelo, con la lengua afuera y una semisonrisa en su boca.

No era un perro común. Sabía hablar, escoger el momento exacto para convencerte de sus deseos. No le importaban los demás perros, se conocía distinto; e instintivamente los ignoraba, con la escasa excepción de alguna que otra perrita que vio en su corta vida.

En los parques, era un juguete, correteando por la extensión cubierta de yerba tal un manto de dulce almohada se tratase. Pero su almohada preferida era una dama rosa, apenas con relleno después de tantas mordeduras. A ella la adoraba; tal vez porque desde su infancia la veía cada mañana al despertar, y cada noche al dormir. Un día, mientras retozaba por la casa sin ningún reparo, yo, enojada, decidí guardarla encima del escaparate. Noche comenzó a sollozar, y me miraba, muy triste, mostrándome a la dama de sus sueños. Mi corazón no pudo hacer otra cosa que reír, sorprendido: al devolverle su almohada, Noche daba saltos increíbles, venidos de un lugar diferente.

Porque Noche era un perro de ébano, como la noche; y de algodón. Y por ello, cuando sus pies tocaban el suelo, pareciera que salían disparados, intentando alcanzar el cielo.

Entonces, pienso yo, quizás allí está Noche, esperándome, después de un salto tan alto que aún no ha podido bajar de las nubes.
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Están abiertas las inscripciones para el 2ºConcurso Internacional Poetizar el Mundo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

2º CONCURSO INTERNACIONAL “POETIZAR EL MUNDO”

Modalidad: Poesía Minimalista.
Idioma: Castellano.

La escritora Isabel Furini, organizadora del Concurso Poetizar el Mundo, invita a participar en el concurso de poesía Minimalista (poemas con máximo de 5 líneas).

1) El Concurso de Poesía Poetizar el Mundo tiene como objetivo estimular la producción literaria y está destinado a todas las personas mayores de 18 años, de cualquier nacionalidad, que vivan en cualquier lugar del mundo y que presenten su trabajo escrito en español.

2) El tema es libre y la inscripción es gratuita. La fecha de cierre del certamen es el 20 de marzo de 2012. Cada participante podrá presentar solo un trabajo de poesía “mini”, o sea, hasta 5 versos (líneas), inédito (que nunca haya sido impreso en papel, ni publicado en Internet, ni premiado en otro concurso).

4) Se considerarán inscriptas las obras enviadas al Segundo Concurso Internacional al e-mail: isabelfurini@hotmail.com
Las mismas serán escritas en el cuerpo del e-mail, o sea en el lugar en el cual se escriben los mensajes, sin archivos anexos. Los poemas enviados en archivos anexos quedarán automáticamente fuera del concurso.

5) El poema debe estar escrito en lengua castellana, con título, digitado con espacio simple, fuente Arial, tamaño 12 (doce).

6) Deberá constar al final: nombre completo del autor, su dirección (incluyendo ciudad y país), e-mail, teléfono y en 4 o 5 líneas, su currículum.

7) La comisión será compuesta por Graciela Diana Pucci, poeta,escritora y editora de Literarte, revista de literatura y arte (http://www.revistaliterartedigital.blogspot.com/) , por la poetisa Rosakebia Liliana Estela Mendoza, de Chiclayo, Perú (ganadora el primer concurso) y por Jorge Oscar Furini, poeta y psicólogo social, también de Argentina.

8) Premios: el primer lugar recibirá una medalla simbólica con su nombre grabado, y diploma. El segundo y el tercer lugar, recibirán diplomas. Podrán ser escogidas dos Menciones de Honor, que también recibirán diplomas.

9) El resultado del concurso será divulgado en sites literarios de Internet y en el blog: http://www.isabelfurini.blogspot.com/

10) El resultado será divulgado el 25 de abril de 2012. En esa ocasión también será homenajeado con una placa conmemorativa, el poeta brasileño Claudio Daniel, autor de “Figuras Metálicas” (Perspectiva, colección Signos, 2005), quien realizó un excelente trabajo divulgando la poesía de América Latina en el libro “ Jardim de Camaleões, a poesia Neobarroca na América Latina”, publicada por la editora Iluminaras, São Paulo, Brasil.

11º) La participación de las obras se formalizará según lo previsto en este reglamento, lo que implica la aceptación de las disposiciones en él designadas.

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terça-feira, 1 de novembro de 2011

POEMAS GANHADORES 3º CONCURSO POETIZAR O MUNDO

3º CONCURSO POETIZAR O MUNDO

Recebemos 147 trabalhos.
Agrademos a participação dos poetas e em fevereiro do próximo ano lançaremos o 4º Concurso Poetizar o Mundo, novamente com a modalidade minimalista.


1º Lugar: SILÊNCIO?

Nunca me calo,
nem mesmo de boca selada: a voz fala-se de dentro.
O silêncio
- de boca muda e ouvidos surdos –
é utopia!
Cláudia Vanessa Cipriano Martins - São Miguel – Açores - Portugal


2º Lugar: QUADRA MODERNISTA

Queria ser eu
E não alguém
Queria ser tudo
Mas sou ninguém

Alexsander Pontes – Curitiba.PR
É formado em letras, e sua paixão é a poesia.


3º Lugar: BOEMIA


Fiz, vi, mexi com a magia do mundo
e descobri o que tinha de mais profundo:
o bom e velho amor deste coração moribundo
Fandangueiro e trépido, desisti da boemia
Fagueiro e lépido, voltei firme à poesia!


Julia Souza da Silva – São José, Santa Catarina.
Trabalha em Marketing Cultural.


MENÇÃO HONROSA

UM CASO INCENDIÁRIO

QUIS USAR-ME
DE LENHA
E O FIZ
CINZAS


Rosana Banharoli – Santo André, São Paulo.
É poeta premiada em vários concursos. Em 2010, venceu o concurso de poesia da editora da UFF.

MENÇÃO HONROSA: ESTALINHOS

Todos os dias um mar de palavras
morrem no céu da minha boca
outras tantas se salvam
Libertas ao vento
fazem estalinhos nos seus ouvidos!!!!


Perpétua Amorim – Franca, São Paulo. Poeta premiada, participou de várias antologias.


MENÇÃO HONROSA : A ÁRVORE DA VIDA

A árvore é a casa
O seio de cada regresso
A fonte de inúmeras vidas
A sombra ao sol que queima
A afago do aconchego


António MR Martins Ansião, Portugal. Poeta premiado, já publicou quatro livros: Ser Poeta” e “Quase do Feminino” (2009), “Foz Sentida” (2010) e “Águas de Ternura” (2011).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Jurados do Terceiro Concurso Poetizar o Mundo (minimalista)



Maria Edna Holler de Oliveira é empresária, reside desde os dez anos de idade em Curitiba, Estado do Paraná. Casou-se na adolescência, tem três filhos, ficou viúva aos trinta e nove anos, concluiu o ensino médio em 1999. Participou do curso Oficina do Livro no Solar do Rosário e do curso de poesias no Centro Filosófico Delfos. Participou ainda da Antologia "Retratos de Mãe" do Clube Amigos das Letras, com o poema "Plenas Graças". Publicou os livros de poemas "Alma Serena" e "Alvorecer da Poesia".



"Alvorecer da Poesia" é uma obra com palavras que nos transportam a um mundo repleto de possibilidades, adquirem especial significado e suavizam a aridez dos caminhos que percorremos, despertando em nossa alma virtudes e as mais diversas emoções. A poesia é sopro de anjo que cai e transforma as palavras, multiplicando-as em luz e revelando as várias faces do amor.

Alvaro Posselt é professor, poeta e contista. Foi premiado em vários concursos, entre eles: no 2º ENCONTRO REGIONAL DO HAICAI em 18/10/2008, realizado pelo Grêmio Haicai Chão dos Pinheirais e no concurso de minicontos da Biblioteca de Piracicaba, 2011.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Resultado 1ºConcurso Internacional Poetizar el Mundo

Los ganadores del "1ºConcurso Internacional Poetizar el Mundo", organizado por Isabel Furini, fueron:

1º lugar, Le Sacre du Autumn, de Rosakebia Liliana Estela Mendoza, de Chiclayo, Perú;
2º lugar: Los Segadores, de José Marianao Seral Escario, de Huesca, Aragón, España;
3º lugar. Mario Di Polo Villegas, Caracas, Venezuela;
4º lugar Árboles de mi tierra, de Melva Agudelo de Bueno, Cartago, Colombia;
5º lugar: Sueño remoto, de Patricia Declerk, de Buenos Aires, Argentina.
6º lugar: Réquiem para la noche y un sueño, de Yasmin González León, de la Habana, Cuba.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

TANGO - “el gato maula y el mísero ratón”...



