sábado, 20 de dezembro de 2014

O Natal dos bichos (Poema infantil de Isabel Furini - Quadro de Carlos Zemek)

Em uma linda floresta
aconteceu uma linda festa.

Uma festa de Natal
e os bichos não se cansavam de dançar.

O jacaré dançava com a sucuri,
e a sucuri beijou o seu nariz.

O gato do mato dançou com a pantera,
dançou e dançou a noite inteira.

O panda comeu os bolinhos de mel,
feitos com carinho pela papa-mel.

A onça estava contente
e até dançou com uma serpente.

E quem tocava piano?
Era um alegre tucano.

O lobo dançou com uma hiena,
e a hiena ficou rindo da baleia.

Muito zangada gritou a baleia:
- Já cansei do riso da hiena.

O lobo deixou a hiena rindo sozinha
e foi a dançar com uma linda doninha.

E o que ninguém sabia,
era que nessa floresta havia uma águia escondida.

Poema de Isabel Furini
Procure a águia da floresta azul.






Quadro de Carlos Zemek -






Onça - Quadro de Celia Dunker.







quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A ÁRVORE (Poema de Isabel Furini - Arte digital de Carlos Zemek)

A ÁRVORE


A árvore sozinha
chorava e chorava.
De repente enxergou uma minhoca
que se arrastava sobre a grama
e a árvore murmurou:
- Eu achava que meu destino não era bom,
mas agora percebo
são muito bonitos meus ramos
mexendo-se ao vento
e recebendo os raios do Sol.

Isabel Furini

A blusa de crochê - de Isabel Furini

A BLUSA DE CROCHÊ



Meu branco é muito brilhante,
eu sou uma blusa elegante.
Eu sou uma blusa de crochê
e durmo perto de um buquê
lindo, de flores vermelhas.

Gosto de jantares e de festas,
e quando escuto elogios,
eu falo com humildade:
"Eu fui tecida com fio,
um fio branco e macio".

Poema de Isabel Furini - Inspirado no trabalho de crochê de Sonia Andrea Mazza.

POEMAS PREMIADOS DE ISABEL FURINI



Recebi e-mail de uma leitora que gostaria de conhecer meus poemas premiados. Obrigada, Lúcia, pelo e-mail. Esses poemas já foram divulgados na internet, mas vou reunir os que ganharam 1º, 2º e 3º lugares, e deixarei os 8 poemas que receberam Menção Honrosa para outra oportunidade. Como dizia muito bem o escritor uruguaio Horacio Quiroga: "Não abuse do leitor". Na continuação meus poemas premiados seguindo ordem cronológica:


O POETA

Sonha com poemas
e acorda na noite,
escrevendo com os dedos
versos no ar.

Adora
navegar sobre ondas de folhas em branco,
velejar nos cadernos novos,
pular sobre areias de palavras,
correr na praia procurando o Verbo.
Livros, cadernos, papéis e mais papéis...

Continua a lutar com ondas indomáveis,
organiza os termos,
mas só ancora no oceano dos sentimentos.
Nesse instante,
o poeta compreende o poder do caos primordial.
Isabel Furini

1º lugar no Concurso de Poesia de São José dos Pinhais, PR, em 2002. Escolhido para o Projeto Leitura no Metro de Belo Horizonte (MG) parceria entre o Programa da A tela e o texto da UFMG e a CBTU - Companhia Brasileira de Trens Urbanos.

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EL GRITO

Yo conosco uma calle
que se alarga y se aleja.

Uma calle desierta,
com ventanas cerradas,

donde tu amor murió
y el recuerdo se agranda.

Tu amor se tornó viento,
huyó al anochecer

recorrió las ciudades
y se fue a esconder

em uma cueva oscura
de uma montaña olvidada.

Um grito dió mi alma
solitária y antigua...

Um grito silencioso,
sin bemoles, sin rima...

fue um grito de angustia
desesperado y triste.

