domingo, 29 de novembro de 2015

RESULTADO do 11º Concurso Internacional Poetizar o Mundo


Foram inscritos 292 poemas:

Os jurados Arriete Rangel de Abreu, Marli Terezinha Andrucho e Jocelino Freitas realizaram o trabalho de leitura, análise e seleção.

Foram escolhido: 1º, 2º e 3º Lugares
5 Menções de Honra
2 Menções Especiais

Somando um total de 10 ganhadores.

Todos receberão certificado pelo e-mail.

O 1° Lugar receberá troféu Carlos Zemek, além do certificado. O 1° Lugar receberá troféu Carlos Zemek, além do certificado. O poema que ficou em 1º Lugar participará de uma das exposições de Arte e Poesia que realizará o curador Carlos Zemek, em 2016.



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1º LUGAR

TE AMO MAIS DO QUE A MIM MESMO

                        Te amo arte com amor bem puro.
                        Jurei, juro e morrerei jurando.
                        Se pra pintar-te for  a minha morte,
                        Pintarei a sorte por morrer te amando!

Luiz Fernando Abreu Araújo de Jacarepaguá/RJ

Luiz Fernando é mestre em Educação, pedagogo e professor de Sociologia, Filosofia e Biologia das redes pública e privada do Rio de Janeiro. Tem 13 livros publicados, nos gêneros infanto-juvenil, juvenil e adulto, adotados em diversas escolas do país. 

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2º LUGAR

Arte

Se a cor é um ponto de vista,
A linha um ponto de partida,
E a forma um ponto de chegada,
A arte é um porto sem cais.

Nina Graeff de Porto Alegre/RS


Nina Graeff cursa doutorado em Antropologia da Música em Berlim, Alemanha. Sua fluência em cinco idiomas (português, inglês, alemão, espanhol e francês) se reflete tanto na composição de poemas multilíngues quanto no gosto por jogos sonoros e polissêmicos das palavras, que muitas vezes encontram caminho em composições musicais da também cantora e pianista.



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3º LUGAR

Flor e amor

Que vale a flor, se não fosse o olhar!
Que vale o amor, se não fosse o enamorar!
Triste seria, se não existisse a flor;
Mas não a queria , se não existisse o amor!

Alda Lima de Itabuna/Bahia

Alda Lima é Licenciada em Letras: Faculdades Integradas de Cruzeiro - São Paulo, professora de Língua Portuguesa e Redação aposentada SEC Bahia.
Tenho poemas escritos , mas não divulgados. 



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MENÇÃO HONROSA

Escritarte

Nenhum poeta quer esconder
o que tenta fechar dentro das palavras
– ainda assim, recolhe-se pelas metáforas.
Nenhum poeta se quer esconder
por entre a sua caligrafia de liberdade.

Fernando Chagas Duarte​ de Almada/Portugal


Geógrafo de formação, tem publicado poesia com alguma regularidade sob diferentes suportes, analógicos e digitais. Fotógrafo amador, tenta conciliar a escrita com a imagem, em cruzamentos poéticos de imagem e palavra.
Publicou o livro "quase 100 poemas de amor e outros fragmentos" (Chiado editora, 2014).
​Está representado em cerca de uma dezena de Antologias e Colectâneas de Poesia.​
É autor de vários trabalhos de investigação e de recensão e crítica, na área da geografia, história local e regional e de patrimônio imaterial e associativismo.

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MENÇÃO HONROSA

A BALADA DO POETA


As pálpebras talvez estivessem fechadas
A realidade e os sonhos, inextrincáveis
Seus manuscritos eram imperfeitos, porém impermeáveis
Havia algo de onírico e verídico, real e fantasia
Era assim toda vez que escrevera  poesia.

Ian Martin Vargas de Foz de Iguaçu/PR

Ian Martin Vargas é escritor de poesias e contos desde a tenra infância. 
Vencedor do Prêmio Cataratas - Foz do Iguaçu- Fundação Cultural, categoria Contos.
Participa de diversos concursos literários pelo Brasil. Aspirante a contista e poeta.

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MENÇÃO HONROSA


Minimalista

Nasci artista, desaprendi com o tempo, aprendi com a vida
Nasci pobre, desaprendi com o tempo, aprendi sem dinheiro
Suspeitei do fracasso.
Fiz uma mínima lista do que valia a pena:
- A arte do artista.