No sábado, minha amiga Giovanna ligou. Uma amiga dela, da época de faculdade, que morava no interior, estava de visita e podíamos almoçar juntas, ir ao shopping e ao cinema. Quase ao meio-dia nos encontramos no shopping e a amiga de minha amiga começou pegando “duro” já no início de conversa.

-Você é de Buenos Aires? Eu gostaria tanto de conhecer essa cidade, mas nunca se sabe se um argentino é confiável.

Depois de uma primeira frase pouco simpática, eu sabia que a mulher não era flor que se cheira. Caminhamos pelo shopping e entramos numa loja. A mulher fez piadas grosseiras com a atendente. Disse que precisava ver como a blusa ficava e obrigou-a a experimentá-la sobre a roupa, tudo com muito riso e algazarra, ou seja, fez aquele barraco que curitibano odeia mesmo!

Fomos almoçar e ela implicou com a garçonete, realmente eu nem lembro o porquê, parece que a moça tinha acento gaúcho. Depois perguntou: - Tem vinho argentino? Mas não traga para mim, porque os vinhos de lá são uma porcaria. Olhou-me e inquiriu: - Por que os vinhos chilenos são melhores? Respondi que não sabia, que podia ser o tipo de uva. Ela retrucou: - Na Argentina tudo é ruim, até o solo!

Terminamos de almoçar e entramos no cinema. Por sorte, foram duas horas de filme. Ao sair Giovanna me deu carona. Então veio o assunto da morcela: - Na Argentina comem morcela? - perguntou e eu já sabia que vinha alguma frase agressiva. Alguns comem, eu gosto da morcela de lá porque é muito bem temperada e fortalece contra anemia. Mexeu-se no banco do carro e quase gritou: - Nheca! Morcela é horrível!

- Você come carne de porco? Come peixe? - perguntei.
- Sim. - respondeu.
- Pois alguns povos não comem porco, e em alguns países africanos não se come peixe, mas é por motivo religioso, e isso deve ser respeitado. Mas você não gosta da morcela porque é simplesmente preconceituosa.
- Eu, preconceituosa?!!!
- Sim, muito preconceituosa! - gritei com raiva.

Ficou em silêncio. Por fim, silêncio!!! Graças a Deus a matraca calou, pensei. Ao despedirmos, ela disse que seu sonho é visitar Buenos Aires.

Pensei sobre o porquê da atitude dessa pessoa. Lembrei-me de um tango que diz: “Como juega el gato maula con el mísero ratón”. (Como brinca o gato covarde com o mísero rato). Esse é o princípio do bullying. Só que eu não sou gato, nem sou rato, minha atitude é mais parecida com a de cachorro que rosna. Ao final, penso que não temos por que suportar tanta agressividade disfarçada de diversão. Eu prefiro o lema: Viva e deixe viver, muito bem sintetizado numa dedicatória que li num livro de Leslie Cameron-Bandler: “Agradeço a meus pais que me ensinaram a ficar de pé, sem necessidade de pisar nos pés dos outros”.


Crônica de Isabel Furini publicada no ICNews.

Isabel Furini é escritora e palestrante. Autora de “O livro do Escritor” da editora Instituto Memória.





segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Revista ZK 2.0 - Idioma: espanhol




Revista editada pela poeta Zeltia G.
Ficamos honrados em assinar a coluna "El abanico de la literatura". Cada coluna é um aula sobre a difícil arte de escrever.
Vejam no índice:
http://www.zonakeidell.com/zk22/paginas/indice/2/

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CONTO E CRÔNICA, GÊMEOS UNIVITELINOS?

Conto e crônica são considerados gêneros de fácil execução, por isso atraem os principiantes. Em “O Livro do Escritor” (editora Instituto Memória, 2009), ao analisar os contos falei: “Escrever contos é uma boa opção para iniciantes. O trabalho conclui-se mais rápido. A ansiedade termina em pouco tempo. Isso pode criar a falsa ideia de que escrever um conto é uma tarefa menor: talvez insignificante. Critério errado. A estrutura do conto não é mais simples que a do romance. É diferente. Escrever um bom conto é difícil.

Mas, ao final quais são as características de um bom conto? O conto, como qualquer texto ficcional, cria um universo paralelo. E esse universo deve ser plausível. Alguns dizem que um bom conto é aquele que o leitor lê sem parar, quase sem respirar. Um conto precisa de uma narrativa intensa, de tensão. No conto tudo se encaminha para o desfecho, o escritor não tem tempo de tratar assuntos laterais. O conto é curto e condensado.
Cortázar dizia: “O conto está para a fotografia como o romance está para o cinema”. Mas, o que é importante numa fotografia? Para fazer uma fotografia artística é preciso determinar vários elementos, entre eles, enquadramento, luz, definição, proximidade. Pois bem, o mesmo acontece com o conto. Exige enquadramento, ou seja, limitação do assunto, de personagens e de ambiente. Assim como um fotógrafo, o contista se pergunta qual será o melhor efeito, se deve iluminar mais a figura central ou iluminar um lado e deixar o outro `as escuras. Qual ângulo dará a melhor perspectiva? Qual dará mais profundidade? No conto, a perspectiva do personagem, a profundidade que pode alcançar, são elementos que enriquecem a narrativa.
E a crônica? Já foi considerado um gênero híbrido por flutuar entre a literatura e o jornalismo. A crônica tem pontos em comum com o conto. As duas são narrativas curtas. Além disso, a crônica também admite personagens, o que a torna muito semelhante ao conto.
Então, quais são as diferenças? Enquanto o conto admite enredos infinitos, a crônica focaliza assuntos cotidianos. O conto admite vários incidentes. A crônica, só um incidente. A característica marcante da crônica é o ponto de vista, a opinião, o comentário, elementos que o conto dispensa. Não é raro confundir os dois gêneros. Isso acontece muito e provoca longos debates em concursos literários. Porque enquanto alguns consideram que a crônica deve ser simples, tão simples que qualquer elemento enriquecedor tira a sua característica de crônica, outros acham que a crônica é um gênero oceânico, permite qualquer tipo de abordagem.

Desse modo, podemos concluir que conto e crônica não são gêmeos univitelinos. E o que exigem do escritor? O conto exige unidade, além de criatividade. Já a crônica exige o poder de observação. O cronista é um ouvinte. Ele escuta frases, fragmentos de conversas na rua, na fila de banco, no restaurante. Como falou Rubem Braga, o cronista olha o mundo com os olhos de um poeta ou de um bêbado.

Uma característica: os dois gêneros parecem fáceis de trabalhar. Como são gêneros rápidos, dão a falsa impressão de que é só sentar ao computador e é possível escrever crônicas e contos excelente. Mas não é assim. Esses estilos requerem análise microscópica. É preciso, depois de escrever, trabalhar cada parágrafo, cada frase.
Como fala o aforismo: a crítica é fácil, a arte é difícil.

Publicado na revista Raízes Regionais, em março/2010.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

OFICINA COMO ESCREVER UM LIVRO DE CRÔNICAS

MÓDULO 1.

Serão analisadas as semelhanças e diferenças entre crônica e conto.
Assuntos que merecem uma crônica.
O gênero literário que revela o quotidiano.
A função do cronista.
Os segredos do gênero. O ritmo da escrita.

Duração duas semanas: terças, quintas e sextas-feiras.

Data: 18, 20, 21, 25, 27, 28 de outubro/11.

Horário: 18:30 as 20:30 horas.

Investimento: R$ 200,00.