Agonizante grito,
que estremeció la penumbra
Isabel Furini

1º Lugar Poesia Concurso Internacional Missões, Roque Gonçalo/RS - 2005


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QUARTO SEM SOMBRA

Esquecido do mundo, Van Gogh pinta.
Seus quadros são cartografia de subterrâneos traumas
tatuados no corpo e nas mãos.

O eu instintivo
(adolescente)
extravasa emoções,
extasia-se nas cores dos trigais,
no voo dos corvos,
nas expressões dos rostos operários,
nas luzes de Arles.

Pinta em um ritmo alucinante,
pinceladas justapostas ganham vida.
Obsessivamente
retrata seu quarto com movimentos compulsivos.
Seu quarto não tem sombras,
ignora-as,
(elas o aterrorizam com suas histórias).

Mas as sombras
tentam entrar pela janela entreaberta.
Espreitam
(invisíveis)
desde as paredes do quarto do quadro do artista.

A loucura perambula pela casa amarela.
Isabel Furini

1° LUGAR - Academia Itapemense de Letras/SC - 2011.

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FOME DE FORMIGA - de Isabel Furini
Esses relógios têm umidade de raízes,
insondáveis como fantasmas,
obsessivos,
compulsivos,
espiam constantemente.
A paisagem esculpe as janelas dos olhos
água de batismo umedece as retinas,
delata tempestades marinhas na escuridão do inconsciente.
A água salgada corre além das rochas,
esse mar, esse mar – quase uma gruta de sonhos.
O destino marca nossas horas – como os relógios moles de Dalí,
as horas do esquecimento e as horas vindouras
até que seja possível descobrir
(atônitos)
que as fatais formigas não mordem um relógio vermelho em um quadro,
elas mordem nossa subjetividade,
atacam nossa singularidade e devoram o queijo Camembert
(já derretido).

Isabel Furini
Esse poema conquistou 1º Lugar no Concurso da Academia Campolarguense de Poesia - 2013.

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KATHARSIS

Curvas de palabras sobre abismos.
Un poema invade mi soledad
deflagrando una catarsis profunda.

Huellas de noches mal dormidas,
alumbradas
con fósforos encendidos por maníacos
ofuscados por la extraña búsqueda
de mariposas de amatista.

Olas de palabras subterráneas
azotan el hierro oxidado del navío de mi vida.
Tempestades inclementes
arrastraron mis horas y mis versos
para el océano de los recuerdos.
Isabel Furini

2º Lugar Revista Katharse - Espanha

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GESTAÇÃO POÉTICA

cinzelar algum poema com a cor
do vento do deserto
seco e angular
(como a vida)
olente jasmim selvagem
quase agressivo

cinzelar algum poema como a vida
(amalgama de emoções)
com alegrias, aborrecimentos e paixões
para estar além dos muros
íntegro e puro
em cada verso.
Isabel Furini

2º Lugar Concurso ALEPON (Academia de Letras de Ponte Nova/Minas Gerais)


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VINHEDO

Oscila o pêndulo do passado entre cachos de uvas e cantos.

O som da concertina sacode a casa,
a avó viaja até o velho povoado
contemplando as fotografias desbotadas
do álbum.

Do manto das lembranças colhe risos,
beijos, abraços,
o gosto das uvas e o Sol italiano.

3º Lugar no Concurso da Universidade Federal Fluminense - Niterói/Rj, 2011.


Meninos de rua (Poema de Isabel Furini - Fotografia de Neni Glock)


MENINOS DE RUA

a couraça da indiferença
fere os pés descalços

o cabelo sujo da criança de rua
destaca-se diante do prédio
com arrogantes escalinatas de mármore

solicita alimentos
mas os ouvidos estão surdos

solicita uma esmola
e o chofer (irritado)
fala com desprezo:
"a senhora tem que ir à igreja
não tem tempo para ajudar meninos abandonados".

Isabel Furini é escritora e poeta premiada.