Geisla do Nascimento Fernandes de São Paulo/SP

Geisla Fernandes é Paulista, formada em Direção Cinematográfica. Começou a experimentar o cinema independente em 2007, tendo até hoje exercido colaboração de roteiro e/ou direção em mais de vinte produções, entre elas, curtas-metragens, documentários, dois roteiros para longas-metragens, direção de um longa metragem, clipes musicais e roteiros para séries de TV.


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MENÇÃO HONROSA 

Quem é aquela?
a arte é a parte
que falta no corpo
é o sopro, é o milagre, é o brilho
é o gatilho da vida
é jogar conversa fora, com o infinito



Thaís Barbosa Ribeiro de Uberlândia/ MG



Thaís Barbosa Ribeiro é aluna do curso de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia, escreve desde que se entende por gente, já os seus escritos selecionados em alguns concursos literários, entre eles : "3° Prêmio TOC 140", "Educação, cultura e recreação: unindo a sociedade - Fundação Municipal de Cultura de Paracatu-MG, Biblioteca Municipal René Lepesquer", "Eu, minha cidade e os 300 anos do ciclo do ouro em Minas Gerais - Assembleia Legislativa de Minas Gerais". Publicou dois livros de poema na plataforma virtual "Wattpad".

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MENÇÃO HONROSA

Bailarina

Minha linda bailarina
Tão leve qual beija-flor
Que pela luz matutina
Dança a leveza menina
Canta a pureza do amor.

Decio José Romano e Silva de Curitiba/PR


Decio Romano é poeta, contista e dramaturgo paranaense radicado em Curitiba desde 1971. Estudou Contabilidade, Jornalismo e especialização em segurança pública, área em que atua como servidor público. Publicou cinco livros: Os Bosques Encantados de Vrindávana, A Lenda de Bédalo, Rua das Flores, Sayonara (contos) e Poema Voluntário.


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MENÇÃO ESPECIAL

Para além do peito - Pintassilgo Pereira

Que a poesia 
que há em nós
seja mais que lamento
seja instrumento 
de alguma voz

Nathan Zanzoni Itaborahy de Barbacena/MG

Graduado em Geografia pela Universidade Federal de Juiz de Fora e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem se envolvido com a arte desde menino, quando aos nove ganhou sua primeira bateria. É compositor, músico e escritor. Em setembro de 2015 lançará seu primeiro livro de poesias "Devaneios Necessários", pela Funalfa Edições (viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura Murilo Mendes).

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MENÇÃO ESPECIAL

Menestrel

Não vê perfeição o menestrel em sua Arte, não alinhava o tempo,
Cose momentos de Fleuma e bacamartes;
Seu baluarte é conjunto manifesto aquém de sons,
Sua Iris pequena desnuda a nobreza dos entretons;
Ora torpeza, ora pureza, ora Armagedom!

Jeane Gislon de Menezes de Rio Grande/RS

Currículo literário Jeane Gislon de Menezes, nascida na cidade de Tubarão-SC em 21.12.66, com nacionalidade Italo-Brasileira, formação acadêmica Química Licenciatura, professora, Assessora de Projetos ONG MUPV/RG. Casada com J.Francisco Devilla. Reside na cidade de Rio Grande-RS. Bacharel em Serviço Social, Pós Graduando em Gestão de Pessoas; Pós graduando em Dependência Química. Membro do Recanto das letras, membro dos Poetas Del Mundo, Acadêmica Correspondente da ALPAS 21; Acadêmica Imortal Correspondente da ALUBRA.



sábado, 28 de novembro de 2015

Poema Octopus de Isabel Furini é premiado em Portugal

Meu poema inspirado no Quadro Octopus de Kim Molinero é premiado em PORTUGAL.
O poema de minha autoria: Octopus - inspirado no quadro do mesmo nome, do artista e curador português Kim Molinero, recebeu na Art Galerium 15 - Exposição de Artes&Letras o 1º Lugar do PRÊMIO INTERNACIONAL DE ESCRITORES/POETAS, em Coimbra, Portugal.

O prêmio consiste em UM DIPLOMA e UMA OBRA em AQUARELA da artista plástica Dina de Souza.
Fico honrada com a escolha de meu poema. Muito obrigada.



