quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Aprendendo a cozinhar (Poema Infantil)


APRENDENDO A COZINHAR


A pequena cozinheira
fica ao lado da panela
e ela olha com cautela
porque se o brigadeiro queimar...
O que ela comerá?
Um sanduíche de mortadela?

Isabel Furini



segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Canários - miniconto de Isabel Furini



Arte digital de Isabel Furini

Meu pai tinha canários em pequenas gaiolas... eu nunca entendi porquê tínhamos bichos em gaiolas. E uma dia perguntei: -  Por que não soltamos os canários?
Ele disse: - Porque me gusta escutar o canto deles.
Eu tinha 10 anos, mas esse dia percebi como meu pai era egoísta.

Isabel Furini

domingo, 23 de dezembro de 2018

Natal no Coração - Poema de Isabel Furini


Natal no coração

Que o Natal seja de paz
e que ao sair das igrejas
onde adoram a Deus
(que é amor)
as pessoas não desprezem
os mendigos
e que aos inimigos
ofereçam o perdão

porque Perfeito, meus amigos,
Perfeito só tem um Ser
neste Universo:
Perfeito é Deus.

Isabel Furini


sábado, 22 de dezembro de 2018

Renascer - Poema de Isabel Furini



RENASCER

Aniquilar as imagens dolorosas
guardadas
no jardim do ontem
arremessar no poço dos entulhos
as palavras pronunciadas no passado

renascer exige assassinar lembranças.

Isabel Furini


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

A LUA (Poema de Isabel Furini)




A LUA

A visão dos mortos
movimenta o músculo cardíaco
surgem imagens de antigos amores
a poesia rastreja entre flores e estrelas
e a Lua reflete imagens no além

sibila a saudade.

Isabel Furini

Narrativa confidencial - poema de Isabel Furini


NARRATIVA CONFIDENCIAL

Narrar em um poema
a própria vida, as decisões e as ousadias
é como fazer recontação de histórias

- alguns dados são esquecidos
e outros são modificados
no atanor da memória.

Isabel Furini

Fotografia de Isabel Furini






segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Rumo ao Porto - Poema de Isabel Furini



Rumo ao Porto.



RUMO AO PORTO

Navegou pelo mar das palavras
e com inclemência
agitou as profundezas do oceano

desenhou nas águas o próprio rosto
para desvendar os símbolos ocultos na sua alma

exteriorizou com palavras
seus momentos de angústia e de felicidade

navegou incansavelmente – com teimosia
e somente ancorou no porto abismal da Poesia.

Isabel Furini

Poesia: Função - de Isabel Furini



Fotografia de Isabel Furini


POESIA: FUNÇÃO

a solidão avança entre espelhos quebrados
e se alimenta de exílios voluntários
por isso precisamos da poesia
- a poesia auxilia e nos salva dos naufrágios

a poesia nos ajuda a abrir as asas

ela coloca em nossos olhos
o brilho incandescente da esperança.

Isabel Furini


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Analogias - Poema de Isabel Furini


ANALOGIAS

a poesia não admite fragilidades
não é uma rosa de renda
nem um jasmim de tule
a  poesia é semelhante ao trauma emocional
:
cicatriza –  mas persiste
pressiona
sitia
obsessiona como o crocitar de um  corvo

a poesia é paixão e é loucura
e foge quando o poeta
tenta modificar a sua textura.

Isabel Furini

Escultura de Rodin - Lacma - Los Angeles-Califórnia- Foto de Isabel Furini
                                        

Almas Gêmeas

ALMAS GÊMEAS

flores da  região silenciosa da psiquê
poemas e flores dos jardins geométricos
localizados perto do reino da morte
onde os corvos agoureiros
crocitam mantras
e as gárgulas vaticinam
(no reino do além)
o encontro das almas que se amam.

Isabel Furini

Pintura da artista plástica Perla Sar

Rasura - Poema de Isabel Furini


RASURA

quando o poeta rasura o claro-escuro
das palavras
surgem afiados poemas
e perfuram
a anatomia da alma
o espírito satírico de ontem
reaparece no poema de hoje.

Isabel Furini

sábado, 8 de dezembro de 2018

Trova sobre "o dom" - de Isabel Furini


Todo mundo tem um dom,
muitas vezes escondido.
Todo mestre, quando é bom,
revela o desconhecido.

