sábado, 26 de dezembro de 2009

NATAL COM ANJOS (poema)



 

Formas imaginárias dançam com o vento. 
No silêncio do quarto faço uma oração 
para dissolver as mágoas 
- depois durmo. 
Meus sonhos invadem obscuros arquétipos, 
inventam metáforas, 
sinais simbólicos, 
signos alegóricos, 
e desperto com anjos nos olhos.

Isabel Furini é escritora e poeta - e-mail: isabelfurini@hotmail.com

domingo, 6 de dezembro de 2009

O LIVRO DO ESCRITOR Resenha de Terê Osmari B.


Sou autora de contos e histórias infantis. E adquiri e li O LIVRO DO ESCRITOR, de Isabel Florinda Furini. Aliás, um recurso ideal que encontrei para a realização de uma avaliação subjetiva das minhas produções literárias: foi e continua sendo, o meu grande aliado no momento das revisões e análises críticas das minhas escritas.

Por ter uma linguagem agradável e bem organizada, sempre que a ele recorro para buscar e ou compartilhar conhecimentos sobre o universo literário, tenho a sensação de estar falando diretamente com a autora. De fato, ela consegue acolher o leitor, por meio de uma escrita de fácil compreensão, objetiva e muito eficaz.

Aquela mania que às vezes temos de escrever parágrafos extensos, com frases alongadas, em alguns casos, complicando a compreensão do leitor – e, agora, não estou falando somente do autor profissional, mas também do autor professor e do autor aluno - esse é o livro ideal para aprimorarmos a nossa forma de organizá-los.

E, em consideração as tipologias distintas de textos literários, a autora nos possibilita compreender formas adequadas e ou características específicas que interagem os diversos gêneros e seus subgêneros, evitando a escrita de textos confusos, sem a presença de marcas específicas que garantem a boa qualidade e adequação textual.

Não temos dúvida que, as melhores propostas pedagógicas atuais são aquelas que valorizam a leitura e a escrita dos alunos, desde o processo inicial da escolarização. Já na educação infantil (professor leitor e escriba para os alunos). Nesse caso, aos profissionais da educação que desejarem adequar-se a esse sistema que valoriza a cultura escrita dos sujeitos, encontrarão, nesse livro, subsídios adequados a sua própria formação de escritor. Com isso, aprimorando a formação escritora de seus alunos.

Utilizei-me desse precioso material, não apenas para as leituras e as análises sobre as minhas produções literárias, mas também como fonte bibliográfica do livro Prolongando o prazer literário: o livro do professor, de minha autoria (ainda não publicado).

Então, para você que quer aprimorar a sua forma de escrever, recomendo a aquisição desse livro. Parabéns Isabel, por mais essa tão eficiente produção!

Tere Osmari Bagatini, é escritora e educadora. Terês Osmari B., já no ano de 2003, na função de coordenadora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação (SMOeste), foi autora do projeto Alfabetização com texto, um curso de formação continuada. Trabalho esse que, em 2004, resultou no Prêmio Além das Letras(promovido pelo Instituto Avisa Lá/SP), destaque na região sul do país.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Esses bichos (2)

Fotografia de Isabel Furini - Zoológico de Buenos Aires 
Alguns bichos gostam de cantar.
Lalalala... lalalala... lalalala...
Esses bichos são tenores
e eles jamais desafinam
porque são  grandes cantores.

Isabel Fuirni

Esses bichos


Bichos desconhecem espelhos. O elefante ao ver seu reflexo no espelho gritou:
Eu sou obeso!!!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Revista Raízes Regionais


A revista Raízes Regionais, publicação do Instituto Memória, editada por Anthony Leahy, conselheiro da Academia Brasileira de Arte, Cultura e História e Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, defende a democracia cultural, pois somente a cultura permite superar preconceitos e barreiras ideológicas.


No segundo número a revista publica três entrevistas, na primeira a Dra. Alice Fátima Martins fala de livros (traduções, autores nacionais, representações regionais no mercado editorial nacional(pág.6). Na segunda, Vanice Ferreira, estudante de letras da FAMA, entrevista esta blogueira do Bonde com o intuito de conhecer o caminho realizado para redigir "O Livro do Escritor" (pág.27).


E na terceira entrevista, Marcos Pedri, diretor das Livrarias Curitiba, responde perguntas sobre assuntos importantíssimos para leitores e escritores, entre eles: a influência da mídia sobre o leitor. A importância da cultura regional. A responsabilidade das editoras(pág. 30).