1º Prêmio Internacional de Escritores/Poetas:

OCTOPUS

exilou-se o artista
e percebeu seus tentáculos
abrangendo a Metafísica
(além da técnica do pincel)

as ideias chegaram em tropel
pois pintar não é só um desejo
a inspiração
não é só uma flor em um jardim
é uma alienação
é um octopus que navega na sua alma

talvez Kim seja um Minotauro
- um ser mitológico de olhar metafísico
exilado no labirinto do mundo


Isabel Furini

CONSELHOS PARA ESCRITORES


A premiada escritora americana Nancy Kress escreveu alguns conselhos para que os novos escritores possam trilhar nesse difícil caminho com menos dúvidas. Ainda que dúvidas todos temos: os grandes escritores e os pequenos escritores, os antigos e os de vanguarda, os famosos e os anônimos. Na realidade parece que o caminho do escritor é um caminho semeado de dúvidas: como fazer uma boa descrição, como criar um personagem marcante, como escrever diálogos consistentes, como encantar o leitor. Sim, porque como muito bem falou em certa oportunidade Gabriel Garcia Marques, é mais fácil caçar um coelho do que um leitor.

O leitor já chega com letras “c” na cabeça. Ele tem uma carga de condicionamentos, uma bagagem de conhecimento e espera que sejam desenvolvidos certos conceitos. Ou seja, a maioria dos leitores antes de ler já tem uma ideia de como o livro deve ser desenvolvido, tem seu próprio protótipo do livro na cabeça. E o livro que ele (o leitor) está lendo deve ser igual ou superior ao livro que o leitor (ele) imagina. Por isso, uma das melhores estratégias dos escritores é surpreender o leitor.


Agora, vejamos alguns conselhos da escritora Nancy Kress: Escreva o tipo de ficção que ama ler. Ou seja, o novo escritor tem mais chances de escrever bem se está acostumado a ler esse tipo de literatura, “ele está por dentro”, como se fala familiarmente.

Outro conselho importante da autora: Escrever é reescrever. Sempre. Por isso, o novo escritor corajosamente deve ler seu próprio texto e reescrever quantas vezes ele achar que seja necessário. Um conselho que também ajuda: Leia tudo o que possa. E mais também. A seguir o grande conselho que só um autor que tenha percorrido uma longa viagem pode dar a um iniciante: Não siga as tendências da moda. Conte as histórias que deseje e como deseje. Nancy Kress assinala o único caminho que pode fazer crescer um escritor e esse é seguir o próprio instinto, a própria voz.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada.  Contato pelo e-mail: isabelfurini@hotmail.com




quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Comadres (Crônica de Humor)

Janine sempre fora uma mulher bonita. Sabia agradar e seduzir, mas os anos passaram e ela – como uma flor – foi perdendo a louçania, mas parecia não tomar conhecimento disso, ao contrário de Ângela.
Ângela, 65 anos, é uma mulher alegre e brincalhona. Rechonchuda, a pele clara, o cabelo preto e as bochechas sempre vermelhas. No dia 15 de Fevereiro, dia do aniversário do neto, a família estava reunida em volta do bolo. Ângela deliciava-se com os brigadeiros. De repente, a campainha toca várias vezes, com um som longo e agudo. Quem será? pensou. 
Seu filho, Daniel, correu até a porta e abriu. Janine, a sogra, entrou correndo, os olhos esbugalhados e respirando com dificuldade. 
– Onde está minha filha? – perguntou.
Marli colocou as empadinhas sobre a mesa e correu ao lado de sua mãe.
– O que aconteceu, mamãe?
– Filha... filhaaaa... – repetiu a Janine quase chorando – desci do ônibus e um homem me seguiu. Não sei o que queria... não sei o que queria.
– Mamãe! – gritou a filha, abraçando-a – você esteve em perigo? Ele disse alguma coisa?
– Não, não falou, mas olhava para mim, com um olhar... e ao descer do ônibus vi que ele desceu atrás de mim, e começou a seguir-me. Você entende?.. Ele tinha um olhar sensual.
Dona Ângela, pegou mais um brigadeiro e olhou a Janine de cima para baixo – o rosto enrugado, a barriga volumosa, as pernas com varizes e, ocultando um riso malvado, falou. 
– Fique tranqüila!. Ele ia a querer o quê? Quando uma mulher é jovem, nunca se sabe... um homem que a segue pode querer sua bolsa ou pode estar pensando em outra coisa, mas, na sua idade?!!! Sejamos honestas, dona Janine, ele ia querer o quê?.. Só sua bolsa, mulher, só sua bolsa.
Minutos depois, outra vez, o som da campainha. A festa de aniversário era um êxito. Daniel correu de novo para a porta e abriu. Boa tarde, disse o homem de camisa listrada.
– É ele... é ele... – gritou dona Janine, escondendo-se atrás da filha.
– Olá, Geraldo... – disse a filha, um pouco encabulada com a atitude da mãe- mamãe, esse é o nosso vizinho, o pai do Albertinho.
– Ah!... é sua mãe mesmo. Pegamos o mesmo ônibus e achei que era ela... mas como não tinha certeza.... não falei nada. 
– Ah!... Ah!... meu pai disse que sua avó olhava assustada. A velha é medrosa, né? – perguntou o Albertinho, o filho do Geraldo.
– Ela é –disse o netinho rindo – ela é bem medrosa...
– É assim mesmo, pessoal – afirmou Ângela, quando se é tão linda e sexy quanto dona Janine, qualquer olhar fixo pode ser considerado assédio sexual.
Isabel Furini é escritora, poeta e palestrante. 