Despertar da consciência (poema de Isabel Furini)

DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA

anda pelo mundo com o espírito atento
pois conhece as ciladas do destino

formas estranhas tentam atacar sua aura
mas sua força interior restaura
a pureza de sua alma


Poema Flor da Eternidade de Isabel Furini



Flor da eternidade
alegremente
alegra a mente
a flor eterna
da sabedoria Celta

Isabel Furini


Poemas Mistérios de Isabel Furini


Poema Máscara de Isabel Furini


Poema Almas Gêmeas de Isabel Furini


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Texto dissertativo - por Isabel Furini

O TEXTO PODE SER DIVIDIDO EM TRÊS PARTES


Introdução

Que apresenta o assunto e o posicionamento do autor. Ao se posicionar, o autor formula uma tese ou a ideia principal do texto.


Desenvolvimento

Em cada parágrafo pode ser desenvolvido um argumento.

É importante evitar a apresentação dos argumentos de maneira desordenada, obscura.



Os argumentos podem ser fortalecidos com:

EXEMPLOS: para ressaltar alguns aspectos

ENUMERAÇÃO: Para justificar sua ideia

COMPARAÇÃO: Entre fatos, ideias destacando semelhanças ou diferença.

DADOS ESTATÍSTICOS: Para fundamentar os argumentos.



Conclusão

Que geralmente retoma a tese, sintetizando as ideias gerais do texto ou propondo soluções para o problema discutido.



LEMBRAR

Evite a fuga do tema: Ou seja, quando o texto não analisa a proposta apresentada. É exigência que os parágrafos estejam concatenados e que todos acresçam informações. Os parágrafos não podem ser repetitivos, nem conter digressões.


PIRÁMIDE MÍSTICA - Poema de Isabel Furini



Poema de Isabel Furini - Arte digital de Carlos Zemek.


La pirámide impone silencio
mientras intentan volar los pájaros prisioneiros.

La pirámide impone silencio y los ojos
visualizan centenas de siglos.

El ser humano em su fluctuante caminada
por el universo
como el Zaratustra de Nietzsche
tiembla entre el Ser y el no Ser.

O esa es uma leyenda
y el temblor es simplemente
el miedo de los pájaros que vuelan em el firmamento
para observar de cerca
la pirâmide antigua.

Isabel Furini

A Onça - Poema infantil de Isabel Furini

A ONÇA

Mamãe cadê a onça?
parecia meio zonza
e eu a vi correr pela rua
e também olhar a Lua.

Essa onça que eu vi
olhando pela janela,
era uma onça muito nova,
uma onça magricela.

A mãe disse rindo:
- Isso não era uma onça, meu querido,
era o gato do vizinho,
com um casaco de lã.

A mãe pintou no casaco
pequenas manchas
e o gato que é muito gordo
parece um bicho do mato.

Mas se alguém se aproximar
para acariciar o gato, observará:
essas manchas não secaram,
por isso as manchas desmancham.

Poema de Isabel Furini 
Tela de M.Mafra Souza.
Tela de M.Mafra Souza.

"O miado do gatinho" Poema Infantil de Isabel Furini

O Gatinho Jeremias
mia, mia, mia e mia.

Por que mia o Jeremias?
Porque faz muito calor
e ele quer sorvete de limão
da sorveteria da Maria.

O Gatinho Jeremias
mia, mia, mia e mia.

Poema de Isabel Furini - Quadro de Neiva Passuello.


sábado, 20 de setembro de 2014

CONCURSO POETIZAR O MUNDO - DECLAMANDO



9º Concurso Poetizar o Mundo

ORGANIZADORA: Isabel Furini

Regulamento:
1) O Concurso 9º Concurso Internacional POETIZAR O MUNDO DECLAMANDO POESIA aceitará inscrições até 11 de Outubro/2014.
2) O Concurso de Declamação será no Restaurante Dona Doida (Alameda Princesa Izabel, 704 - Curitiba), em 15 de outubro de 2014 (quarta-feira) a partir das 19 horas. A ENTRADA custa R$ 7,00 (sete reais), inclui um minikit individual (petiscos), e pode ser adquirida com antecipação ou na hora do evento;
3) Os participantes deverão ser maiores de 18 anos, de qualquer nacionalidade que se comprometam a declamar um poema com as características descritas neste regulamento;
4) Os candidatos devem enviar currículo e um poema com máximo de 20 linhas de sua autoria ou de outro poeta para o e-mail: isabelfurini@hotmail.com;