O leitor também encontrará artigos excelentes, entre eles, Ex Libris do Abade Diogo Barboza Machado, assinado por Carlos Brantes. Curiosidade histórica, a cargo do historiador João Rufino dos Santos. Origem do nome Brasil, onde é analisado o mito irlandês, além de o Pau-brasil. A Prisão de Monteiro Lobato, de Anthony Leahy.


E mais, o filósofo Noel Nascimento fala dos “erros maiores da história”. E Bernadete Zagonel, doutoranda em Música (Sorbonne), pergunta: Música erudita na escola é possível? O leitor também encontrará resenhas, destaques e outros.


A Revista Raízes é de distribuição gratuita. Pode ser solicitada por Faculdades, Colégios, Academias, Institutos Históricos e outros.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Duas alunas e escritoras


Maria Inês Frederico Medaglia (Autora de "Saia Justa no casamento" e Ione Adad, escritora de livros infantis - as duas escritoras foram alunas da professora Isabel e esteveram presentes no lançamento.

O Livro do Escritor - Lançamento


O Livro do Escritor, de minha autoria, foi lançado em 1° de setembro no Palacete dos Leões.


Com muita alegria recebi amigos e alunos que prestigiaram o evento.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Novos autores na Bienal do Livro


A 1º Bienal do Livro de Curitiba aconteceu entre 27 de agosto e 04 de setembro. A programação foi muito ampla e, além de oferecer oficinas, debates, contação de histórias, e outras atividades interessantes, abriu espaço para novos escritores.

Olhando a lista de autores que lançaram seus livros nesse evento encontrei quatro nomes conhecidos – eles foram meus alunos (e digo isso com muita alegria). Participaram da Oficina “Como Escrever um Livro” que orientei durante uma década no Solar do Rosário e no Centro Filosófico Delfos.

São eles: Roman Schossig, autor do romance: “Em nome de Fanom”. Consolação Buzelin, poeta, autora de: “Nó de laço”. Sandoval Tibúrcio, autor de: “Magnitude” e a escritora de literatura infanto-juvenil Anecy Oncken, que escreveu o para-didático “Alfabeto dorminhoco”.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O LIVRO DO ESCRITOR


O jornalista Eduardo Mattos escreveu uma apresentação para: O LIVRO DO ESCRITOR, de minha autoria, visa auxiliar novos autores no difícil caminho da comunicação literária.


Mattos inicia com uma pergunta: "O que é escrever bem? E como fazer um bom texto? Essas são duas das perguntas mais comuns entre estudantes de jornalismo, letras e publicidade e propaganda, profissões que adotam o bem escrever como ofício – se é possível dizer, hoje, que existe alguma atividade que não exija o texto claro, preciso, inteligível como ofício dentro do ofício.


Atribui-se ao chileno Pablo Neruda, um dos maiores poetas latino-americanos de todos os tempos, uma polêmica definição sobre o tema. "Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio, coloca as ideias". (...) De forma didática e coloquial, a autora mostra que escrever bem é possível mesmo àqueles que não receberam a graça divina de carregar na alma a genialidade de saber enfileirar as palavras de maneira perfeita, na ordem certa.


É uma obra indicada não só para quem tem a tarefa de escrever como principal ofício, mas para todos que querem se fazer entender. Neste contexto, a obra de Isabel excede o próprio nome. É o livro do escritor, do jornalista, do publicitário, do advogado, do engenheiro, do estudante..."


O Livro do Escritor foi publicado pela Editora Instituto Memória, de Curitiba.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Beber água

Fotografia de Isabel Furini - Passeio Público de Curitiba - 2009

Beber água é um problema...

Vejam como é difícil
Com esse bico gigante
Beber água em um instante.

É realmente um problema,
é preciso estratagema
para não morrer de sede.

Eu me apoio nessa rocha
e eu não uso galochas,
mas esse não é um problema.

O problema é meu bico,
é meu bico avantajado
que me deixa irritado.

Poema de Isabel Furini

ESSE GATO É O DONO DA RUA


EU SOU O "MACHÃO" DO BAIRRO.

Você já imaginou?...


Você já imaginou
esse bicho com torcicolo?

Muitas vezes sofre bullying
e sente muito desconsolo.

E, às vezes, chora sozinho
dizendo: - Eu me isolo
porque tenho um pescoção.

E para não sentir solidão
aprendeu a tocar violão.