Isabel Furini
Fotografia de Isabel Furini

Poema: Papai Noel



PAPAI NOEL

Voa rápido com as renas,
mais rápido que um avião.
E não teme a aterrizagem,
pois o velhinho tem coragem.

Hohoho hohoho hohoho

O papai noel gorducho
tem um grande coração.
Ele distribui os presentes
com alegria e muito amor.

Hohoho hohoho hohoho

Isabel Furini
Fotografia de Isabel Furini





Racismo - Poema de Isabel Furini


RACISMO

A tessitura desse olhar descartava as dúvidas
ele sabia que provocava sofrimento
mas escolheu o chicote das palavras
para destruir o negro pobre
que olhava (inocente como um anjo)
perguntando-se
porque sua cor de pele motivava xingamentos.

Isabel Furini





quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Pequenos Leitores - Poema infantil de Isabel Furini

PEQUENOS LEITORES I


ZECÃO

Leio todos os dias.
Eu sou um bom leitor!
E nunca sinto medo
quando leio contos de terror.

Isabel Furini

Foto e Arte digital de Isabel Furini
PEQUENOS LEITORES II

ANA

A vovô me deu um livro
sobre uma linda princesa.
Ela gostava de fazer
lindos bolos de framboesa.

O Pedrinho não gostou,
então eu li um outro conto
sobre  um valente leão
e o Pedrinho aplaudiu.

Isabel Furini





segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

TECENDO PALAVRAS - Poema infantil de Isabel Furini - Desenho de Sonia Cardoso

Desenho de Sonia Cardoso - Premiado pela AVIPAF
Releitura do desenho de Tiago Gouvêa da Revista Vida Simples

Poema para o público infanto-juvenil.

LINDAS PALAVRAS

O perdão é substantivo
e é sempre bem-vindo.

Com a palavra amor,
começa a vibrar o coração.

Se a palavra for carinho,
as aves cantam no ninho.

Dar em silêncio uma flor,
para representar a Paz.

Para falar de ternura
é bom deitar sob a Lua.

A saúde e a luz
são palavras poderosas.

E este Poema foi escrito
nas pétalas de uma rosa.

Isabel Furini

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

A aula de crônicas e o jogo de pôquer (Crônica de Isabel Furini)


Procuro nas agendas antigas, esquecidas em alguma estante, entre livros, as frases anotadas na Oficina de Crônicas, que o premiado escritor José Castello ministrou em 2007, em Curitiba. Encontro-as e leio uma frase: “O cronista com seu olhar afeta a percepção dos acontecimentos”.

Caminho até a cozinha para fazer um chá de morango. Coloco água numa chaleira e ligo uma das bocas do fogão. Enquanto a água esquenta, caminho até a sala no final do corredor, ligo o computador e abro o e-mail de uma amiga que está aprendendo a jogar pôquer. Ela comenta que os jogadores se dividem em agressivos e passivos. Igualzinho aos cronistas! – penso.

O jogador de pôquer também deve ser hábil na “seleção de mãos iniciais”. Alguns são conservadores, outros, ousados. Mais uma característica que os jogadores de pôquer e os cronistas compartilham.
Respondo o e-mail e corro até a cozinha. Volto com uma xícara com florzinhas amarelas, dentro dela o gostoso chá de morango.
Arte Digital de Isabel Furini
Minha amiga responde imediatamente enfatizando que o pôquer é um jogo de inteligência e exige sensibilidade. Para ganhar é preciso decifrar, decodificar, ter postura, movimento das mãos, dos pés, olhares, a linguagem do corpo.

Para mim a ideia de decodificar ou decifrar é mágica. A frase de Castello, “O cronista com o seu olhar afeta a percepção dos acontecimentos”, e a atitude do jogador de pôquer se unem na minha mente. Jogadores de pôquer devem criar boas estratégias. E os cronistas? Também criam estratégias para tornar o texto leve e sedutor, enquanto denunciam os erros da sociedade, a frivolidade dos costumes, os preconceitos econômico-sociais, raciais, sexuais e outros.

Além de saber embaralhar e blefar, é preciso descobrir padrões de comportamento. “Ler” os outros jogadores. Os movimentos dos outros apostadores devem ser monitorados. O olhar do jogador precisa adquirir a acuidade de uma câmera de televisão. Precisa de um bom enquadramento. De foco e nitidez. Nada pode escapar ao olhar do jogador.