SUGESTÃO DE POEMAS PARA DECLAMAÇÃO
ARTIMANHAS DO IMAGINÁRIO
ululavam imagens do passado
:
a  morte de sua mãe pairava na memória
e ele permanecia silencioso
(sombra entre sombras)

de repente
:
vi a bola avançando rapidamente
ele  gritou
                                      :
                                     GOOOOOOOOOOLLL!!!
e parecia contente
(voltou dos confins do silêncio)
dilacerou a culpa cinzelada pelo imaginário
esmagou as sombras do remorso
e da depressão
(fantasmagóricas e involuntárias sombras)


então falei
:
a ave Fênix,
é consumida pelo fogo (da culpa?)
mas logo,
das cinzas renasce
num jogo eterno onde morre e nasce

meu amigo escutou em silêncio e me deu um abraço
:
afastaram-se as nuvens
e eu vi imagens de anjos.
Isabel Furini

                                                             ***




REDES

Trampa mortal
en el mar de sombras.

Hay redes que nos atrapan.

Refleja mi silencio
el movimiento del água
entre mis pies dormidos.

Y esas montañas,
montañas del olvido
que reviven esperanzas muertas
y anuncian una aurora nueva
en la desierta ruta del destino.

Isabel Furini




Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
CECÍLIA MEIRELES, C. Antologia Poética


__________


No olho da agulha


Tatuar silêncios como formigas.
Afogar os relógios
numa pálpebra.
Vestir o grito com a pele
do escaravelho.
Torcer os músculos da face
em perplexidade.
Cruzar a via absurda
das unhas, desorientado,
obscuro, recurvado
sobre as nádegas.
Saber que toda flor é ridícula,
e mesmo assim cultivar
o minério,
a dor,
a surda epilepsia.
Esquecer o próprio nome,
e sovar a terra
até a exaustão.
(Fosse apenas uma canção de colheita,
você diria amor e outras
palavras fáceis.)
Com o riso estúpido do camelo,
viajar ao olho
da agulha,
labiríntico, insano,
acreditando que toda história é um ácido.
Depois cauterizar a ferida,
aceitar o reflexo,
o simulacro,
lembrar-se
da semente antes do pão.

Tayata gate gate
paragate parasamgate
boddhi soha.

Claudio Daniel


__________

Soneto Presunçoso
Que forma luminosa me acompanha
quando, entre o lusco e o fusco, bebo a voz
do meu tempo perdido, e um rio banha
tudo o que caminhei da fonte à foz?

Dos homens desde o berço enfrento a sanha
que os difere da abelha e do albatroz.
Meu irmão, meu algoz! No perde-e-ganha
quem ganhou, quem perdeu, não fomos nós.

O mundo nada pesa. Atlas, sinto
a leveza dos astros nos meus ombros.
Minha alma desatenta é mais pesada.

Quer ganhe ou perca, sou verdade e minto.
Se pergunto, a resposta é dos assombros.
No sol a pino finjo a madrugada.
Lêdo Ivo

______________



Rebeldia

Para não repetir
o modelo
que me apresentaram,
escrevi roteiro contrário.
Fixação insana,
não ser igual.
Desperdício e cansaço.

Acordei.
Soltei balaios
de rebeldias e sofrimentos.

Moldes vazios,
insinuo passos que são só meus
e jeito próprio de andar,
para escrever
outro enredo,
nova história...