Isabel Furini

quarta-feira, 3 de junho de 2009

BICHO NA CABEÇA


“BICHO NA CABEÇA” é uma peça de teatro de Zeny Belmonte, escrita em três meses – que não tem nada a ver com jogo do bicho. A autora afirma que: “ A peça foi inspirada numa cena de rua que me fez refletir sobre a função da cabeça humana, a maior riqueza que recebemos ao nascer. E que por diferentes motivos, nem todos sabem para que serve. É uma crítica sutil e bem humorada à sociedade atual, que exercita muito pouco a capacidade de pensar e questionar, preferindo seguir as tendências do momento.” A peça flerta com o teatro do absurdo. Ressalta usos e costumes sem esquecer-se do humor. Sua função é provocar. O interessante é que não cai na armadilha de dar conselhos, ao contrário, deixa a cargo do espectador as reflexões sobre o uso que cada um faz da sua cabeça. Esse é o primeiro trabalho de Zeny Belmonte e surpreende pelos caminhos originais que percorre para criticar usos e costumes. Um trabalho rico em questionamentos, pois a autora acredita na inteligência das pessoas que assistem a uma peça teatral. Além de se emocionar e de dar boas risadas os espectadores precisam de mensagens que ajudem a questionar e melhorar o quotidiano. A Oficina de dramaturgia Trilhas, Palavras e Máscaras, ministrado por Paulo Afonso Castro, com apoio do fundo Municipal da Cultura –PAIC incentiva os alunos a expor seus trabalhos no final do curso. A leitura da peça Bicho na Cabeça aconteceu no dia 14 de maio, às 20 horas, no Palacete Wolf. Participaram da leitura: Luiz Reikdal, Tarciso Alencar Meira, Fernanda Rocha, Ângela Ribeiro, Virgínia Kleemann e o professor Paulo Afonso. A reação positiva do público foi tão evidente que o professor Afonso parabenizou sua aluna, Zeny Belmonte, e falou de seu desejo de assistir essa peça representada por grupos de teatro.

terça-feira, 12 de maio de 2009

GESTAÇÃO


Gesta-se o poema
no vulcão da solidão - ventre do nada.
Nasce em tempestades de emoções,

com roupagem de palavras

domingo, 19 de abril de 2009

LEMBRANÇAS


Navios vazios descem o rio do tempo,
mergulham no passado.

A musica dos botecos,
o cigarro acesso,
bate-papo com amigos,
paquerar moças bonitas,
conquistas...

O velho senta ao piano
faz estremecer as teclas
e assobiando um tango.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

TEATRO E LITERATURA - PALESTRA DE MAURÍCIO VOGUE


“Dicas” do diretor Maurício Vogue para escrever peças de teatro. Qual a melhor maneira de levar literatura para os palcos? Professores, estudantes, literatos, artistas, futuros escritores e outros podem ter dúvidas sobre esse trabalho. O bate-papo informal com o ator, diretor e dramaturgo Maurício Vogue levantou questões importantíssimas sobre teatro, e de muita utilidade para pessoas interessadas em escrever. Filho, neto e bisneto de artistas – pode-se dizer que Maurício traz o teatro no sangue. Em 30 de março, no Shopping Estação, Maurício falou para um público pequeno, mas cativo, sobre sua forma de trabalho e destacou que ele valoriza a liberdade e a criatividade. Uma professora, preocupada com a tarefa de montar peças de teatro na escola, perguntou sobre os caminhos que o diretor segue para montar um espetáculo. Maurício esclareceu que o trabalho é conjunto: primeiro é escolhida a obra, então o grupo lê e relê o texto. Mergulha nas páginas com a finalidade de entender o autor, sua filosofia, sua mensagem e a relação do texto com os acontecimentos da atualidade. Para Maurício, a obra deve ter valor para a vida. Para ele, o teatro não pode ser considerado um simples entretenimento. Sua função é muito mais abrangente: o teatro deve questionar, provocar, informar – além de entreter e divertir.

O terceiro passo é a discussão. O grupo se reúne para discutir pontos de vista diferentes, sempre em um ambiente de respeito e camaradagem. Então chega o quarto passo: o improviso. São escolhidos os papéis e cada integrante do grupo improvisa as falas. As melhores são aproveitadas.

Maurício esclarece que o trabalho de improviso é presenciado por um dramaturgo que terá a responsabilidade de escolher, mudar, acrescentar, eliminar... para que a obra adquira unidade e força e tenha sentido para os atores e para o público.

Ele esclareceu que qualquer obra literária pode ser levada aos palcos. Mas que algumas exigem muito trabalho e empenho. Também falou da preocupação de ser autêntico. A alma do artista deve estar comprometida com a arte.

Como consideramos a palestra importante, escrevemos este resumo das orientações do diretor Maurício Vogue. Não gravamos, nem tomamos nota, confiamos na memória – e esperamos não termos esquecido nada.

