quinta-feira, 27 de abril de 2017

Noite de insônia (Poema de Isabel Furini)

NOITE DE INSÔNIA

o poeta caminha
sobre sobre a escuridão da noite
e sobre o abismo das letras

no encalço de um poema
ele transforma sua noite em insônia
traça itinerários
(imaginários)
e quando sua insônia encontra
a caneta da inspiração
despencam sobre o caderno
iluminados versos de ódio
e afiados versos de amor.

Isabel Furini

quinta-feira, 20 de abril de 2017

O círculo que o rio não levou

O CÍRCULO QUE O RIO NÃO LEVOU 

Observou o círculo. Uma cobra branca, nuvens e fantasmas faziam parte do espetáculo. A cobra era enorme e mordia a própria cauda. Devorava-se (como um homem mastigando seu passado). Pensou em Heráclito. As águas levariam o círculo branco dos sonhos? Cinzelava o rio de Heráclito quando foi deglutido pela cobra. Hoje, ele faz parte do círculo e de sua quadratura.

Isabel Furini
Esse conto foi escrito na oficina de narrativa orientada pelo poeta e escritor Ricardo Corona.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

No coração das lembranças - Poema de Isabel Furini


NO CORAÇÃO DAS LEMBRANÇAS

perceber o ritmo do poema 
que percorre os corredores da infância

o vô ouvindo música italiana
a vó cuidando das flores do jardim

e meu coração nutrindo-se
com as lembranças.

Isabel Furini


sábado, 15 de abril de 2017

A capivara, a tartaruga e o presente de Páscoa - Poema de Isabel Furini




Estava doente a capivara
E não podia comer chocolate.
Por isso, nessa Páscoa
Ela ganhou um abacate
Um bolo de morango
E uma torta de tomates.

A tartaruga percebeu
Que a capivara chorava,
E chamou o avô Tartaruga.
O vovô era sapateiro,
Ele no nariz tinha uma verruga,
Mas era um idoso bondoso.

O vô Tartaruga disse com voz calma:
- Vou presentear a capivara
Com este sapato de couro:
Este sapato anima,
pois é a minha obra prima.

A capivara recebeu os sapatos
E secou as lágrimas.
Ela ficou muito agradecida:
- Obrigada, vovô Tartaruga.

A capivara melhorou.
Um mês depois da Páscoa
decidiu usar os sapatos
e um chapéu da mesma cor,
na festa do macaco Nicanor.

- Esses sapatos são muito elegantes.
Falou uma linda elefante.
E a capivara, feliz, respondeu:
- Obrigada, com este lindos sapatos
estou sentindo-me radiante.


Isabel Furini




A Guerra - Poema de Isabel Furini

A GUERRA

Podemos migrar com as aves silenciosas
e negar a investida das armas
contra os inocentes

a humanidade tem um arsenal de mentiras
para justificar
qualquer carnificina

mas quem poderá mascarar
o medo?
esse terror cinzelado nas retinas?

Isabel Furini


Arte feita com cartuchos de bala
Feira de Arte de Seattle
Fotografia de Isabel Furini

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Desafios - Poema de Isabel Furini



DESAFIOS

Nada a reclamar
nada a declarar
no livro do destino
na trajetória da vida
(esta viagem sem descanso)
somos como navios

navegamos
suportamos tempestades
naufragamos
descansamos
e voltamos a desafiar
as águas do oceano.

Isabel Furini
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