Adélia Maria Woellner

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

POEMAS GANHADORES DO 6º CONCURSO POETIZAR O MUNDO

RESULTADO do 6º Concurso Poetizar o Mundo - Setembro/ 2014





Agradecemos aos 293 participantes. Os poemas expressam beleza e criatividade, e foi difícil para os jurados realizar o trabalho. Parabéns para todos os participantes!

Recebemos poemas de Brasil e de Portugal, e foi respeitada a grafia dos dois países.

Os ganhadores receberão Certificado pelos correios. O primeiro lugar receberá um troféu.

Agradecemos também membros da comissão julgadora será composta por quatro jurados: o poeta Alexandre Pontes, a poeta Andreia Motta (Presidente da UBT – S/ Curitiba e Vice-Presidente da Academia Paranaense da Poesia), a poeta e professora Vanice Ferreira e o escritor e poeta Rodrigo Domit.



NOTA MÁXIMA: 40 pontos

RECEBERAM AS MELHORES NOTAS:

PARADOXO - nota: 36
Amor fatal – nota: 33
Saltitância – nota: 32
Estrada da glória - nota: 31
Cosmos - nota: 30

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PRIMEIRO LUGAR

PARADOXO


Olho o semblante sombrio à sombra: Assombro.
A treva imunda emana de mim mudada: Maldito.
A pessoa aperta o passo com pressa: Paro.
Na pausa penso, um flagelo me aflige: Reflito.
Confuso, continuo caminho cansado: Conflito.

Rodrigo Luis Mingori nasceu em Palma Sola (SC) em 1988. É subversor indolente e foi humanista algumas vezes. Hoje se dedica à literatura pelo prazer de mentir elaboradamente.

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2º LUGAR
Amor fatal

emudeceram
as línguas afiadas
em um beijo
suicida


André Telucazu Kondo é autor de vários livros premiados, tendo recebido mais de cem distinções literárias. Pós-graduado pela University of Sydney, viajou por 60 países em busca de inspiração. www.andrekondo.blogspot.com.br


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TERCEIRO LUGAR
Saltitância

Pulou o céu
na poça
d'água.

Marcelo Melo Soriano é escritor gaúcho, com ênfase em literatura africana de Língua Portuguesa. Escreve prosa e poesia. Destacou-se em alguns concursos literários nacionais.

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MENÇÃO HONROSA
Estrada da Glória

Quando deslizas como seda
no interior da minha memória
pareces uma serpente de ouro
trilhando a estrada para a glória.

Joaquim José Teixeira Vieira Semeano, de Almada, Portugal. Jornalista e escritor, 49 anos; profissional, durante 25 anos, no jornal "Record", em Lisboa; vencedor, em 2011, do prémio literário Maria Rosa Colaço, com o livro infantil "Era Uma Vez Um Nariz", obra editada em 2013 pelas Edições Vieira da Silva; poemas publicados em colectâneas diversas, e actividade de escrita dividida por vários sites na internet.


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MENÇÃO HONROSA
Cosmos

Universos
Une versos
Em um só verso

Erinaldo Barbosa da Silva, nascido em Mato Verde/MG em 23/12/1970. Formado em tecnólogo em cooperativismo, professor na cidade de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. Já foi professor em Pirapora, morou em São Paulo e passou uma temporada no Acre na Amazônia Brasileira.

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terça-feira, 9 de setembro de 2014

8º Concurso Internacional Poetizar o Mundo - Poemas inspirados em Artes Visuais




8º Concurso Internacional Poetizar o Mundo - Poemas inspirados em Artes Visuais

Poemas minimalistas inspirados em quadros, esculturas, gravuras ou desenhos.