Maurício realizou trabalhos marcantes no teatro adulto e no teatro infantil, com as direções de "As Fabulosas Histórias do Menino Leonardo da Vinci", "O Grande Rei Leão" e “Shakespeare para Crianças”. Como diretor de teatro infantil, recebeu cinco prêmios. Atualmente está apresentando a peça cômica: Ópera Atômica, em cartaz de quinta a domingo -dias 2, 3, 4, 5 de abril, às 21:00 horas - no teatro Regina Vogue.

terça-feira, 24 de março de 2009

OLHOS DE GATOS


Os olhos felinos
abrem os caminhos
para novas realidades.

Luas sempre alertas
penetram nas almas
e extraem a essência.

Bondade? Maldade?
Os olhos felinos
descobrem o rio escondido
por trás das aparências.

quinta-feira, 5 de março de 2009

O LIVRO DO ESCRITOR

Estamos na época da democratização da escrita. Esse fato tem provocado um fenômeno mundial: muitas pessoas estão escrevendo e querem aprimorar o estilo. Por isso, cresce o número de oficinas para futuros escritores. Pois à medida que progridem no trabalho de escrever, os autores descobrem que dominar a técnica de escrita não é fácil. Durante uma década, quem escreve esta matéria, orientou ma Oficina Como Escrever um Livro, no Solar do Rosário, em Curitiba. Alguns alunos conseguiram terminar seus livros e publicá-los. Fruto desse trabalho é a obra: O LIVRO DO ESCRITOR, e-book, edição da Mesa do Editor. No livro são abordados assuntos fundamentais para os iniciantes, entre eles: a estrutura do conto, a construção personagens marcantes, como escrever livros para o público infantil, característica do romance, técnicas dos grandes mestres da literatura. No final de cada capítulo o leitor encontrará exercícios práticos para aprimorar o próprio estilo. “Narrar a história com maestria. Imprimir o tom certo gera preocupação. Inquietude. Muitas vezes, apesar de todos os esforços, permanece a sensação de que a obra não ficou perfeita. Precisa de alguns ajustes. E isso não acontece só com iniciantes. Autores consagrados – consagradíssimos - também aprimoram suas obras. Mudam palavras. Idéias. Imagens.” Esse trabalho árduo que o escritor realiza faz a diferença. Os autores consagrados elaboraram técnicas diferentes para aprimorar a escrita e, muitas delas, podem ajudar o iniciante a descobrir e desenvolve o próprio estilo. Esse é o objetivo do livro.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

NAMORAR UM GATÃO?

empre achei estranho relacionamento amoroso entre maturidade e juventude. Talvez com o tempo se imponha com força, e seja comum ouvir conversas como estas: “Estou despontada, pois meu namorado é mais velho que o namorado de minha mãe” ou “ a namorada de meu avô é mais jovem que eu”. Não sei a opinião do leitor, nem sou totalmente contra... às vezes dá certo. Conheço pessoalmente no mínimo dois casais nessa situação e são muito felizes. Se formos observadores veremos que geralmente – nem sempre, mas geralmente - o mais velho tem estabilidade econômica. Você já refletiu sobre o passo dos anos?.. Aos 15 a gente veste roupa tamanho P, depois vai passando para o M, imediatamente vêm o G, então é preciso o GG... depois do GG vem a cirurgia de estômago. Os anos nos deixam lentos para a ginástica, mas rápidos para o garfo. Parece que a gente vai se aperfeiçoando na arte do gourmet. Comida preenche o estômago e preenche o medo da solidão, medo do fracasso, medo do dentista... enfim comida é um preenchimento natural de estados emotivos variados. Tudo isso é para dizer que apesar de estar fora de forma e a pesar de não ser rica, não conheço educador rico, mesmo assim eu fui almejada por um desses conquistadores de mulheres da maturidade. Em março do ano passado, eu estava concluindo a primeira aula da Oficina de Redação que ministro no em Curitiba, quando se aproximou um jovem bonitão. Aproximadamente 25 anos, cabelo preto, brilhante, propositadamente despenteado, barba sem fazer, o que lhe acrescia um encanto extra, além de contrastar com suas roupas, com camiseta vermelha e jean de griffe. Com um sorriso de ator premiado em Hollywood, apresentou-se dizendo que queria escrever um livro e necessitava de orientações. A conversa colou, porque amo falar sobre o tema, quando o rapaz lançou o anzol para ver se havia peixe no rio, não peixe-boi, mas peixe-burro: “professora, o que acha de nos encontrarmos outro dia para tomar um drink e falar mais sobre o assunto”. Sua intenção ficou mais exposta que joelho de escoteiro. Era isso! Pensei. Ele quer consultoria literária de graça. Que gracinha!.. Seu safado!... Sorri e falei: Claro, podemos sair, levarei meus filhos que tem sua idade, assim poderão falar de futebol e de garotas... O sorriso amarelo do rapaz demonstrou que havia entendido o recado. Por um instante os ombros desceram e pareceu abatido. Mas se recompus imediatamente e se despediu com um sorriso lindo, um sorriso de dar inveja aos atores de Hollywood. Talvez o recado dele fosse: “Veja a beleza que perdeu, sua coroa”. Eu saí da sala de aula cantarolando. Ao passar pelo corredor olhei-me no espelho e pensei: eu sou uma coroa feliz. Não posso evitar envelhecer, mas eu tenho a capacidade de manter o bom senso. É isso é muito bom mesmo!..