O professor de minha amiga disse que durante o jogo a atenção deve ser total. O cérebro precisa criar novas sinapses para perceber pequenos gestos, tiques nervosos, mudanças no olhar, na voz, na respiração. Os movimentos quase imperceptíveis do pescoço, dos lábios, das pernas, dos pés. O jogador deve treinar sua atenção. Mapear cada movimento do opositor.

Os grandes jogadores não contam só com a sorte para ganhar. A chamada “sorte de principiante” tem um curto prazo de validade. O jogador experiente percebe detalhes. Por que essa pessoa morde os lábios? Aquele levanta as sobrancelhas ao ver as cartas, enquanto o outro suspira? Um abaixa a cabeça, aquele sorri, o outro agita os joelhos. Alguém se mexe na cadeira, o outro olha a parede. Um piscar de olho, engolir saliva, mexer o anel, nada passa despercebido para o bom jogador.

O jogador de pôquer e o cronista têm algo em comum, ambos sabem realizar uma leitura detalhada das pessoas. Aprenderam a ler o mundo. O jogador porque quer ganhar, o cronista porque deseja passar suas impressões, seu olhar para os leitores – esse olhar capaz de afetar “a percepção dos acontecimentos”. Depois de ler uma crônica sobre um fato banal, o fato pode adquirir outra dimensão na mente do leitor.

Decifrar as pessoas, decodificá-las para escrever crônicas que realmente impactem, sensibilizem e ajudem a ressignificar os acontecimentos, a modificar a visão do mundo. Afinal, essa é a função do cronista, ou não é?

Isabel Furini

terça-feira, 27 de novembro de 2018

O Povo: Sedução Arquetípica


O POVO: SEDUÇÃO ARQUETÍPICA

o povo é seduzido pela voz dos arquétipos
(dorme em seu interior a voz ancestral, primitiva, tribal)

sob o domínio do instinto arcaico o homem é boneco
(de madeira ou de pano)
o poderoso instinto – com gesto de cacique
permanece dono do trono da psique

por isso o homem reza nas igrejas e sente a bondade
criando raízes em seu coração
mas é arrebatado pelas emoções
pelas forças do ódio e do rancor

o Deus de amor permanece na cruz
será possível que o coração dos homens
permaneça aconchegado na luz?

Isabel Furini

Foto de Isabel Furini - esculturas da cidade de Kirkland.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Somos ou não somos? - Poema de Isabel Furini


SOMOS OU NÃO SOMOS?

Por que amaldiçoar os fantasmas
que moram no muro das lembranças?

é inoperante imprecar contra cactus e espinhos
carrascos das mãos
(das egoístas e das generosas)

por que chorar sobre as horas do passado
- dunas do tempo
que avançam sob o vento sem deixar rastro

Somos e não somos – dizia Heráclito

prisioneiros do devir
vivemos criando fábulas
e depois de mortos
até as fábulas são desintegradas

porque somos por pouquíssimo tempo
e depois
não somos, não somos, não somos.

Isabel Furini

Fotografia de Isabel Furini

A vida é uma gangorra (Poema de Isabel Furini)

Fotografia de Isabel Furini
A VIDA É UMA GANGORRA

vivemos em um mundo de tristeza
e de insanidade
no qual as fantasias se entrelaçam
com a realidade

nada é eterno

fazem parte desta vida
os avanços e os recuos
é preciso no caminho
pular sobre as pedras e os muros

com imagens e palavras
podemos mudar o futuro
e até mudar o passado
nada é definitivo: nem o sucesso nem o fracasso

a vida é uma gangorra
hoje estamos no chão?
mas com coração de aço
(vencendo qualquer cansaço)
é possível transformar em triunfo qualquer fracasso.

Isabel Furini

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Arte - Poema de Isabel Furini

ARTE

provocação a primeira vista
o passado com vestígios de sonhos e agressão
(o arcaico dançando na psique)

as marcas da caverna avançam no casulo do tempo
formas exiladas ente as sombras da noite
o visitante intui significados
mas a razão os descarta

o visitante olha entre admirado e confuso
as figuras estranhas e perturbadoras
sente-se um Neandertal
diante do fogo da criatividade

Isabel Furini

Obra de José Antonio de Lima

O Mundo das Parcas -

O MUNDO DAS PARCAS

oscilam as linhas
formas enganadoras
criadas como artificio
para emudecer a razão

a estética emociona
induz ao pensamento mítico

um instinto primitivo reflete
medos angulares
oráculos de morte
o selvagem ainda sobrevive no homem
e deseja expressar-se

multifacético - o mundo encanta
(o universo de José Antonio
tece e destece as grades da ilusão)


Isabel Furini

Obra de José Antonio de Lima

Travessia Poética (Poema de Isabel Furini)


TRAVESSIA POÉTICA

desce as pálpebras
analisa as palavras
e canta seus versos
no silencioso espaço de sua alma

acordam palavras adormecidas
e o poema pula da cabeça
e no caudaloso rio da singularidade
escolhe palavras
mergulha em metáforas
e invade a caneta.