As melhores crônicas farão parte de um livro.



domingo, 25 de setembro de 2011

O DIA EM QUE ME SENTI UM PERSONAGEM

Quando um livro é publicado de maneira clássica, ou seja, quando o autor envia seu texto a uma editora que “banca” a publicação e encarrega-se de conseguir diagramador, capista, de fazer a correção ortográfica e procurar uma boa gráfica, é comum o autor ganhar alguns livros para presentear a imprensa ou pessoas que sejam consideradas líderes de opinião.

Pois bem, isso aconteceu quando há mais de vinte anos foi publicado um livro infantil de minha autoria chamado “O Prego Nélio”.

Acontece que eu fui doando os exemplares que tinha até ficar sem nenhum. Irritada com meu próprio erro, fui até uma instituição que tinha um exemplar do livro para tirar fotocópias. Minha surpresa foi enorme quando escutei a secretária dizer: “Ninguém pode tirar fotocópias dos livros”.

Mostrei minha identidade e falei:
- Eu sou a autora do livro.
- Mas se fotocopiar o livro, isso seria plágio. - retrucou-me com muita seriedade.
- Eu sou a autora. Acaso irei plagiar o meu próprio livro? - perguntei um pouco confusa, sentindo-me um personagem que havia fugido de alguma crônica do Veríssimo.
- Não pode fotocopiar. - insistiu.
- Eu escrevi esse livro! - gritei.
- Mas o exemplar é nosso e não poderá fotocopiar.

Tive que me resignar e voltar para casa. Por sorte, uma antiga aluna que havia guardado um exemplar tirou fotocópia e teve a delicadeza de ficar com a mesma e presentear-me com o livro do qual sou autora. Mas isso despertou várias reflexões: a primeira sobre a necessidade de guardar um exemplar de qualquer obra de minha autoria; a segunda, de que muitas vezes o zelo administrativo leva a situações absurdas como a que eu havia vivido, e ficou em mim a sensação de que em algumas situações nossa humanidade parece perder-se no mar da ficção. Parecemos um personagem de crônica vivendo uma situação bizarra, e precisamos nos olhar no espelho para reconhecer quem realmente somos.

Crônica de Isabel Furini publicada no ICNews.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Escritoras falam de criação literária




Ontem, na Casa da cultura Polônia Brasil, em Curitiba, Adélia Woellner, poeta e escritora, Marilza Conceição, escritora de livors infantis, e eu, convidadas pela artista plástica Márcia Zséliga, falamos um pouco sobre criação literária. Presente, a lembrança de Helena Kolody de quem Adélia foi grande amiga, além de colega da Academia de Letras.

sábado, 17 de setembro de 2011

BELEZA NATURAL? (rsrsrsrsrsrs)

Escutei dizer que os homens não gostam de mulheres independentes demais. Logicamente, eles gostam que a mulher tenha uma renda que ajude no orçamento da casa, mas, ao mesmo tempo, sonham com o “eterno feminino”.

E o eterno feminino fala de mulheres suaves, amáveis, delicadas - quase gueixas. Mulheres belas. Naturalmente belas – sem artifícios. É possível encontrar mulheres belas, mas sem artifícios?.. Isso é uma raridade.






A história revela que as belas egípcias como Cleópatra banhavam-se em leite de cabra para manter a beleza da pele, e colocavam óleos no rosto para evitar o ressecamento produzido pelo sol do deserto. Os chamados “Papiros de Ebers”, além de orientações médicas, oferecem algumas orientações para retardar o envelhecimento. E até
Cleópatra seguia os conselhos para manter-se jovem.





Sophia Loren falou em uma entrevista que é preciso ter vocação para ser bela. Sim, vocação mesmo. É necessário escovar pacientemente o cabelo antes de dormir, para manter a vitalidade. Fazer ginástica todos os dias, para manter a boa forma. Limpar a pele do rosto diariamente.... e outras pequenas tarefas cotidianas que ajudam a realçar a beleza ou a manter-se jovem. Esfoliantes, hidratantes, e outros “antes” para depois não ficar choramingando porque a pele envelheceu cedo demais.

É assim mesmo, ser bela é um investimento. Exige longas horas no salão de beleza, muito dinheiro gasto em cremes. Com o passar do tempo será necessário laser ou botox... e o ideal de beleza poderá continuar. Artificiosamente natural.

Por isso, alguns homens podem continuar com seu sonho de beleza natural, mas as mulheres, ah!... essas sabem bem a verdade: Beleza não é moleza, gente, beleza não é moleza.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Carlinhos e Carlão

Aniversário de Alberto. Meu irmão, o Carlão, virá com alguma de suas loucuras. Já o presenteou com um vômito de plástico, com cocô... nem sei de que material, parecia de verdade. Deu copo com mosca, refrigerante que faz babar... O Alberto queria matá-lo, até que...

– A sociedade está perdendo os valores éticos. A sociedade de consumo, consumiu nossos valores! – gritou Alberto para finalizar o discurso. Os alunos aplaudiram. O diretor não gostou. Os pais deram queixa: o professor Alberto usava da retórica para colocar os filhos contra o sistema. Foi demitido.

Alberto era o único dos três irmãos que estudara. Meu sogro, ao morrer, deixou uma chácara para o mais velho, uma padaria para o filho do meio e, para o caçula, uma poupança para terminar os estudos. Alberto formou-se em História.

Nessa tarde quente de primavera, Alberto aproximou-se do prédio, cabisbaixo. Eu falava no hall de entrada com dona Rosa, a velhinha do 504. Elevador em manutenção. Nesse momento, a Ramona, enorme como uma montanha, com aquela obesidade mórbida que é impossível ocultar – 175 quilos, descia as escadas. Roupa clara, florida, esvoaçante, parecia uma barraca. .

– Meninas – grita desde a escada – voltei a nadar e estou adorando...
Parabenizamo-la pela iniciativa. Ramona caminha até o carro – o estacionamento fica na frente do prédio – entra atabalhoadamente e se afasta. Carlinhos, meu filho, parece entretido com seu aviãozinho de brinquedo.

– Você não vai acreditar, mas ela nada bem... – comentei.

– Estranho, verdade..

– Estranho, nada – disse Carlinhos parando a brincadeira – Estranho, nada, baleias nadam bem... todo mundo sabe. Olhou com os olhos arregalados pela surpresa. Dona Rosa, a senhora não sabia que as baleias nadam bem?

Dona Rosa soltou uma gargalhada. Nesse momento entrou o Alberto. Lúcia, preciso falar com você, disse com voz triste. Perdi o emprego, murmurou.

– Vamos comer bolo, Carlinhos?... Podemos subir devagar – disse dona Rosa para amenizar a situação.

A notícia se espalhou. A família toda entrou em desespero. Os tios de Alberto, meus pais, os irmãos de Alberto, minhas primas. Todos estavam revoltados. Falavam em processar a escola, em processar o diretor, os pais dos alunos, até em processar o porteiro da escola. Só o Carlão permanecia tranqüilo.

Ainda lembro quando falamos sobre o assunto. Foi numa tarde. O Carlão ia cuidar do Carlinhos porque eu precisava consultar o médico e Alberto tinha uma entrevista de emprego. Estava do lado de fora, esperando-o . O Carlinhos brincando com um carrinho entre as poltronas do hall. Duas senhoras idosas, idosas mesmo, falavam sobre doenças, ao lado da porta. Uma apoiou-se do lado direito, e a outra, do lado esquerdo da porta. Desculpa o atraso, mana, disse o Carlão e entrou correndo, passando entre elas sem cumprimentar. Uma das senhoras olhou para ele e gritou:

– Juventude sem educação, passou entre nós duas e nem disse boa tarde.
Carlão virou-se e irônico retrucou: – Desculpem, achei que as duas múmias faziam parte da decoração do prédio. Eu baixei a cabeça e caminhei até o carro. O Carlão e Carlinhos sempre me faziam ficar envergonhada.

– O que disse o médico? – perguntou o Carlão.

– Só estresse... – respondi quase chorando... É que se Alberto não consegue emprego... não sei... devemos R$15.000,00 ao banco.... vamos perder o apartamento... Carlão.... onde vamos morar?

– Podem morar comigo...

– Você mora numa quitinete...

– É verdade... não se preocupe, já vai surgir alguma solução.
Eu continuei preocupando-me. Às vezes, o Carlinhos, com seus cinco anos, aproximava-se de mim – Por que está tão triste, mãe? Eu não respondia... não sabia o que dizer.