Lançamento do livro Feliz Natal - por Arriete Rangel de Abreu

As poetas Neyd Montingelli e Isabel Furini receberam na noite de ontem amigos, escritores, poetas, familiares e o público que se dirigiu às Livrarias Curitiba do Shopping Estação para o lançamento do livro "Feliz Natal - poesias" escrito a duas mãos pelas autoras.



Isabel Furini e Neyd Montingelli - Foto: Willy Schumann

Uma ode natalina. Assim o jornalista e escritor Willy Schumann considera no prefácio, o encontro das duas poetas, que resultou em plena conexão inspiradora, sensibilizadas pela magia do natal e pela forte reverência ao Criador, exaltadas no período natalino pelo gênero humano.

Fotografia de Ricardo




A chuva, embora tenha impossibilitado algumas presenças esperadas, não impediu que o evento contasse com grande número de pessoas que foram prestigiar as autoras, receber os autógrafos, ouvir alguns dos poemas declamados pela também escritora e poeta Andréa Motta - presidente da UBT Curitiba e vice-presidente da Academia Paranaense de Poesia, bem como para aplaudir a simpática e competente homenageada, Edilene Guzzoni - coordenadora cultural do SESC Água Verde, que recebeu a medalha de honra ao mérito do 11º Concurso Internacional Poetizar o Mundo, coordenado por Isabel Furini, pelos serviços dedicados à cultura paranaense.

Fotografia de Julio Maito Filho



Na noite cultural, apresentou-se o Coral SUD - Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias-Mórmons com cânticos natalinos, encerrando o evento e envolvendo os presentes com o espírito fraterno e delicado de um Feliz Natal.

SemeARTE agradece o convite para participarmos como Mestre de Cerimônias do lançamento de "Feliz Natal - Poesias" e parabeniza as poetas e amigas Neyd Montingelli e Isabel Furini, desejando-lhes um encantado e alegre Natal, tão alegre e amigo como os que proporcionaram nos instantes que juntas e mais uma vez, nos reunimos em feliz e poético encontro.

Feliz Natal! - 24.11.2015.

Especial agradecimento para a amiga Andréa Motta pelo carinho e boa vontade em se oferecer para fazer os registros fotográficos, enquanto nos encontramos ocupadas com outros afazeres.

(Arriete Rangel de Abreu Mestre de Cerimônias do evento idealizadora do projeto SemeARTE)

Fotografia de Arriete Rangel de Abreu




Fotografia de Arriete Rangel de Abreu




Fotografia de Arriete Rangel de Abreu




Fotografia de Andréa Motta


Mestre de Cerimônia do evento: Arriete Rangel de Abreu.


Fotografia de Arriete Rangel de Abreu


Andréa Motta realizando a leitura dos poemas do livro "Feliz Natal".


Fotografia de Arriete Rangel de Abreu


Coral SUD.