Troféu Carlos Zemek






Regulamento:

1) O Concurso 8º Concurso Internacional Poetizar o Mundo, seguindo o conceito curatorial de Carlos Zemek, harmonizará Poesia e Artes Visuais;

2) Os candidatos devem enviar um poema inspirado em algum quadro,escultura, gravura ou desenho de qualquer nacionalidade;

3) Os participantes deverão ser maiores de 18 anos, de qualquer nacionalidade e de qualquer lugar do mundo que enviem um poema com as características descritas neste regulamento;
4) O poeta apenas poderá participar com um só poema de até 5 versos (linhas). O poema deverá ser inédito, em língua portuguesa, de sua autoria. (Por inédito se entende que nunca foi publicado de nenhuma maneira, nem na internet, nem em livros, jornais, revistas, boletins, etc.);
5) O autor deverá enviar seus dados: nome completo do autor, seu endereço, e-mail, telefone e resumo de currículo no corpo do e-mail, sem arquivos;
6) O poema e os dados deverão ser enviados diretamente no corpo do e-mail, sem arquivos. Não serão abertos arquivos. Enviar e-mail para: isabelfurini@hotmail.com
7) A comissão julgadora será composta por três jurados: o cronista e jornalista Daniel Zanella, editor do Relevo, impresso mensal de literatura, o poeta Jocelino Freitas e a poeta Elieder Corrêa da Silva, membro do Centro de Letras de Curitiba.
8) O concurso se inicia em 09 de setembro e o encerramento será em 31 de outubro de 2014;
9) Premiação: o primeiro lugar receberá o troféu Carlos Zemek e um diploma. O segundo e terceiro lugares receberão diploma e medalha simbólica. Serão escolhidas duas Menções Honrosas, que receberão Certificado;
10) O resultado do concurso será divulgado até 30 de novembro/2014, em sites literários da Internet e nos blogues: www.isabelfurini.blogspot.com/ - poetizaromundo.blogspot.com.br/;
11) Carlos Zemek homenageará com medalhas comemorativas quatro personalidades que trabalham em prol da cultura: Marcos Cordiolli, Presidente da Fundação Cultural de Curitiba, o diretor da Associação Profissional dos Artistas do Paraná, Osmar Carboni, Arriete Rangel de Abreu, poeta, gestora e promotora cultural através do Projeto SemeARTE e Vera Fonseca, poeta e membro da Academia Cascavelense de Letras – também receberão Diploma de Honra ao Mérito ao editor Anthony Leahy e para a jovem escritora Maria Sampaio, romancista de 17 anos de idade que lançou seu primeiro livro neste ano;
12º) O encaminhamento dos trabalhos na forma prevista neste regulamento implica em concordância com as disposições nele consignadas.
ORGANIZADORA: Isabel Furini
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O GATO SAPECA (Poema Infantil de Isabel Furini)

POEMA:
O GATO SAPECA

Sobre o muro de pedra
corre o gato.

Sobre o velho telhado
corre o gato.

Pela janela aberta
entra o gato.

Sobre as teclas do piano
corre o gato.

Sobre a estante de madeira
pula o gato.

Sobre a mesa de jacarandá
come o gato.

Sobre a almofada do sofá
dorme o gato.

Sobre as nuvens dos sonhos
pula o gato.

No universo dos sonhos
brinca o gato.

Poema de Isabel Furini (Contato: isabelfurini@hotmail.com)





sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Personagens no conto e na crônica

Maximo Gorki em Como Aprendi a Escrever(página 75), afirma: A arte da criação literária, a arte de forjar personagens e tipos existe imaginação, intuição, habilidade para “compor coisas” nos quadros da mente.

Gorki considera que é possível escrever ficção, descrever, por exemplo, um tipo de comerciante ou de operário retratando uma pessoa que o autor conhece, mas que para aumentar a amplitude e profundidade, um escritor deve conhecer vinte cinqüenta ou cem comerciante ou operários, traçar seus perfis, costumes, crenças, atitudes, expressão e depois, sintetizar todas as características em um personagem.

No momento de trabalhar a história é preciso fugir do lugar comum. A inversão, a substituição de um elemento pelo seu contrário, dá ao conto o sabor do inesperado.

O personagem não precisa ser simples, lembremos de Tartufe disfarçado de devoto, o diabo, de criança, o jovem príncipe de mendigo – atitudes estranhas de um personagem ou o equívoco de suas ações podem dar vida à obra de ficção.