Arte Digital de Carlos Zemek


Poesia: Função


POESIA: FUNÇÃO

a solidão avança entre espelhos quebrados
e se alimenta de exílios voluntários
por isso precisamos da poesia
– a poesia auxilia e nos salva dos naufrágios

a poesia nos ajuda a abrir as asas

ela coloca em nossos olhos
o brilho incandescente da esperança.

Isabel Furini

Fotografia de Isabel Furini

Bússola - Poema de Isabel Furini


BÚSSOLA

atordoado escreve um poema
e olha a bussola
a bússola enlouquecida
navega
(sem descanso)
rumo ao local da alegria e da eterna primavera

o poeta sonha com corvos agoureiros
observa lágrimas nos olhos dos anjos
e nos olhos das gaivotas
e percebe nas cartas do tarot o seu destino hostil

poetiza e compreende o propósito da Poesia
:
ser navio para os náufragos
e bengala na escuridão
pois a Poesia auxilia o homem nos momentos de infortúnio
a Poesia mitiga a dor e reinventa a vida

Isabel Furini
San Francisco, Califórnia, USA - Fotografia de Isabel Furini

Cativo - Poema de Isabel Furini

CATIVO

poetizar com a mente?
com as vísceras?
com os olhos?
com o coração?

é inútil tentar fugir do poema que fascina
ou fere
que alegra a alma
ou ajuda a preencher a solidão

porque a Poesia é água benta e cordura
mas também é escuridão.

Isabel Furini

Orfeus - Escultura de Rodin - Museu de Arte do Condado de Los Angeles

Projeção Poética

PROJEÇÃO POÉTICA

a solidão asfixia a alma e surge o poema

o poema foge da ponta dos dedos
e gesticula
cresce nos interstícios das palavras
e nas sombras projetadas pelo silêncio
serpenteia sobre as calçadas de pedra
onde cantam as gárgulas
pula os muros
e caminha sobre as águas do mar
onde dançam os bêbados e os homúnculos.

Isabel Furini
Fotografia de Isabel Furini - San Francisco, Califórnia- USA

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

O Esquilo (poema infantil de Isabel Furini)



O ESQUILO

O esquilo sobe na árvore
e logo desce rapidamente,
pois esse pequeno roedor
não é molenga. Não senhor!

É elegante como um dançarino,
E com graça come a noz.
Ele é muito pequenino,
Mas quando corre é veloz.


Isabel Furini

Fotografia de Isabel Furini - Los Angeles, Califórnia.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Amigo? - Poema de Isabel Furini



AMIGO?

Quando um amigo conspira
ou fala mentiras
é hora de redesenhar caminhos
e de dizer adeus
(sem ira)

porque um amigo confindente é como uma xícara
a xícara está trincada?
então é preciso conseguir outra xícara
sarar as feridas
e  reiniciar a jornada.



Isabel Furini

Fotografia de Isabel Furini


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Duplicidade - poema de Isabel Furini


DUPLICIDADE

Existem pessoas pacientes
que esperam calmamente
- são semelhantes
as tartarugas idosas

mas outras fazem lembrar das serpentes
enroladas
em alguma curva do caminho

suas palavras podem encantar
como o vinho fino
mas suas mordidas ferozes
(e inesperadas)
deixam profundas marcas
na superfície da alma.

Isabel Furini

Arte digital de Carlos Zemek





quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Bate-boca das flores - poema infantil de Isabel Furini


Bate-boca das flores
                                                                    (Poema recomendável a partir dos 9 anos)
A menina cortou o laço
Que unia o ramalhete de flores.

Zangada, falou a rosa:
- O laço foi cortado
Porque algumas flores invejosas
Não reconheceram
Que eu sou a mais formosa.