Uma semana depois, à noite, o Carlão chegou acompanhado da Marilda, a namoradinha loira. Entregou-nos R$ 15.000,00 em notas de cinqüenta... Foi a maior agitação, lá em casa. O Carlinhos pulava do sofá, subia e pulava novamente. Alberto achava que o Carlão tinha roubado. Minha mãe gritava que o filho não era ladrão. Eu perguntava de onde ele havia tirado o dinheiro.

– Ele não roubou, não... ele é um gênio! -exclamou a Marilda e deu-lhe um beijão na boca... desses de tirar o fôlego.

No dia anterior, o Carlão tinha solicitado falar com Osvaldo, o chefe. Osvaldo era um quarentão arrogante e egocêntrico. Metido a besta, segundo os funcionários. Era namoradeiro, um play-boy e bom gourmet. Foi recebido pelo Osvaldo às dezesseis horas. Sala grande, luminosa, computador de última geração.

– Admiro o senhor e por isso, tenho que falar. Bom, não sei se devo contar isso ao senhor, talvez... é... melhor outro dia.... Virou-se e deu dois passos até a porta.

– Pode falar, rapaz! O Carlão explicou que o assunto era muito delicado. Não sei se devo, não sei se devo, repetia.

– Por favor, sente-se. Qual é o problema?

– Seu Osvaldo, eu sei que temos nossas opiniões, algumas diferenças... mas eu admiro muito o senhor, por isso acho que devo ser honesto. O pessoal está dizendo... está dizendo... que o senhor...
– Sim?

– Pinto pequeno. Estão dizendo que o senhor tem pinto pequeno.... Desculpe, senhor, mas é o que estão dizendo.

Os olhos de Osvaldo ficaram enormes, injetados de sangue. Ele, o play-boy, o garanhão.... Pinto pequeno, eu????

– Estou contando para ajudar. Em seu lugar eu... daria uma lição. Reuniria todos os homens, baixaria as calças e faria notar o tamanho de minha genitália.
Osvaldo ficou em silêncio, os punhos crispados, a garganta seca. Serviu-se de um café e ofereceu outro para Carlão.

– Isso! Isso! Vou dar uma lição no pessoal.

Osvaldo chamou a secretária e pediu para reunir todos os homens da empresa – 185, na parte livre do almoxarifado. Ele iria discursar.

Osvaldo, de pé sobre um palco improvisado, esbravejou:

– Sei que estão falando nas minhas costas... sei que estão me criticando, mentindo sobre o meu pinto. Dizendo.. dizendo que tenho pinto pequeno.

Carlão, na primeira fileira gritou: – Abaixe as calças! Abaixe as calças!

Osvaldo abaixou as calças e mostrou, com orgulho, como era um homem avantajado. De hoje em diante, quero ser chamado de Osvaldo, grande pinto! Gritou e retirou-se, feliz. Os funcionários iam saindo e cumprimentando o Carlão. Você ganhou... cara! Nunca pensei que realmente conseguisse fazer o chefe abaixar as calças diante dos funcionários.

Marilda contou rindo que o Carlão tinha feito uma aposta. Apostou que conseguiria fazer o chefe descer as calças. E conseguiu. Todos os 327 funcionários da empresa, entre homens e mulheres, todos apostaram. R$ 50,00 cada um. São R$ 15.000,00 para pagar o apartamento e um troquinho para mim... disse o Carlão.

O dono, seu Eufrásio, ao saber da brincadeira chamou o Carlão. Criatividade é o que precisamos nesta empresa, disse. O Carlão mudou de setor. Foi para o departamento de marketing e ganhou uma promoção.

– O que fará hoje teu irmão?- perguntou a prima de Lúcia, enquanto arrumava os brigadeiros.

– Alguma brincadeira... como sempre, agora é chefe da empresa, mas não mudou.

Soou a campainha. Os convidados estavam chegando com presentes para Alberto. Beijos, abraços, frases como: o Carlinhos é um amor, é muito fofinho... Onde está o aniversariante?

Carlão trouxe um presente para Alberto. É para festejar seu novo emprego na faculdade, falou. Um charuto fino, um cubano. Alberto acendeu. Explosão. Risos. Alberto foi lavar o rosto. Tinha ficado preto. Lúcia aproximou-se dele. Você não sabia que ele ia fazer isso? Sabia, Lúcia, eu sabia, mas depois de tudo o que fez por nós... decidi entrar na brincadeira.

domingo, 4 de setembro de 2011

SACI PERERÊ



SACI PERERÊ

Moleque engraçado o Saci Pererê,
ele é corajoso - não teme ninguém,
ele escova os dentes das piranhas
e os dentes dos jacarés,
ele ruge e a anta se espanta:
Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

O Saci desamarra os cavalos,
pinta o bico do tucano,
assusta o bicho preguiça,
pisa a cauda da iguana,
e quando uma jararaca se aproxima
ele sibila:
sssssssssssssssssssssssssssssssssss

O Saci Pererê só tem uma perna
ele tem cachimbo e um gorro vermelho,
gosta de cantar, gosta de dançar,
gosta de pescaria e gosta de assobiar junto com o vento:
fffiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu



Poema de Isabel Furini
Ilustração de Marco Teixeira


sábado, 3 de setembro de 2011

ESCÂNDALO NO PRÉDIO (Crônica)

As mulheres do prédio estavam reunidas na recepção. Todas falando ao mesmo tempo. Esperavam a síndica. Ela chegou minutos depois. Calmamente perguntou qual era a causa daquela agitação toda.

- O primeiro andar tem um grande terraço... - disse dona Manoela.

- E sempre alguém está tomando sol nesse terraço! - enfatizou Vanessa, que estava sentada com a filha de dois anos no colo.

- Não tem nada de errado tomar sol no terraço. Isso não é proibido - disse a síndica.

- Conte, conte, dona Cidinha - incentivou-a Manoela.

- Mas hoje eu vi... Eu estava olhando pela janela, não estava espionando, não. Hoje eu estava olhando inocentemente pela janela quando vi... - dona Cidinha cobriu o rosto com as mãos e disse descendo a voz: - Vi um homem nu tomando sol no terraço do primeiro andar.

- Era seu Inácio? - perguntou Rosalba, uma antiga moradora.

- Aquele velho contador aposentado tomando sol nu no terraço? - perguntou a síndica.

- Que horror! - disse gritou Manoela.

- Não! Não era ele, não! Era esse sobrinho, esse jovem alto e moreno, parecido com o Rodrigo Santoro.

- Ahhhh! Uauuuu! E outras exclamações surgiram dos lábios das mulheres.

- Aquele rapaz estava tomando sol nu no terraço? Por favor, dona Cidinha, a próxima vez que isso acontecer, me chame imediatamente - disse a síndica - eu quero tirar algumas fotografias daquele gatão nudista!


Crônica de Isabel Furini publicada no ICNews.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

sábado, 27 de agosto de 2011

Jornal MEMAI aborda terror nuclear



JORNAL MEMAI – Letras e Artes Japonesas lança sua sétima edição, tendo como tema de capa o pesadelo nuclear, que tem atormentado o imaginário japonês desde a 2ª. Guerra Mundial. Godzila, Akira Kurosawa, Masuji Ibuse são algumas obras da ficção japonesa que abordaram o tema.

O jornal também traz a homenagem da França ao Japão, com a instalação da Casa de Chá criada pela designer Charlotte Perriand; entrevista com o escritor Oscar Nakasato, que recebeu o premio Benvirá de Literatura pelo romance Nihonjin; e uma matéria sobre haicai, ilustrada com haicais de imigrantes e pelo o sumi-ê de Lucia Hiratsuka.

O JORNAL MEMAI é publicado trimestralmente e tem distribuição gratuita em Curitiba, Londrina, Maringá e São Paulo. Quem tiver curiosidade em conhecer a versão impressa pode pedir pelo email contato@jornalmemai.com.br.
O site, que está sendo atualizado, traz até a edição 05 do jornal.

sábado, 20 de agosto de 2011

Anjos (poema de Isabel Furini)

Réplica de quadro do Arcanjo Rafael da Escola Cusquenha -Perú

ANJOS
Formas imaginárias dançam com o vento.
No silêncio do quarto faço uma oração
para dissolver as mágoas
-depois durmo.

