sexta-feira, 31 de março de 2017

Amado Nervo: Espacio y tiempo e otros poemas

ESPACIO Y TIEMPO

Espacio y tiempo, barrotes
de la jaula
en que el ánima, princesa
encantada,
está hilando, hilando cerca
de las ventanas
de los ojos (las únicas
aberturas por donde
suele asomarse, lánguida).

Espacio y tiempo, barrotes
de la jaula;
ya os romperéis, y acaso
muy pronto, porque cada
mes, hora, instante, os mellan,
¡y el pájaro de oro
acecha una rendija para tender las alas!

La princesa, ladina,
finge hilar; pero aguarda
que se rompa una reja...
En tanto, a las lejanas
estrellas dice: «Amigas
tendedme vuestra escala
de la luz sobre el abismo.»

Y las estrellas pálidas
le responden: «¡Espera,
espera, hermana,
y prevén tus esfuerzos:
ya tendemos la escala!»

Amado Nervo



Y EL BUDA DE BASALTO SONREÍA


Aquella tarde, en la alameda, loca
de amor, la dulce idolatrada mía
me ofreció la eglantina de su boca.

Y el Buda de basalto sonreía...

Otro vino después, y sus hechizos
me robó; dile cita, y en la umbría
nos trocamos epístolas y rizos.

Y el Buda de basalto sonreía...

Hoy hace un año del amor perdido.
Al sitio vuelvo y, como estoy rendido
tras largo caminar, trepo a lo alto
del zócalo en que el símbolo reposa.
Derrotado y sangriento muere el día,
y en los brazos del Buda de basalto
me sorprende la luna misteriosa.

Amado Nervo

quinta-feira, 30 de março de 2017

Isabel Furini: A Visão do Jardim



A VISÃO DO JARDIM

Esse jardim representa
o espaço
o mundo
a vida

as alegrias da infância
os amores da juventude
a paciência da velhice
a magnitude da alma

porque o jardim
com seus espinhos e suas flores
é um reflexo da vida.

Isabel Furini

Xamã sentado em sua cadeira barcelona

O xamã sitia espaços sibilinos
e descobre oníricas couraças.

Na textura das palavras
desvenda temores infantis.
No leque das frases,
libélulas de esperança.

Desafia lembranças
perdidas em olhares despedaçados,
vasculha terrores noturnos,
farpas de ódio
e amores perdidos.

O psicanalista indaga e silencia.
Invade os pesadelos
e encontra princesas esquecidas.

Por fim, descobre os subterfúgios
e assinala trilhas desconhecidas
nas curvas da espessa linha do tempo
(subjetiva).

Sementes de lembranças crescem
entre as cinzas do esquecimento,
o xama
(sentado em sua cadeira Barcelona)
espera calmamente pelo milagre do renascimento.

Isabel Furini

A Casa Paterna - Poema de Isabel Furini

Trituradas as garras do silêncio
sobre o velho álbum fotográfico.
O pai (morto há anos) sobrevive
nos retratos desbotados.

Revelam-se fisionomia e emoções.

Quantos olhares,
quantos rostos deixei submersos
nos interstícios da memória,
quantos exílios na areia do passado
e exílios futuros projetados
no palco dos sonhos.

Genealogias, uivos e fumaça
despencam do álbum fotográfico
aberto sobre a mesa.
Observam-nos os mortos,
pousam nas fotografias como estacas de mutismo.

Amam-nos.
Esperam-nos (sedentos de carinho)
com os braços paralelos
                                       abertos
entre galáxias de culpa e de mistério.
                                              Imensamente abertos.


Fotografia de Isabel Furini


Um Pincel - Poema de Isabel Furini

UM PINCEL

Poema dedicado à artista plástica Katia Velo

A força telúrica
impulsiona o pincel.

Um carrossel de cores
invade a flora Amazônica.

Katia Velo é artista
e é ilusionista.

Seu pincel espalha cores brilhantes
e formas estilizadas.

A beleza das cores
impressiona a alma dos visitantes.


quarta-feira, 29 de março de 2017

Além de Ponte - Poema de Isabel Furini

Quadro de Neiva Passuello


ALÉM DA PONTE

está suspensa a ponte do passado-presente
sob essa precária ponte de madeira
corre o rio das emoções

pescadores inexperientes (vitimas da cegueira)
mergulhamos
nas águas escuras das emoções
tentamos estabelecer a ordem no fluir caótico do passado

será possível resgatar antigos amores?
amores estraçalhados pela foice do tempo
mortos entre as ondas do ontem

é um momento triste
é o triste momento da desilusão.

Isabel Furini

Site de Relacionamento - Poema de Isabel Furini



SITE DE RELACIONAMENTO

insônia solitária
só resta navegar pelo mundo virtual entre sombras
e sonhos.

giram imagens de namoros ilusórios
na tela.

inábil navegante luta contra ondas de mutismo,
sitia os mares de silêncio da alma feminina com frases metálicas
e rochas vulcânicas.

ingênuo
brinca no arguto trapézio dos vocábulos

clandestino
naufraga em alfabetos amorosos

humilhado
procura símbolos arcaicos nos retratos

vencido
volta com o escudo roto e o coração abatido.

vítima da frustração digita decepções no teclado.