A begônia falou:
- Algumas flores se acham superiores
E tecem ilusões,
Mas a verdade é que a menina
Cortou o laço com uma tesoura.

A begônia foi vaiada
e a rosa foi admirada.

Porque no mundo das flores e dos homens,
muitas vezes,
predomina a ignorância.

Isabel Furini
Fotografia de Isabel Furini

sábado, 20 de outubro de 2018

Almas anfíbias (Poema de Isabel Furini)


Mulheres somos seres anfíbios
quase mitológicos

nos olhos temos registrados
a pesada carga do passado
e a secreta metamorfose da lagarta

as mulheres nascemos
com as marcas da imprevisibilidade impressas
no couro cabeludo
são marcas que só refletem nos espelhos quebrados

nossas almas anfíbias navegam no rio de Heráclito
e se aconchegam
sobre os espelhos quebrados
nas noites de Lua nova.

Isabel Furini


Trabalho da artista plástica Ivani Silva

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A escrita de Deus - Poema de Isabel Furini


A ESCRITA DE DEUS

Importa? não importa
se no meio do caminho
de repente você percebe
que as pedras alteraram o seu destino
e a sua vida é uma linha torta

porque Deus 
sempre escreve certo
sobre a areia, sobre as rochas
sobre as águas e nos recantos da alma.

Isabel Furini


terça-feira, 16 de outubro de 2018

O homem contemporâneo - poema de Isabel Furini


O HOMEM CONTEMPORÂNEO

o homem contemporâneo está perto do abismo
e fala
ele desconhece a supremacia do silêncio
e fala
e tenta esconder suas emoções no porão
e fala
fala
fala
fala
fala
e foge dos espelhos
para não ver a sua boca grande e o seu coração pequeno
mas a sua boca fala tanto e tão alto
que faz zimbrar os tímpanos do planeta.

Isabel Furini

Escultura do Museu Rosacruz de San José, Califórnia, USA.
Fotografia de Isabel Furini


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Bom dia, professor - poema infantil de Isabel Furini


Bom dia, professor

Hoje para brincar eu tenho
Uma rede de borboleta.

E também tenho uma caneta
No bolso da minha jaqueta.

E um poema que eu escrevi,
Porque agora sou poeta.

Professor, pelos seus ensinamentos
Quero dar meu agradecimento.

Isabel Furini


Arte digital de Isabel Furini

domingo, 14 de outubro de 2018

Caixas de Jacarandá - Poema de Isabel Furini


CAIXAS DE JACARANDÁ

Duas caixas foram construídas com madeira de jacarandá
em uma dormem as lembranças
e na outra a esperança

as duas caixas estão ocultas no porão da mente
perto do túnel que leva ao mundo subconsciente

à noite as lembranças fogem da caixa e dançam
enquanto dorme a esperança
de madrugada a esperança foge da caixa
para cantar entre as ondas do mar
e desenhar nas areias do futuro o poderoso verbo amar

mas enquanto a esperança voa
(e sem medo abençõa)
as lembranças abismadas serpenteiam no fundo do passado
onde os seres alienados dormem na escuridão.

Isabel Furini

Peça do Museu Rosacruz de San José, Califónria, USA.
Fotografia de Isabel Furini




quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Dúvidas - poema de Isabel Furini


DÚVIDA

Serão os poetas
remanescentes
de antigos
planetas?

E quando os poetas arquitetam seus versos
lutarão contra adjetivos adversos?

Quando os poetas escrevem ficam submersos
no mundo das emoções e dos pensamentos.

Serão os poetas os chefes supremos de suas obras
ou os editores de texto do universo?

Isabel Furini

Quadro de Carlos Zemek

domingo, 7 de outubro de 2018

O louco e a gaivota

O LOUCO E A GAIVOTA

O homem quer ser mais Ser”. Platão

Uma gaivota revoluteou
sobre a cabeça do louco
que estava sentado sobre uma rocha
olhando o mar

o louco olhou a gaivota
e começou a chorar
porque nesse instante conscientizou
uma limitação imposta pela natureza
:
ele percebeu que nunca conseguiria
voar sozinho

às vezes as coisas mais simples
nos fazem perceber nossas limitações
e as lágrimas revelam
o nosso oculto desejo de ser mais Ser.

