terça-feira, 13 de novembro de 2018

Arte - Poema de Isabel Furini

ARTE

provocação a primeira vista
o passado com vestígios de sonhos e agressão
(o arcaico dançando na psique)

as marcas da caverna avançam no casulo do tempo
formas exiladas ente as sombras da noite
o visitante intui significados
mas a razão os descarta

o visitante olha entre admirado e confuso
as figuras estranhas e perturbadoras
sente-se um Neandertal
diante do fogo da criatividade

Isabel Furini

Obra de José Antonio de Lima

O Mundo das Parcas -

O MUNDO DAS PARCAS

oscilam as linhas
formas enganadoras
criadas como artificio
para emudecer a razão

a estética emociona
induz ao pensamento mítico

um instinto primitivo reflete
medos angulares
oráculos de morte
o selvagem ainda sobrevive no homem
e deseja expressar-se

multifacético o mundo encanta,
(o universo de José Antonio
tece e destece as grades da ilusão)


Isabel Furini

Obra de José Antonio de Lima

Travessia Poética (Poema de Isabel Furini)


TRAVESSIA POÉTICA

desce as pálpebras
analisa as palavras
e canta seus versos
no silencioso espaço de sua alma

acordam palavras adormecidas
e o poema pula da cabeça
entra na caneta
e no caudaloso rio da singularidade
mergulha em metáforas


Arte Digital de Carlos Zemek


Poesia: Função


POESIA: FUNÇÃO

a solidão avança entre espelhos quebrados
e se alimenta de exílios voluntários
por isso precisamos da poesia
– a poesia auxilia e nos salva dos naufrágios

a poesia nos ajuda a abrir as asas

ela coloca em nossos olhos
o brilho incandescente da esperança.

Isabel Furini

Fotografia de Isabel Furini

Bússola - Poema de Isabel Furini


BÚSSOLA

atordoado escreve um poema
e olha a bussola
a bússola enlouquecida
navega
(sem descanso)
rumo ao local da alegria e da eterna primavera

o poeta sonha com corvos agoureiros
observa lágrimas nos olhos dos anjos
e nos olhos das gaivotas
e percebe nas cartas do tarot o seu destino hostil

poetiza e compreende o propósito da Poesia
:
ser navio para os náufragos
e bengala na escuridão
pois a Poesia auxilia o homem nos momentos de infortúnio
a Poesia mitiga a dor e reinventa a vida

Isabel Furini
San Francisco, Califórnia, USA - Fotografia de Isabel Furini

Cativo - Poema de Isabel Furini

CATIVO

poetizar com a mente?
com as vísceras?
com os olhos?
com o coração?

é inútil tentar fugir do poema que fascina
ou fere
que alegra a alma
ou ajuda a preencher a solidão

porque a Poesia é água benta e cordura
mas também é escuridão.

Isabel Furini

Orfeus - Escultura de Rodin - Museu de Arte do Condado de Los Angeles

Projeção Poética

PROJEÇÃO POÉTICA

a solidão asfixia a alma e surge o poema

o poema foge da ponta dos dedos
e gesticula
cresce nos interstícios das palavras
e nas sombras projetadas pelo silêncio
serpenteia sobre as calçadas de pedra
onde cantam as gárgulas
pula os muros
e caminha sobre as águas do mar
onde dançam os bêbados e os homúnculos.

Isabel Furini
Fotografia de Isabel Furini - San Francisco, Califórnia- USA
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