Meus sonhos invadem obscuros arquétipos.
Inventam metáforas, sinais simbólicos,
signo alegóricos
e desperto com anjos nos olhos.
Isabel Furini


Lembranças - poema de Isabel Furini




quinta-feira, 18 de agosto de 2011

QUEM É JOVEM E QUEM É IDOSO?


Algumas vezes ficamos confusos diante de conceitos tão simples quanto jovem ou idoso. Há pouco tempo recebi um e-mail de um senhor aposentado, começava dizendo que era um homem muito idoso e que precisava de orientações para escrever a sua autobiografia. Tinha passagens de sua vida que ninguém conhecia, e agora que estava no fim da vida queria contá-la em detalhes para seus filhos e netos.

Trocamos e-mails, eu o aconselhei a organizar os capítulos, pensar no início, se queria começar contando os primeiros anos ou contar algo bem inusitado e depois narrar fatos de sua infância, e perguntei quando anos ele tinha. Você imagina quantos? 85, 90, 95, 100 anos?

Quando ele falou o ano em que nasceu, eu pensei que ele tinha errado ao digitar. Eu lhe enviei um e-mail perguntando: Você acaba de completar 62 anos? Sim, respondeu. Sou aposentado e idoso. Idoso de cabeça! Tive desejos de retrucar. Mas não disse nada, cada pessoa tem o direito de ter a idade mental que deseja.

O contrário aconteceu com dom Elías, meu mestre de Jhorei. Interessante quando me falaram dele, eu pensei que era um mestre israelita dedicado à kablaha, quando fui vê-lo fiquei surpresa, era um velhinho japonês. Depois ele me contou que nascera no Japão e tinha pouco mais de 20 anos quando veio para o Brasil. Como seu nome era muito complicado, não conseguiram traduzi-lo, e ao fazer os documentos um funcionário achou que era parecido com Elías, e assim ficou. Quando o conheci, tinha 84 anos.

Aos 85 anos um dia me disse: Ontem levei meu neto ao parque, comecei a correr com ele, mas fiquei muito cansado, não consegui correr, acho que estou começando a ficar velho... Ele morreu meses depois, mas não chegou a ficar velho, morreu quando sentiu que “estava começando a ficar velho”.

Penso que nós temos duas idades, a idade do corpo, aquele que está registrada na certidão de nascimento, e a idade da mente, essa não depende da folhinha, mas da atitude que temos diante da vida, da força interior.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Resultado 2º Concurso Poetizar o Mundo

Agradecemos a participação de todos os poetas que enviaram os seus trabalhos.

Os ganhadores do 2° Concurso Poetizar o Mundo, modalidade Indriso foram:

1º CIRCUMAMBULATIO, Jorge Xerxes; 2º A OUTRA MONTANHA João Elias Antunes de Olivei; 3 NO TEU CORPO, de Antonio Rodrigues Belon
Menções Honrosas: ARS POÉTICA de Rogério Luz e CABIDELA HUMANA de Geraldo Trombin.

Foram jurados o escritor Dr. Marco Antônio de Araújo Bueno e o poeta Vítor Queiroz.

1º lugar circumambulatio de Jorge Xerxes – o poema ganhador será publicado gratuitamente no livro de indrisos que será editado por Isidro Iturat e todos os poemas publicados nesse livro são inéditos e não poderia ser publicado no blog. Mas recebemos autorização de Isidro para publicar o poema.

circumambulatio

gárgula de ímpetos imanentes
o mais astuto dos segréis calar-se-ia
ante um torvelino de queixas tão obtusas

mas acolhe: afaga-lhes as faces rombudas
abre-lhes as palmas feridas de pedras
para que delas abandonem sorridentes flores

os embates não nutrem pérolas em ostras

é a síntese a erigir-lhes sentido

Autor: Jorge Xerxes é natural de São João da Boa Vista, SP. Mantém o sítio www.jorgexerxes.wordpress.com - "Palavras Órfãs de Poesia: O que Restou". Publicou "As Cinquenta Primeiras Criaturas", Livro de Contos e Poesias, 150 pp, Editora Multifoco, (2010).

2° Lugar
A OUTRA MONTANHA de João Elias Antunes de Oliveira

Menino apascentando cabras na montanha.
O tempo badala no pescoço.
A longa vara indica a superação da sede.

O cajado ampara o medo.
Duas bocas compreendem o sol da manhã.
Apascenta os sonhos.

A montanha projetava seus ecos no vazio.

Menino apascentando seu rebanho de pedras na montanha.

Elias Antunes é professor, servidor público e escritor, publicou vários livros.


3º Lugar.
NO TEU CORPO

Arquitetura!
Arquibundura!
Arquimedes

Não me deu
(eureca)
Nem o grito nem o achado.

Teus seios...

Teus quadris.


Professor de Literatura Brasileira aposentado na UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Atua no Programa de Pós-Graduação, Mestrado em Letras, do campus de Três Lagoas, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e realiza estágio pós-doutoral e outras atividades no Programa de Pós-Graduação em Literatura na UNB – Universidade de Brasília.


MENÇÃO HONROSA

Ars Poética de Rogerio Luz

Nada saber não é um privilégio
da pedra ou do animal: o pensamento
se perde na palavra, nos intentos.

Nada pensar entre paixão e tédio
nada dizer acerca da montanha –
toda palavra dita soa estranha.

Emudecer a voz – tristonha ou álacre.

Vocábulos de júbilo dos pássaros.



Rogerio Luz (Rio de Janeiro, 1936) é professor aposentado da ECO-UFRJ. Poeta, ensaísta e artista plástico, publicou diversos artigos e livros na área de estética, psicanálise e crítica de arte. Tem três livros de poesia: Diverso entre contrários. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2004, Correio Sentimental. S.Paulo: Giz Editorial, 2006, e Escritas. Goiânia: Editora UFG, Coleção Vertentes, 2011.


MENÇÃO HONROSA
CABIDELA HUMANA de Geraldo Trombin


Meu sangue avinagrado já está fervendo na panela.
Minhas partes – cabeça, pescoço, pés, asas criativas sem adejo –
Todas decepadas, prontas para serem refogadas.

O coração prestes a ser afogado na sua hemoliquidez;
O fígado embebido na sua lânguida embriaguez.
Sinto-me miúdo.

Sinto-me aos pedaços.

Prato a ser devorado.


Geraldo Trombin é publicitário, membro do "Espaço Literário Nelly Rocha Galassi" – de Americana/SP (desde 2004) e da CL (Concursos Literários)
Lançou em 1981 "Transparecer a Escuridão", produção independente de poesias e crônicas, e em 2010 "Só Concursados - diVersos poemas, crônicas e contos premiados". Com mais de 190 classificações conquistadas em inúmeros concursos realizados em várias partes do país, tem trabalhos editados em mais de 70 publicações.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

DE DOZE EM DOZE HORAS (RESENHA)


Esse livro de poemas de Alexandre França (editora 1801, 2010, 120 páginas) nos convida para observar a passagem das horas com os olhos do poeta. A subjetividade nos permite ver ambientes, pessoas, a própria cidade de um ponto de vista diferente: “ à noite mergulhar no fim mudo da linguagem, /modelar ruma raça...”.

A poesia de Alexandre França é moderna e imprevisível. Foge dos moldes, dos padrões. França nos leva por caminhos desconhecidos, abre diante de nossos olhos um mundo ignorado, uma dimensão poética que seduz pela beleza e assusta pela crueldade de alguns assuntos que aborda com singularidade. Vejamos o poema Moradia:

há uma cidade
no meu travesseiro,
um estado
embaixo da cama,
um país
entre a janela e a veneziana,
um mundo
num porta-retratos.
e você,
onde mora
aqui dentro
de casa?


Márcio Mattana enfatiza: “Embora Alexandre França nos ofereça um ciclo completo de manhã, tarde e noite, há sempre uma sensação meio noturna a brotar de seus versos. A manhã se mistura à madrugada e quase tudo é vivido dentro de quartos e salas, oscilando entre o sono e a insônia: “Há sempre alguém acordado por você”.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

OFICINA COMO ESCREVER ROMANCES



Iniciará em 03 de agostos (e será ministrada as 4º feiras) a oficina "COMO ESCREVER ROMANCES", no Solar do Rosário, rua Duque de Caxias, 04, Largo da Ordem.
Fone (41) 3225-6232.