Neyd Montingelli com as amigas Mara Karpenko, Carmem Sueli da Costa e Rita T Severino



Fotografia de Arriete Rangel de Abreu


Maestrina do Coral SUD




Fotografia de Arriete Rangel de Abreu




Fotografia de Andréa Motta






Fotografia de Andréa Motta
Arriete Rangel de Abreu, Neyd Montingelli, Susana Arceno e Isabel Furini



Rogério Bittencourt, Dirce Polli, Isabel Furini Lukas Mafra Souz e Mafra Souza.



Fotografia Willy Schumann





Fotografia Willy Schumann

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

LINDINHA (Crônica de Humor)




– Coitada da Hermínia, tão lindinha, tão burrinha. Isso dizia todo mundo.


Lamentavelmente Hermínia só pensava em passar batom nos lábios e sombra nas pálpebras para aumentar sua beleza e esquecia-se de aumentar sua inteligência, que era de que precisava.


No inverno Hermínia ficou gripada. Roberto, o CDF da sala, muito sério, disse:
– Não se aproxime do computador, Hermínia, pois pode passar o vírus da gripe.

Na aula de informática, o professor levou a turma para o laboratório. Os alunos foram entrando, menos Hermínia.

– Pode entrar, Hermínia... – disse o professor.

– Professor hoje não poderei ficar na aula, pois estou resfriada e não quero passar os vírus aos computadores.

Os companheiros riram. O professor, sorridente, olhou-a e falou:

– Fique tranquila, Hermínia, computadores não espirram... pode entrar na sala.


Isabel Furini é escritora, poeta e palestrante.
Contato: isabefurini@hotmail.com





QUEM É JOVEM E QUEM É IDOSO? Crônica


Algumas vezes ficamos confusos diante de conceitos tão simples quanto jovem ou idoso. Há pouco tempo recebi um e-mail de um senhor aposentado, começava dizendo que era um homem muito idoso e que precisava de orientações para escrever a sua autobiografia. Tinha passagens de sua vida que ninguém conhecia, e agora que estava no fim da vida queria contá-la em detalhes para seus filhos e netos.

Trocamos e-mails, eu o aconselhei a organizar os capítulos, pensar no início da obra. Escolher se queria começar contando os primeiros anos ou contar algo bem inusitado e depois narrar fatos de sua infância, e perguntei quando anos ele tinha. Você imagina quantos? 85, 90, 95, 100 anos? Quando ele falou o ano em que nasceu, eu pensei que ele tinha errado ao digitar. Eu lhe enviei um e-mail perguntando:

- Você acaba de completar 62 anos?

- Sim, respondeu. Sou aposentado e idoso.

Idoso de cabeça! Tive desejos de retrucar. Mas não disse nada, cada pessoa tem o direito de ter a idade mental que deseja.

O contrário aconteceu com dom Elías, meu mestre de Jhorei. Interessante quando me falaram dele, eu pensei que era um mestre israelita dedicado à kabala, quando fui vê-lo fiquei surpresa, era um velhinho japonês. Depois ele me contou que nascera no Japão e tinha pouco mais de 20 anos quando veio para o Brasil. Como seu nome era muito complicado, não conseguiram traduzi-lo, e ao fazer os documentos um funcionário achou que era parecido com Elias, e assim ficou. Quando o conheci, tinha 84 anos. Aos 85 anos um dia me disse: Ontem levei meu neto ao parque, comecei a correr com ele, mas fiquei muito cansado, não consegui correr, acho que estou começando a ficar velho... Ele morreu meses depois, mas não chegou a ficar velho, morreu quando sentiu que “estava começando a ficar velho”.

Isabel Furini é escritora, poeta e palestrante.



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

AMOR OU VANTAGENS?

Sempre achei estranho o relacionamento amoroso entre maturidade e juventude. Talvez com o tempo se imponha com força, e seja comum ouvir conversas como estas: “Estou desapontada. Meu namorado é mais velho que o namorado de minha mãe” ou “ A namorada de meu avô é mais jovem que eu”.

Não sei a opinião do leitor, nem sou totalmente contra, às vezes, dá certo. Conheço pessoalmente, no mínimo, dois casais nessa situação e são muito felizes. Se formos observadores veremos que geralmente – nem sempre, mas geralmente -,o mais velho tem estabilidade econômica; grande atrativo para os mais novos, desejosos de viajar, frequentar lugares chiques, comprar um carro importado...