Isabel Furini


Fotografia de Isabel Furini



sábado, 6 de outubro de 2018

As filhas de Eva - poema de Isabel Furini

AS FILHAS DE EVA

o clã das mulheres
é frágil e dividido
é semelhante a um vestido carcomido

o clã nunca adotou a atitude da colmeia
e enquanto uma mulher é ferida
as outras alardeiam

as mulheres não têm o apoio que precisam
e algumas se resignam e ficam submissas

se uma mulher é vítima de agressão
são muitas as mulheres que fecham o coração.

Isabel Furini

Fotografia de Isabel Furini - Rose Garden - San José - Califórnia






Multifacetado - Poema de Isabel Furini


ávido
como um lobo que devora sua presa

aflito
como um naufrago em alto-mar

fanático
como um povo em dia de eleição

alegre
como a chuva que molha as florestas

triste
como os funerais de um amigo querido

prolífero
como um vale ladeado por um rio

místico
como a noite que revela aspectos do infinito

o poeta é um ser multifacetado
cujos pés estão fincados no pantano
mas a sua alma matreira
persiste no desejo selvagem de conhecer o infinito.

Isabl Furini
Fotografia de Isabel Furini









quinta-feira, 4 de outubro de 2018

O Chapéu - poema de Isabel Furini


O CHAPÉU

O poeta experimenta o chapéu preto
e é perseguido por serpentes furiosas

o chapéu permanece inerte como uma pedra
mas o poeta inspirado pelo chapéu
retira os véus
ressignifica a  própria história
e mergulha no poço sem fundo das águas do inconsciente


o poeta percebe o poder do chapéu preto
esse chapéu sombreia os esqueletos
e desvenda os mistérios da poesia e da morte.

A dualidade da rosa - poema de Isabel Furini


A DUALIDADE DA ROSA

não é só pétala e perfume
buquê e sofisticação
a rosa também é espinho
e ao morrer
(já pútrida)
a rosa é transformada
em saudade e em solidão

o yin-yang é o segredo da natureza
por isso, onde há beleza
com certeza há escondida
pavorosa escuridão.

Isabel Furini

Rose Garden - Califórnia. Fotografia de Isabel Furini

Solidão de poeta - Poema de Isabel Furini

SOLIDÃO DE POETA

mergulha no abismo profundo do remorso
que não cessa

a espessa pele da culpa
contorna a sua alma
tenta escrever um poema
mas as lembranças o encurralam
está sozinho o poeta
e dialoga com seu passado em voz alta
enquanto quieto (deitado no parapeito)
um gato preto boceja.

Isabel Furini




Espaços - poema de Isabel Furini


ESPAÇOS

Sequestro os contornos dos beijos do primeiro amor
e da paisagem do parque

eu nada sei da aurora - mas reconheço
os movimentos
das sombras
e o ulular dos fantasmas do passado
que pululam no espaço interior

o lago, as árvores, as aves, a paixão
perambulam na minha memória
pois fazem parte de minha história
uma história contada no diário de bordo
de um barco que navega na constelação de Órion.

Fotografia de Isabel Furini

O Último Verso

O ÚLTIMO VERSO

- Você não tem  tino! -
reclamava minha mãe
e sem tino
eu fui construindo o meu destino
sobre uma rocha (ao lado do mar)
para observar a maré do mundo
com o olhar de um ser clandestino
e cumprir um antigo desejo
:
escrever o último verso da minha vida
na linha do horizonte
(entre o mar e a noite).

Isabel Furini

Fotografia de Isabel Furini



Eclipse - Poema de Isabel Furini


ECLIPSE


noite de eclipse lunar
a Musa da Poesia pacientemente espera
que o poeta escreva sobre o abismo interior
onde estão escondidos o remorso
e a culpa

o poeta dissimula o medo inconfessado
ele mantêm fechado o portão do inconsciente

a Musa o observa
e o poeta (sorrateiramente)
escreve um poema sobre as cartas do tarô.

Isabel Furini


Fotografia de Isabel Furini

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Horizonte - poema de Isabel Furini


HORIZONTES

revoluteiam os pássaros
do sono
dançam as imagens
sobre as pálpebras cansadas

amanhece
abrem suas corolas
as flores dos jardins
perfiladas
na linha do horizonte
sobre as altas montanhas
e preenchem a alma
de esperança.

Isabel Furini


Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini
Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini
Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini
Adicionar legenda



Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini

Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini

Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini

Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini

Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini

Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini

Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini

Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini

Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini

Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini

Rose Garden - Califórnia - Fotografia de Isabel Furini

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