A oficina procura orientar os participantes para que possam escrever romances: análise de personagens, a procura da voz do escritor, técnicas de estilo, considerações sobre o enredo, tempo e espaço no romance.

Duração: 3 meses.
E-mail: isabelfurini@hotmail.com

quarta-feira, 27 de julho de 2011

PALAVRAS DA ARTISTA E DA DIARISTA



Era uma reunião como tantas outras. Mulheres falando, homens grudados aos copos de cerveja, jovens falando de música e crianças correndo. Numa dessas conversas escutei alguém dizer a uma senhora idosa: “Somos um grupo de artistas plásticas que nos reunimos uma vez na semana, e algumas também escrevem poesia”. Gostei da ideia, fiz várias perguntas e ela respondia com entusiasmo. - Pintam pior do que macacos - disse o marido dela rindo. Ele é um piadista, esclareceu a mulher.

Na terça-feira fui até o atelier. Subi a escada e no primeiro andar vi várias portas fechadas. Qual seria? Perguntei a um rapaz que caminhava pelo corredor com uma carta na mão. - Não conheço artistas plásticas neste prédio, respondeu.

- Elas se reúnem só uma vez na semana.

- Ah! Você disse artistas? Artistas! Hahaha. É um grupo de velhas gagás. É na última porta, do lado direito.

Caminhei até o final do corredor, bati à porta e abriram, lá estavam as idosas. Desculpem, lá estavam as artistas plásticas. Nesse momento a frase do marido da Teresa, “pintam pior do que macacos”, não me pareceu uma piada, pareceu-me um simples comentário. E a declamação de poemas... Céus! Melhor nem falar. Olhei para a professora de pintura, tinha um sorriso de bonomia no rosto, como quem diz: fazer o quê? A professora disse que o importante na terceira idade é fazer algo para manter-se ativo, para manter-se jovem. Elas não eram artistas, mas se sentiam artistas.

Eu acho interessante a pessoa dedicar o seu tempo a praticar alguma arte. Mas penso que um pouco de humildade daria brilho a esses quadros, porque é muita pretensão falar “somos um grupo de artistas plásticas que se reúne uma vez na semana”, seria melhor dizer: somos um grupo de interessadas em arte, ou de aprendizes, ou de alunas de arte. Porque “artista”, essa palavra para mim (talvez seja só para mim) tem uma conotação de certo grau de domínio de alguma das artes, e os trabalhos eram de aprendizes. Essa é minha opinião. Mas como disse minha diarista “opinião é como bunda, cada um tem a sua”.

Crônica de Isabel Furini publicada no ICNews.

domingo, 24 de julho de 2011

O medo do Passarinho (Poema Infantil)




-Piu piu piu
O passarinho canta,
mas não sai do ninho.

Piu piu piu
O passarinho é pequeninho,
fica deitado
tem medo de cair do telhado.

Piu piu piu
A mãe o chama:
“Pare de cantar, é hora de voar...”

O passarinho sai do ninho,
olha ao redor e seu susto é bem maior.

Tantas chaminés, tantos prédios altos,
tantos balcões, escadas,
buzinas, lombadas, carros e fumaça.

O passarinho corre para o ninho
e esconde a cabeça
embaixo da almofada.

Piu piu piu
A mãe o chama outra vez:
“É hora de ver o mundo,
meu filhinho...”

O filhote não quer saber
quer ficar quentinho.
Mas a mãe o empurra
para fora do ninho...

E faz um voo rápido
para o filho entender
que chegou a hora de aprender.

O passarinho olha
as asas da mãe tão acolhedoras,
são asas voadoras.

Piu piu piu
A mãe o chama,
os irmãos clamam:
“Você é covarde!”

O passarinho toma uma decisão,
fecha os olhos,
dá um pulo e estica as asas.

Abre os olhos e nem acredita
já está voando... voando
entre as árvores da praça.

O passarinho perde o medo,
voa alto, voa rápido,
faz cambalhota no ar.
Vai para cima, vai para baixo.
Como é bom voar!

Piu piu piu
Volta ao telhado,
escuta os aplausos
dos irmãos.
A mãe lhe dá um abraço.

O passarinho pensa:
“O ninho é bom, mas voar é melhor!



Poema de Isabel Furini - publicado no Bondinho dos Livros.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Passageiros do Espelho





A coletânea de contos tem a característica de respeitar o estilo de cada autor. Podemos então nos deleitar com os retratos muito bem elaborados por Bruno Camargo Manenti. Outros de alta dramaticidade, entre eles os trabalhos de Alessandra Pajola, Alessandra Magalhães, Fernando Scaff Moura, Sônia Cardoso e Zeltia G. Não falta uma visão do mundo espiritual feita pela professora Natália Bueno. Já o escritor Fernando Botto lembrou a infância e Maria Edna fala da idade madura. Elayne Sampaio e Ricardo Manzo nos levam por caminhos inesperados. Fernando Scaff Moura nos empurra para uma época de horrores que ainda está viva na memória da América Latina.

Na apresentação de “Passageiros do espelho”, José Feldman, da Academia de Letras do Paraná, fala: “Morremos e renascemos a cada conto. A cada espelho. Nos vemos confiantes, solitários, agoniados, suicidas, aliviados, tristes e alegres. Somos vários espelhos, mas ao final, apenas um”.

A escritora e poeta Adélia Maria Woellner escreveu no prefácio: “Os ‘passageiros do espelho’ rompem silêncios, oferecendo suas histórias, seus devaneios, seus encantos, os arcanos da imaginação”.

Fortalece esse trabalho a colaboração especial do escritor, professor e crítico literário Miguel Sanches Neto, que nos convida a fazer uma “Viagem de Volta”.

Nas orelhas do livro a atriz, radialista e escritora gaúcha Ângela Reale destaca que no livro penetramos “em mundos tão diversos, em encontros inusitados, sonhos desfeitos, amores de longe e de perto, saudades, morte e vida”.

Cada um dos contos é como um reflexo do acontecer. É a vida que se espelha na construção ficcional. Múltiplas manifestações construindo ninho nas palavras – e nos silêncios.
Esse trabalho começou em fevereiro deste ano, quando a Editora Íthala nos convidou para organizar uma coletânea de contos com alunos e ex-alunos da oficina “Como Escrever um Livro”, que ministramos no Solar do Rosário, o espaço criado pela doutora Regina Casillo. Como o número de participantes era limitado, falamos com os alunos do curso do primeiro semestre. Nem todos estavam dispostos a embarcar na aventura de escrever, reescrever e publicar. Alguns decidiram que ainda não estavam preparados ou que não podiam dedicar muito tempo a esse trabalho. E respeitamos a decisão de cada um deles.

Foi então o momento de falar com alguns ex-alunos com os quais mantemos contato pelo e-mail, como é o caso do escritor e professor Fernando Botto. Ele morou um tempo na Angola e, muito gentil, procurou-me quando voltou a Curitiba para que eu autografasse alguns exemplares de “O Livro do Escritor” para enviar a seus amigos angolanos. Também mantivemos contato com a jornalista e professora Alexandra Pajola, que participou da oficina e tem paixão pela escrita. Alessandra Magalhães e Natália Bueno, cada uma com seu estilo, destacaram-se durante as oficinas, e sempre enviam e-mail falando de seus novos trabalhos. Com Sonia Cardoso foi um encontro casual na recepção da Biblioteca Pública do Paraná. Ela já havia publicado um romance e estava iniciando outro trabalho literário quando eu fiz o convite para participar da antologia. Sonia aceitou imediatamente. Ela havia participado de uma oficina de contos que eu ministrei no Delfos, e tinha vários contos escritos. Uniu-se ao grupo minha amiga Sandra Rey Mosteiro, cujo pseudônimo é Zeltia G. Ela mora na Espanha, país onde edita a revista ZK 2.0.