(Esse poema faz parte do livro ",,, E Outros Silêncios", publicado pela editora Virtual Books, em 2012).

Isabel Furini


Quadro de Dina de Souza


ESSÊNCIA Poema de Isabel Furini

ESSÊNCIA

uma chuva de sombras bate minha porta
algumas fantasias entram pela fechadura
trazendo farrapos da infância
e  túneis de ideias

a cancão dessa chuva fala que o amor
(o Eros dos antigos gregos)
é fogo ardente
é vento instável que arrasta escuro auspício
o amor é profundo oceano
frágil semente
o amor é poderoso e mortal como um faraó egípcio

o amor é fugaz
e belo

o amor
é impermanente como todas as criaturas deste mundo.

Isabel Furini

Quadro de Ivani Silva

Impulso - Poema de Isabel Furini

Quadro de Davi Faustino

IMPULSO

assoma a noite estrelada no caldeirão das lembranças
e a chama da paixão avança - avança pela campina
rumo ao norte magnético
(leve como uma dançarina)
até ancorar constrangida
no horizonte de eventos

mas o amor (sempre renovado e aventureiro)
procura outro ser
e  como exímio arqueiro
lança sua flecha ao vento - flecha com o  forte veneno
da cobra dos sentimentos
porque o amor é toxina arrastada pelo vento.


Isabel Furin

domingo, 26 de março de 2017

Uma Rosa (Poema de Isabel Furini)



UMA ROSA

Cai a chuva sobre a rosa
a rosa não se incomoda
nem com palavras maldosas
porque essa rosa não tem
as fraquezas do narciso
essa rosa tem uma alma
poderosa
poderosa
poderosa
poderosa
poderosa!

Isabel Furini

Extravasar - Poema de Isabel Furini



EXTRAVASAR

Quando as flores
alegram as retinas
a alma estende
suas asas
destrói
as mordaças
e extravasa
seus sonhos
e paixões.

Isabel Furini

sexta-feira, 24 de março de 2017

O QUE É POESIA? (por Isabel Furini)



O QUE É POESIA?

Não é megalomania
mas é fantasia
não espia
mas sitia a alma humana

Poesia é euforia
inebria, comove
é como o vinho
pode ser mania

a Poesia semeia utopias
e faz crescer as asas.

Isabel Furini

quarta-feira, 22 de março de 2017

DESÍGNIOS (Poesia de Isabel Furini)

DESÍGNIOS

A Poesia não falha
batalha
e embaralha as palavras

supera as muralhas
e queima as mentiras na fornalha da verdade
retalha a superficialidade
e corta com navalhas
os preconceitos da sociedade

a poesia embaralha os condicionamentos
e vislumbra universos paralelos.

Isabel Furini




terça-feira, 21 de março de 2017

A HORA (Poema de Isabel Furini)




A HORA

quando a flor desabrocha
anuncia a primavera
no outono a flor espera
e com profunda harmonia
abençoa o universo
pois tristezas e alegrias
fazem parte desta vida

somos escravos do tempo
existe a hora de nascer
e a hora da despedida.

Isabel Furini


sábado, 18 de março de 2017

A Escada (Poesia de Isabel Furini)






A ESCADA
A vida é uma escada
todos podemos triunfar
e nesse longo caminho
precisamos aprender
a defender nosso lugar
sem derrubar o vizinho. 

Isabel Furini





sexta-feira, 17 de março de 2017

O PORTAL (Poema de Isabel Furini)



PORTAL

Açoita o vento na noite de solidão
as sombras estão apinhadas
nas grades do portão
os fantasmas sorrateiros
sabem que não podem sair
e em vão tentam abduzir
algum humano ingênuo
para fugir e remembrar
desse mundo que deixaram
quando rumo ao mundo astral

atravessaram o portal.

Isabel Furini

ELOQUÊNCIA - Poema de Isabel Furini




ELOQUÊNCIA

o amor diminui
entre palavras
mas cresce
com o discurso silencioso
de uma flor vermelha.

Isabel Furini 

terça-feira, 14 de março de 2017

SONHOS - Poema de Isabel Furini


SONHOS

Sonhos são caminhos
de ausência
selvagens Minotauros
(o eu despedaçado
em labirintos de espelhos)

sonhos são
universos paralelos

flores
que o tempo rasga
es espalha.

Isabel Furini

segunda-feira, 13 de março de 2017

O Gato Renato - Poema infantil de Isabel Furini


O GATO RENATO

Esse é o gato Renato,
ele não gosta de rato,
mas é um gato pacato,
e nunca morde o rato.