Mas, você já refletiu sobre o passar dos anos? Aos 15, a gente veste roupa tamanho P, depois vai passando para o M, imediatamente vem o G, então é preciso o GG. Depois do GG, vem a cirurgia de estômago. Os anos nos deixam lentos para a ginástica, mas rápidos para o garfo. Parece que a gente vai se aperfeiçoando na arte do gourmet. Comida preenche o estômago e preenche o medo da solidão, medo do fracasso, medo do dentista... enfim, comida é um preenchimento natural de estados emotivos variados.

Tudo isso é para dizer que, por estar fora de forma, às vezes, imagino os alunos falando “gordinha” nas minhas costas, mas apesar de não ser rica - não conheço educador rico -, mesmo assim, eu fui almejada por um desses conquistadores de mulheres da maturidade.

Em março de 2006 ou 2007, eu estava concluindo a primeira aula da Oficina de Redação, quando se aproximou um jovem bonitão. Aproximadamente 25 anos, cabelo preto, brilhante, propositadamente despenteado, barba sem fazer, o que lhe acrescia um encanto extra, além de contrastar com suas roupas, camiseta vermelha e jeans de griffe. Com um sorriso de ator premiado em Hollywood, apresentou-se dizendo que queria escrever um livro e necessitava de orientações.

A conversa colou, porque amo falar sobre o tema, quando o rapaz lançou o anzol para ver se havia peixe no rio, não peixe-boi, mas peixe-burro: “Professora, o que acha de nos encontrarmos qualquer dia para tomar um drink e falar mais sobre o assunto?”.

Sua intenção ficou mais exposta que joelho de escoteiro. Era isso! Pensei. Ele quer consultoria literária de graça. Que gracinha!... Seu safado!... Sorri e falei: Claro, podemos sair, levarei meus filhos, que têm sua idade, assim poderão falar de futebol e de garotas... O sorriso amarelo do rapaz demonstrou que havia entendido o recado. Por um instante, os ombros desceram e pareceu abatido. Mas se recompôs imediatamente e se despediu com um sorriso lindo, um sorriso de dar inveja aos atores de Hollywood. Talvez o recado dele fosse: “Veja a beleza que perdeu, sua coroa”.

Eu saí da sala de aula cantarolando. Ao passar pelo corredor, olhei-me no espelho e pensei, eu sou uma coroa feliz, não posso evitar envelhecer, mas tenho a capacidade de manter o bom senso. É isso é muito bom mesmo!..

Isabel Florinda Furini é escritora e palestrante.





A MENINA SAPECA (Crônica de Humor)

Eram os anos 60 – dos hippies, do rock, do sonho de uma comunidade universal e pacífica. As freiras da escola frequentada por minha amiga Carla - o nome é fictício - não toleravam indisciplina. Eram muito tradicionais e rejeitavam essas posturas “modernas” diante da vida, especialmente a irmã Lúcia.

É preciso entender que era um Colégio tradicional cheio de regras e padrões. A irmã Lúcia cuidava das crianças com a diligência e a rigidez de um sargento. Qualquer movimento, qualquer palavra dos alunos era considerado indisciplina.

A irmã Lúcia gritava: “ Quem falar sem pedir licença vai para o inferno. Quem não escovar os dentes depois do almoço vai para o inferno... Meninas sapecas irão para o inferno”. . E Carla era uma menina sapeca.

Um dia entrou na cozinha, pegou uma jarra e molhou as plantas da entrada que pareciam precisar de água.

– Você não pode decidir sozinha, tem que pedir autorização para pegar uma jarra. Eu já falei que desordem leva ao inferno, pense nisso, Carla.

– Sim, irmã Lúcia, respondeu a menina.

– Pode voltar para sua sala de aula.

Carla entrou na sala, sentou-se perto da janela e soltou sua imaginação... entre as nuvens desenhou o inferno. Um lugar lindo e colorido, cheio de crianças bagunceiras que corriam e brincavam. Depois, visualizou o céu. Um lugar frio e chato, cheio de freiras...