O convite ao escritor Miguel Sanches Neto também surgiu espontaneamente. Ele havia sido meu entrevistado, e eu gostei muito da honestidade de suas respostas, além de admirar seus trabalhos como “Chove sobre minha infância” e “Venho de um país escuro”.

Os trabalhos foram árduos. Eu sei que o crítico acha que poucos trabalhos têm verdadeiro valor, mas eu quero mostrar os passos de um livro do ponto de vista do escritor. Escrever, reescrever sabendo que é impossível agradar a todos, mas cinzelando os contos com paixão. Só faltava uma boa apresentação para o nosso livro.

A poeta Adélia Maria Woellner, pessoa despojada de vaidade, disse humildemente que escreveria, mas que se não gostássemos do prefácio, poderíamos ficar à vontade para escolher outra pessoa. Adélia é membro da Academia de Letras, e ficamos comovidos com a sua humildade. José Feldman, que apresenta o livro, é escritor, poeta e presidente da Academia de Letras do Paraná. Faltava só escrever as orelhas. Era um trabalho que eu pessoalmente não queria fazer, porque, além de organizar a coletânea, dois contos de minha autoria estavam lá, e acho triste quando a mesma pessoa organiza, escreve, prefacia, apresenta, faz as orelhas... Dá a sensação de orquestra de uma pessoa só. Eu gosto da diversidade. Gosto de olhares diferentes. Então solicitei a participação da atriz e cronista Angela Reale. Por fim, o trabalho estava tomando forma. LANÇAMENTO O lançamento de “Passageiros do Espelho” será em 26 de julho, a partir das 19 horas, no Palacete dos Leões, na Rua João Gualberto, 530, em Curitiba. A entrada é franca. Os interessados podem solicitar o convite pelo e-mail: isabelfurini@hotmail.com
Será um prazer compartilhar esse momento com pessoas que amam a literatura.

domingo, 17 de julho de 2011

Homem grávido?

O casal feliz, de mãos dados, abre a porta de vidro, entra no prédio e encontra dona Belinda, a idosa do primeiro andar, sentada numa poltrona da recepção olhando para fora, enquanto o porteiro lê o jornal.

– Tudo bem?
– Felizes, dona Belinda, estamos grávidos.

A senhora Belinda olha um pouco confusa e retruca:
– Quer dizer que você está grávida, Leonor?
– Não, isso é coisa antiga, agora é o casal que está grávido.
– Os dois estão grávidos? Homens também ficam grávidos? – pergunta dona Belinda com os olhos esbugalhados.
– Também! – Leonor exclama risonha e olha para o maridão com aquele rosto de “ele é o melhor do mundo, ele é um príncipe” que, geralmente, vai esmaecendo aos poucos e transformando-se num olhar mais parecido com “bem que minha mãe falou para não me casar com ele. Casei com um sapo”.
– E homem pode ter enjoo matinal? – pergunta dona Belinda levantando-se trabalhosamente da poltrona.
– Pode.

A velha pega a bengala, depois olha o casal, mexe a cabeça para os lados e com raiva murmura:
– Então eu quero ver um homem morrer no parto.

Crônica de Isabel Furini

domingo, 10 de julho de 2011

3º CONCURSO DE POESIA “POETIZAR O MUNDO”

































O poeta e escritor Cyl Gallindo e o bilbiotecário e animador cultural José Domingos de Brito serão homenageados com placa ou troféu comemorativo.



3º CONCURSO DE POESIA “POETIZAR O MUNDO” – Modalidade: Minimalista
Organizadora: escritora e poeta Isabel F. Furini, autora de O Livro do Escritor.

1) O Concurso de Poemas tem como objetivo estimular a produção literária e é destinado a todas as pessoas maiores de 18 anos que apresentem um poema minimalista inédito e escrito em português.

2) O tema é livre, a inscrição é gratuita e poderá ser feita até 30 de setembro /2011.

3) Cada concorrente poderá participar com apenas um poema minimalista (até 5 versos ou linhas) inédito (ou seja, ainda não impresso em papel, nem publicado na internet), que não tenha sido premiado em outro concurso.

4) Consideram-se inscritas as obras enviadas pelo e-mail: isabelfurini@hotmail.com
Em "assunto": 3º Concurso de Poesia: "Poetizar o Mundo".
Poema no corpo do e-mail, sem anexo, escrito em língua portuguesa, digitado em espaço 2 (dois), com fonte Arial, tamanho 12 (doze).

6) Deverá constar no final: o título do poema, nome completo do autor, seu endereço, e-mail, telefone, RG, e 4 ou 5 linhas de currículo.

7) A comissão julgadora será composta pelo professor, poeta e escritor Alvaro Posselt e pela poeta Maria Edna Holer de Oliveira, autora do livro “Alvorecer da Poesia”, pela editora Protexto de Curitiba.

8) Premiação: o primeiro lugar receberá troféu e diploma. O segundo e terceiro lugares receberão diplomas. Poderão ser escolhidas até três Menções Honrosas, que também receberão diplomas.

9) O resultado do concurso será divulgado em sites literários da Internet e no blog: http://www.isabelfurini.blogspot.com/ - e Falando de Literatura, do Bonde News.

10) O resultado será divulgado até 10 de novembro/11. Na ocasião, também serão homenageadas com placa comemorativa duas personalidades do mundo das letras: o bibliotecário José Domingos Brito, organizador das Antologias Como Escrever e Por que Escrever, e o poeta e escritor Cyl Gallindo da Academia Pernambucana de Letras.

11º) O encaminhamento dos trabalhos na forma prevista neste regulamento implica concordância com as disposições nele consignadas.

Os troféus e placas foram doadas pela poeta Maria Edna Hole de Oliveira.
********

sábado, 2 de julho de 2011

1º Concurso Internacional Poetizar El Mundo

Primer Concurso Internacional “POETIZAR EL MUNDO” Modalidad: Prosa poética


1) El Concurso de Prosa poética tiene como objetivo estimular la producción literaria y está destinado a todas las personas mayores de 18 años, de cualquier nacionalidad, que vivan en cualquier lugar del mundo y que presenten su trabajo de prosa poética escrito en español.

2) El tema es libre y la inscripción es gratuita. Podrá ser hecha hasta el 15 de septiembre de 2011.

3) Cada participante podrá presentar solo un trabajo de prosa poética que tengan hasta 300 palabras, que sea inédito, o sea, que nunca haya sido impreso en papel, ni publicado en Internet, ni premiado en otro concurso.

4) Se considerarán inscriptas las obras enviadas al e-mail: isabelfurini@hotmail.com Primer Concurso “Poetizar o Mundo” Prosa poética. En el cuerpo del e-mail, sin anexos, escrito en lengua castellana, mecanografiado a doble espacio, con fuente Arial, tamaño 12 (doce).

6) Deberá constar al final: el título del poema, nombre completo del autor, su dirección (incluyendo ciudad y país), e-mail, teléfono y en 4 o 5 líneas, su currículum.

7) La comisión será compuesta por la poetisa Zeltia G., editora de la revista virtual ZK 2.0 y por el escritor Don Eduardo Jaime Carbajal Olate, colaborador de dicha publicación.

8) Premios: el primer lugar recibirá una medalla con su nombre grabado y diploma. El segundo y el tercer lugares recibirán diplomas. Podrán ser escogidas dos Menciones de Honra, que también recibirán diplomas.

9) El resultado del concurso será divulgado en Sites literarios de Internet, en el blog: http://www.isabelfurini.blogspot.com/ y en la revista ZK2.0, editada por la poetisa Zeltia G.

10) El resultado será divulgado el 25 de octubre de 2011. En esa ocasión también será homenajeada con una placa conmemorativa, la escritora Magda R. Martín, autora de los libros: El piano de cola y Nuestra casa (La casa de la mimosa).

11º) La participación de las obras se formalizará según lo previsto en este reglamento, lo que implica la aceptación de las disposiciones en él designadas.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

TEMPO

Intangível, solitário, tempo arguto, indefinível,
o minuto, o momento, o instante,
o passado e o futuro, onde estão?

Encontram-se nas ondas do presente
entre matizes coloridos extraídos das areias do deserto
e dos murmúrios do vento.

Univitelinos,
o passado e futuro
dão-se as mãos no útero do presente
– eternamente.