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A MEDUSA (poema de Isabel Furini)

As tranças da Medusa embranqueceram.
Escultura de Bernini
Escrevia nas estrelas
(eu só sonhava e não via o entorno).

Mas o tempo diminuiu meus vôos.
Rasgaram-se minhas asas de águia.
Hoje caminho pela terra árida
caminho sobre a areia e nas florestas
e escrevo sobre húmus letras envenenadas.

Antes, silenciava as dores do mundo,
meu coração era um morcego bem comportado.
Hoje grito (esperneio como criança malcriada),
as lutas são as mesmas,
MAS EU SOU OUTRA!

Envelheci no espelho, mas rejuvenesci
na ansiedade de viver sem pausas.

Tranças de Medusa nos cabelos.
Um Sol de inverno espia pelas janelas da adolescência,
inventa histórias, pantomimas.
Envelhece a pele com os anos,
a tristeza desenha indecifráveis símbolos na pele
(mapas da vida).
Dos versos surgem prezas de veneno,
pinças de escorpião
e sangram na terra ressecada pelo consumismo,
terra revoltada de crianças sem moradia e sem almoço.

Este poema profano cuspe maledicência,
grita com as baleias, afoga-se no pântano da memória
e ressurge inesperado.
Invade a sala, o espelho, e desenha na janela
a imagem de uma Medusa, adormecida.

Isabel Furini


***

domingo, 18 de janeiro de 2009

OS SEIOS DE DONA RUPERTA

Não sei sua opinião, mas eu acho engraçado escutar as pessoas comentando assuntos que não deveriam ser falados em público. Por exemplo, homens odeiam mulheres que falam demais – especialmente se as mulheres são velhas, logicamente. Com a idade vamos perdendo um pouco de bom senso e adquirimos uma certa compulsão de honestidade. E, as vezes, a coisa fica feia... Vejamos o caso de dona Ruperta. Dona Ruperta, a moradora do 7.º andar, muito faladeira, decidiu arriscar uma cirurgia estética. Queria diminuir os seios. Poupou durante alguns meses, enquanto informava a todos os vizinhos sobre sua decisão. Falava da cirurgia dos seios no elevador, nos aniversários, nas reuniões de condomínio. Não tinha ninguém no prédio que não soubesse que dona Ruperta iria diminuir os seios. Por fim chegou a data esperada e dona Ruperta foi, feliz, a “recuperar a esbeltez” segundo suas próprias palavras. Dias depois estava sorridente sentada na recepção do prédio contando ao porteiro e a qualquer vizinho que tivesse paciência para escutá-la, como foi a cirurgia e mostrando como tinha ficado “outra, mais moça, mais elegante”. Eu voltava de ministrar aulas, um pouco cansada. Sentei-me a lado da dona Ruperta escutando, mais por educação que por interesse, sua conversa mole ... De repente, Carlinhos, o netinho de dona Marieta, desceu as escadas, com um aviãozinho na mão. Movimentou o aviãozinho, fingiu que estava voando, pulou os últimos três degraus, rolou no chão. Depois levantou-se e sentou a meu lado, na recepção. Olhou para Dona Ruperta que de pé diante do espelho permanecia admirando seu novo visual e auto-elogiando-se: “Minha figura mudou, estou muito mais jovem, mais magra....” -Não importa quanto gastei... comentou encarando-me, meus seios ficaram tão bonitos que valeu a pena. Carlinhos aproximou-se dela, olhando-a fixamente. - É verdade, dona Ruperta, agora ficou sem peito - afirmou o Carlinhos - mas que bunda, hein?

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

LER

– Por que devemos ler avô?
perguntou o menino,
e o avó respondeu com sapiência:
– Ler, meu querido netinho,
ajuda a compreender o mundo
e estimula a inteligência.
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