Isabel Furini é escritora e poeta - Contato: isabelfurini@hotmail.com


O HIPNÓLOGO (Crônica de Humor)

O Hipnólogo
Quando apareceu o hipnólogo – contratado especialmente para essa festa – todos sabiam que era diversão garantida. E o espetáculo começou: o hipnólogo fez um rapaz de camiseta laranja cantar como Pavarotti, um gordo de óculos cacarejar como uma galinha e uma moça bonita desfilar como Gisele.
Para fechar o espetáculo, aproximou-se de uma senhora muito charmosa, de blusa prateada, que estava com um copo vinho na mão, e disse-lhe:
Olhe bem o copo, lá verá imagem do homem que você ama...

Arte Digital de Carlos Zemek

A mulher, em transe, grita: Leonardo!... Leonardo, o amor de minha vida!...

E o marido arregala os olhos e grita: Querida, meu nome é Osvaldo!

Isabel Furini é escritora e poeta. 
Contato: isabelfurini@hotmail.com



Ex-libris (Resenha de livro)



Se você for bibliotecário ou se ama os livros e tem uma biblioteca na sua casa, se, como já falou Sócrates, prefere livros a comprar outros objetos bonitos, então precisa conhecer a obra Ex-Libris, da Ateliê Editorial, organizado pelo professor Dr. Plínio Martins Filho. A obra, cuidadosamente trabalhada, com fotografias de ex-libris, é uma delícia para bibliotecários, bibliófilos e curiosos.


Mas o que é ex-libris?

Vejamos primeiro a origem do nome: em latim, ex libris significa “dentre os livros de”, “da biblioteca de”.

De “Ex-Libris” (Ateliê, 2008, 196 páginas), extraímos um fragmento esclarecedor escrito por Dorothée de Bruchar:

“O ex-libris, sabe-se, é aquela etiqueta, colada geralmente nas primeiras folhas de um livro ou na contracapa, contendo o nome ou as iniciais do proprietário e podendo, através de uma imagem ou texto, indicar sua profissão, seus gostos, seu ideário, ou até (nem sempre) discreto lembrete a eventual surrupiador da obra.

O ex-libris do desenhista e caricaturista francês Gus Bofa (1883- 1968), por exemplo, indagava sarcástico: “Esse livro pertence a Gus Bofa. / O que está fazendo aqui?” Por meio do ex-libris é que os bibliófilos, ou os leitores que prezam os seus livros e se orgulham da sua biblioteca, costumam personalizar cada um dos seus volumes.”


A coleção publicada no livro foi cedida por José Luís Garaldi, quase toda formada por exemplares brasileiros. E nada de imitações! Amostragem expressiva de ex-libris genuínos, ou seja, daqueles criados por grandes artistas especializados no gênero, como o foram Agry, gravador dos ex-libris do Barão do Rio Branco. Uma verdadeira preciosidade.


Plínio Martins Filho, organizador, esclarece: “As reproduções mantêm, sempre que possível, as características dos originais, tais como tamanho, cor e variantes, tendo-se procurado identificar os titulares, incluindo-se, em acréscimo, dados bibliográficos e apontamentos sobre os artistas criadores, os gravadores e a técnica utilizada”.


O trabalho feito para ilustrar o leitor sobre as características dos ex-libris foi realmente um trabalho cuidadoso. O esmero é visível em cada página. Um belo livro, além de educativo. Merece um lugar de destaque em qualquer biblioteca.

Isabel Furini







MILAGRE DE NATAL (Conto de Humor)

João recebeu uma ligação da editora. A secretária disse que o senhor Eufrásio, o dono, queria vê-lo nessa mesma tarde.
João sentiu seu ego elevar-se sobre os prédios mais altos da cidade. Arrumou-se. Trocou duas ou três vezes de gravata para ver qual lhe dava um ar de homem respeitável. Agora ele era um escritor. Tinha que cuidar de sua imagem.
O editor o recebeu com um sorriso especial... um sorriso que não tinha fim.
Pode sentar-se, João – disse o senhor Eufrásio – quero enfatizar que raramente um autor estreante como você recebe uma carta de um autor consagrado como Mistópolos... e com tantos elogios! Eu posso dizer que foi um verdadeiro milagre!
Obrigado, obrigado – disse João, fingindo humildade.
Foi um milagre, rapaz, um milagre mesmo!
Foi?
 – Sim, João, foi um verdadeiro milagre, pois Mistópolos morreu em 2008.

Isabel Furini é escritora e poeta.


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