(de livro inédito de Isabel Furini)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

RESENHA: hábitos do musgo

(Eiléan Ní chuilleanáin -Foto Divulgação).


O título do livro está escrito dessa maneira, sem letras em maiúsculo, talvez querendo fazer referência a um mundo escondido na cabeça da poeta Eiléan Ni Chuilleanáin. A Kafka Edições publicou em 2010 uma edição bilíngue, organizada e traduzida pela poeta e professora Luci Collin.



Eiléan Ní Chuilleanáin nasceu em 1942 na cidade de Cork, na República da Irlanda. Recebeu o título de Bachelor of Literature no ano de 1968. É uma das editoras-fundadoras da revista literária Cyphers. Poeta premiada, emprega um ponto de vista poético deslocado, enigmático.
No prefácio, Luci Collin assinala que “no panorama da poesia irlandesa contemporânea há um surpreendente número de poetas cuja importância literária vem sendo constantemente apontada pela crítica”. A alta qualidade literária dos livros de Eiléan é reconhecida pela crítica mundial.



No poema Antigas Recordações, encontramos o verso que serve de título ao livro:
Descobri os hábitos do musgo
que secretamente paralisa a pedra,
a ferrugem que suavemente rói as dobradiças
para manter a porta sempre aberta.
Tornei-me consciente da verdade
como a maré, impotente, subindo e descendo num certo ponto.

E, como podemos intuir nesse poema, a metáfora hábitos do musgo, talvez seja a força avassaladora e penetrante da poesia. Existe algo de metafísico permeando os poemas, um olhar não convencional, por isso a leitura de seu livro “hábitos do musgo” demanda várias releituras.
Em síntese hábitos do musgo é um livro de poemas profundo, enigmático, excelente para quem quiser penetrar num mundo subjetivo e enigmático.




Resenha de Isabel Furini publicada no ICNews.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

QUEM É A VOVÓ XANINO?



















Magda R. Martín é romancista e também escreve contos para crianças. Na entrevista conseguimos entender um pouco o processo criativo que ela segue:


1) Magda, os contos publicados na revista ZJ 2.0 da Espanha, sob o pseudônimo de Vovó Xanino, são um sucesso. Conte-nos, qual é a chave para comunicar-se com o público infantil?
Tento entrar na mente da criança lembrando-me da minha própria infância. A mente infantil não percebe diferença entre os fatos dos quais nós, os humanos, participamos e os que podem viver os animais de qualquer espécie. A sua imaginação é rica e flexível, por isso compreende de maneira natural, com os mesmos programas, o traslado de sucesso de nossa vida quotidiana a uma vida animal. Daí o êxito de tantos contos com animaizinhos humanizados.


2) Como surgiu o pseudônimo de "Abuela Xanino", Vovó Xanino?
De uma maneira muito simples. Eu sou pouco hábil para encontrar títulos e pseudônimos e quando estava escrevendo a novela EL PIANO DE COLA, no fragmento no qual são citadas as "Xanas" asturianas (assim nomeiam as fadas dos rios na Astúrias), alguns amigos chamaram-me para participar de um foro literário. Como devia dar-me a conhecer mediante um pseudônimo, não pensei muito, escolhi "Xanino", que é o nome que se dá aos filhos das Xanas. Fazer-me chamar Xana me parecia demasiada pretensão. E com esse apelativo fiquei conhecida, logo, a causa de minha idade, já cumpri 77 anos, começaram a me conhecer como "Vovó Xanino", e assim permaneceu.

3) Qual é a sua rotina, em que horário você escreve?
Sou pouco notívaga e muito madrugadora, gosto de escrever durante as primeiras horas da manhã, quando, ainda, está tudo quieto, em silêncio. Mas se a inspiração surgir a qualquer outra hora do dia, eu aproveito. Inclusas algumas noites em que fico desvelada (fico com insônia) e, então, se surgir uma ideia, uma cena que possa ser interessante, se escrevo um texto, escrevo-o em um bloco que sempre tenho no criado-mudo, se por acaso as Musas se dignam visitar-me nessas horas.

4) Prefere escrever para adultos ou para o público infantil?
Gosto de escrever para ambos. Desfruto muito plasmando sentimentos profundos em uma historia novela, acho que isso é muito meu, muito pessoal. Não obstante, me houvera gostado de ser uma boa escritora de contos infantis, acho que é um gênero literário bastante difícil de conseguir. As crianças são muito inteligentes, não podemos menosprezá-las, sabem muito bem o que desejam e gosto muito de chegar a seus corações. É muito gratificante ver como elas riem ou se emocionam quando lhes esclarecemos assuntos ou quando realizam leituras de um conto. Eu sou avó de quatro netos.


5) Em que ano começou a escrever? Seu estilo mudou com o tempo ou manteve o mesmo estilo?
Acredito que nós, as pessoas que gostamos de escrever, não podemos determinar uma data concreta de nossos começos. Temos escrito sempre. Considero a arte da escrita como um dom com o qual se nasce (logo se pode ampliar e melhorar com os conhecimentos adquiridos), portanto, sempre estão aí. Sim, lembro que o primeiro conto que escrevi foi aos 9 ou 10 anos e o dei de presente para minha mãe. Nele dava vida a duas baratinhas que falavam entre si. Lamentavelmente não sei onde ficou esse conto, perdeu-se. Logo, ao longo do tempo, segui escrevendo "para mim", uma vez escrito e lido, tudo ia parar no cesto de lixo, nunca me considerei uma escritora capaz, sentia muita vergonha de que alguém soubesse que eu gostava de escrever, não dava valor a meus escritos ainda que, durante meus tempos de estudante, me destacava nas aulas de literatura. Quando eram organizados concursos, geralmente eu ganhava o prêmio. Logo a vida, meu casamento e o cuidado de meus sete filhos afastaram-me um pouco da escrita, ainda que não me afastassem da leitura, tenho lido sempre. O detonador de minha volta à escrita foi a morte de minha mãe no ano de 1990. Escrevi um conto em sua memória, que enviei a cada um de meus irmãos, sem êxito, claro, somente como uma lembrança. Posteriormente, com o falecimento de meu esposo no ano 1992 e com os filhos já crescidos, tive tempo livre para me dedicar à escrita. Naquela época, assisti a uma oficina de escrita para aperfeiçoar um pouco o meu estilo e desde então pratiquei e sigo praticando e aprendendo.Meu estilo creio que sempre foi a narrativa, gosto de narrar, acho que vou melhorando (e isso espero) não mudando.


6) Quais são os seus livros preferidos?
Gosto de todos os que sejam de narrativa, as biografias e as novelas históricas. Logo, qualquer tema interessante ou que se destaque no momento. Não dou títulos porque gosto e já gostei de tantos que não posso escolher um título determinado. Impactou-me bastante uma novela intitulada "Los que vivimos" de Ayn Rand, o "Sinuhé o Egipcio" de Mika Valtari, etc. Não posso escolher, são demasiados. Na atualidade há tantos escritores que é muito difícil encontrar um bom escritor. Acho que antes, tempos atrás, havia melhor literatura que na atualidade. Peço perdão, sinto muito, mas é a minha opinião.


7) Fale um pouco de seu novo livro "El piano de cola" (O piano de cauda).
É um livro não muito longo (não costumo escrever historias longas) que comecei há dois ou três anos e ficou numa gaveta só com as primeiras páginas escritas, esperando tempos melhores, até que um dia eu falei: Daqui se pode criar uma terna história, e comecei a trabalhar. Como quase tudo que escrevo, relatam-se acontecimentos da vida quotidiana, feitos que podiam acontecer a qualquer um de nós em igualdade de circunstâncias. Sucessos correntes da vida. Além de narrar os acontecimentos ou circunstâncias em si, gosto de explicar e intento expor em letras com a maior claridade possível todos os sentimentos que os personagens sofrem, e isso é muito difícil porque os sentimentos, como muito bem fala a palavra, se sentem, mas não existe uma palavra determinada para descrever um sentimento, então, o escritor deve fazer uma unidade com o personagem e, dentro do contexto da história, fazer chegar esse sentir do protagonista ao sentimento do leitor. É algo como ter que escrever entre linhas, coisa que o leitor deve captar.
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