Renato é amigo de um pato.
O pato joga baralho
enquanto come contente
pão com azeite e alho.


Renato se fez amigo
de um enorme papagaio.
O papagaio odeia a chuva
e tem medo de raio.

Renato acha no jardim
um pequeno curió.
O pássaro assustado grita:
Não se aproxime gato!

Renato ri e fala:
- Eu não sou um gato agressivo.
Eu um gato mansinho
que gosta de fazer amigos.

Viva o gato Renato!!!

Isabel Furini

domingo, 12 de março de 2017

Será um avião? Será um condor?

A lei da gravidade,
com muita tranquilidade
ele sempre desafia.

Ele voa longe do chão.
Será um condor?
Será um avião?

Pense, querido amiguinho:
ele trabalha no circo,
ele é um grande artista.
Será ele um palhaço?
Será um malabarista?

Lá, no alto do circo
ele brinca, ele gira,
ele faz muitas piruetas,
ele faz acrobacia
e com um salto triplo
ele se joga na rede,
se joga com maestria.

Segundo falou minha mãe
esse tipo de artista
é tão ágil quanto um leopardo,
tão rápido quanto uma flecha,
tão certeiro quanto um dardo,
ele tem muita ousadia
e não sofre de acrofobia*.

Quem será???
Será um malabarista? Um palhaço?
Um desenhista? Um futebolista?
Um para-quedista? Um violinista?
Ou será um trapezista?


* acrofobia: medo de lugares altos

Poema de Isabel Furini - Contato: e-mail: isabelfurini@hotmail.com

sábado, 11 de março de 2017

Pétalas

PÉTALAS

Pétalas de flores
são sorrisos da alma
e acalmam
as profundas feridas
da batalha da vida.

Isabel Furini


Expressividade - Poema de Isabel Furini


EXPRESSIVIDADE

Flores nas mãos
na alma
no músculo cardíaco

flores na superfície
do espelho da vida
flores sob o Sol
do meio-dia
e nas horas
de escuridão

flores para dizer:
"eu te amo"
e flores para pedir perdão.

Isabel Furini

sexta-feira, 10 de março de 2017

segunda-feira, 6 de março de 2017

Criatividade (Poema de Isabel Furini)

CRIATIVIDADE

As palavras avançam e recuam.
Conotativas e denotativas chegam à mente do aluno,
só algumas ocupam a folha em branco,
mas são atacadas pela caneta vermelha do professor.

A noite, sozinho, o rapaz apoia a cabeça no travesseiro
e percebe (nos interstícios de seus pensamentos)
o silêncio geometrizando um texto.
Um texto.
Um texto perfeito!

ISABEL FURINI

Leitura e Saudade (Poema de Isabel Furini)

Leituras da época de infância,
histórias escritas nos anais das lembranças.

Emoções perambulam pelas páginas
(Pinóquio mente novamente e seu nariz cresce,
a fada madrinha ajuda a linda Cinderela
e o beijo de amor acorda a Bela Adormecida).

Ao abrir o livro do passado
a saudade bate à porta,
e nosso eu criança se alimenta
com a leitura emocionada
de cada página e de cada trama.

Isabel Furini

sábado, 4 de março de 2017

Espelhar (Poesia de Isabel Furini)


ESPELHAR

Vestimos preconceitos sexuais e medos
- nunca olhamos nossos desejos verdadeiros
no espelho do eu
deciframos tendências instintivas
lambuzamos a boca com prazeres proibidos
(uva e mel dionisíacos)

Isabel Furini

Versos (Poesia de Isabel Furini)



VERSOS

Pólen de imagens e palavras
serpenteiam na alma

cada verso carrega
flores coloridas de emoções
e surgem os poemas
ousados e matreiros.

Isabel Furini

Essas águas (poema filosófico)



ESSAS ÁGUAS

a vida é impermanência não pede licença
para mudar o rumo

sentimos a ausência dos seres amados
amigos perdidos nas rápidas águas
ou nas curvas do rio.

para Heráclito essas águas
são luz e são fráguas para temperar a alma
- somos e não somos.

Isabel Furini

Turistas (poesia de Isabel Furini)

TURISTAS

somos turistas nesta Terra
turistas do tempo

em nossas cabeças se unem
os opostos - somos universos
de infinitas possibilidades 

somos Quetzalcoatl
(ave e serpente)
somos peregrinos da subjetividade.

Isabel Furini






NA ESCURIDÃO


As sombras sobre as areias
revelam as flores do deserto
(a teia do destino
liberta ou bloqueia)
na escuridão
a rainha-da-noite
abre sua branca flor.

IsabelFurini



Epidemia Poética (Poesia de Isabel Furini)


Palavras - Poesia de Isabel Furini

PALAVRAS
O beija-for
(galanteador)
fala:
- o perfume
é a música das flores
e suas cores
são poesia
e fazem ressurgir
(sobre o barro do mundo)
sentimentos de alegria.

Isabel Furini

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