Seres humanos são contraditórios, por que os personagens não poderiam também mostrar contradições entre palavras e ações? Ou contradições internas, por exemplo, entre o dever e o desejo. O orador pode ministrar uma palestra emocionante sobre os problemas dos ciúmes, porém terminado a palestra brilhante pode sentir ciúmes da esposa. O médico pode fazer um belo discurso sobre a necessidade de parar de fumar e, terminada a palestra, acender um cigarro. Um homem pode desejar ser amável, mas fala agressivamente quando é contrariado. O gerente tenta se controlar, mas quando não encontra o relatório tem um acesso de raiva.

O trabalho de personagem deve ser intenso. Um personagem é um revelador de uma faceta do homem. Máximo Gorki (página 91) dizia que “um escritor só poderá criar vivos retratos de pessoas típicas se possuir bem desenvolvido o poder de observação, a capacidade de encontrar semelhanças e descobrir diferenças e se está disposto a aprender, a prender e aprender.”

A crônica trabalha o personagem como espelho. A crônica tira as vestes das pessoas, as ajuda a entender a própria subjetividade, a rirem de si mesmas e do mundo. Faz lembrar de um personagem da mitologia asteca chamado Tezcatlipoca, o senhor do espelho fumegante. Tezcatlipoca vestido como um homem simples chega ao palácio de Quetzalcoatl dizendo que tem um presente especial. Quetzalcoatl o recebe e quanto pergunta pelo presente o visitante lhe mostra um espelho. Quetzalcoatl fica admirado e desesperado ao mesmo tempo e pergunta: Todos me vêm desse jeito. O visitante disse que sim. Quetzalcoatl, triste, confessa que ele não sabia que era tão feio, que ele não se conhecia até ver-se refletido nesse espelho.

O cronista, muitas vezes, é como um novo Tezcatlipoca, o senhor do espelho. De fininho, de maneira simples, aproxima o leitor de um espelho para possa ver o próprio rosto. Aquele rosto cheio de marcas de raiva, de dúvidas, com algum sulco de inveja, com instintos que lembram aquele conceito freudiano de que em todo homem existe um canibal, ainda que nem sempre ele se manifeste.
Esse conceito do personagem como um de ficção no qual nos espelhamos nos faz entender a posição de Platão e Aristóteles. Eles entendiam que os protagonistas deveriam ser virtuosos para servirem de exemplo aos homens.

Isabel Furini é autora de “O Livro do Escritor”, da editora Instituto Memória, de Curitiba.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

COMO ESCREVER E PUBLICAR UM LIVRO

Iniciará em 07 de agosto de 2014 (quinta-feira) 
o curso Como Escrever e Publicar um Livro, 
no Solar do Rosário, rua Duque de Caxias, 04, 
Centro Histórico de Curitiba 
Fone (41) 3225-6232.

Horário: 17h00 às 19h00

Preço: R$ 280,00 (mensalidade) + Matrícula de R$ 35,00
Incentivar a leitura e a escrita, valorizar a criatividade e a criação literária. Estudos de gêneros literários e técnicas de ficção. Como criar personagens marcantes. Ambientação. Análise da linguagem literária. A estrutura do livro de ficção.
Conteúdo Programático:

1º aula – Introdução: Orientações dos grandes mestres da literatura. Escrever é arte ou técnica? - Prática: Escrita criativa.
2º aula – Como trabalhar e analisar o texto. Os elementos da composição literária. Prática: O baú da mente.
3º aula – Como reconhecer os gêneros literários. Qual é a função da literatura? - Prática: Intertexto.
4º aula – 7 segredos dos grandes mestres da literatura. Prática: Utilização das técnicas.
5º aula – Leitura de contos de autores consagrados: técnica e mensagem. Prática: a força da mensagem.
6º aula – Literatura na atualidade. Conto e crônica e suas peculiaridades. Prática: Escrever uma crônica.
7º aula – Personagens marcantes: Como escolher nomes. A questão dos retratos. As “marcas” dos personagens. Prática: Criação de personagens.
8º aula – Ótica dos personagens. Como contar uma história? Prática: Conto retratista.
9º aula – O tempo. Abordagem clássica e abordagem contemporânea. Prática: Tempo.
10º aula – O espaço como revelador, propulsor e obstaculizador da ação. Prática: Descrição de ambiente.
11º aula – Como estabelecer o ponto de vista e fortalecer o enredo. Como o ponto de vista filtra as cenas. Mudanças. Prática: enredos entrelaçados.
12º aula – A questão dos diálogos. Leitura de textos de autores consagrados. Prática: diálogos.
13º aula – O Romance contemporâneo - o trabalho de construção e desconstrução de textos. Prática: Técnica dos sentidos.
14º aula – Leitura e análise de textos. Os grandes mestres da literatura. Prática: entrelaçamento de ideias.
15º aula – Como preparar o livro para ser analisado por uma editora? Prática: organização de material.
16º aula – A questão do ritmo da narrativa e o problema de estética na literatura. Isomorfismo. Prática: Escrever um conto iniciando com uma palavra abstrata.
Professora: ISABEL FURINI
Isabel Furini é escritora e poeta premiada, autora de: "O Livro do Escritor" e "Escrevendo crônicas - dias e truques".




terça-feira, 8 de julho de 2014

Curso de Redação e Criatividade inicia 09 de julho

OBJETIVO: Estudar as técnicas de redação para desenvolver a capacidade argumentativa, estimular a reflexão e aumentar a compreensão e a criatividade. Serão trabalhados textos dissertativos e argumentativos. Técnicas de estímulo à criatividade.

Módulo 1
a) Gramática: Sintaxe
b) Interpretação de textos
c) Estudos sobre argumentação
d) Práticas: Escrever texto dissertativo-argumentativo
e) Técnicas para desenvolver a criatividade

Professores: Escritora Isabel Furini - autora de "O Livro do Escritor" e "Crônicas - dicas e truques".
Professora Carmen Luiza Fillies, graduda em Letras pela Universidade de Ponta Grossa - Pós-graduação lato sensu – Especialização em Ensino de Português e Respectivas Literaturas, pela Faculdade Padre João Bagozzi.

Inscrição: R$ 35,00
Preço: R$ 230,00 cada mensalidade.
Data: 09,16,23,30 de Julho de 06, 13, 20 de Agosto
Horário: Das 17h às 19h
Dia(s) Semana: Quartas Feiras

terça-feira, 24 de junho de 2014

A exposição "Encantos de España" passou do Instituto Cervantes de Curitiba para a Casa da Leitura da Fundação Cultural de Curitiba, situada na praça da Espanha.

A exposição foi muito elogiada por mostrar quadros de artistas curitibanos sobre Espanha e quadros também de artistas espanhóis. A curadoria de Carlos Zemek reuniu artistas com diferentes expressões para enriquecer a exposição. Carlos Zemek foi muito elogiado pela exposição e também se fez merecedor do Certificado de Mérito Cultural, que será outorgado em 27 de junho, a partir das 19 horas, no Palacete dos Leões, em Curitiba.

Entre os artistas espanhóis convidados estão: Concha Ramada, Eugenio Fuentes, Maribel Moratilla, Marta Galbe Las-Santas e  Javier Navarro.



Poema de Isabel Furini (inspirado no quadro)

CONTEMPLAÇÃO
o artista observa as pessoas nas calçadas
nas lojas e nos bares

meteoros de imagens navegam nessa paisagem


a cidade em movimento

e os carros
avançando rapidamente
como moinhos de vento

o artista retrata a solidão do homem contemporâneo

o homem como lobo solitário e faminto
caminhando no deserto urbano
(um deserto de areias e de carros)
Isabel Furini

Javier Navarro é Licenciado em Filosofia e Letras pela Universidade de Saragoça, Espanha. Realizou cursos de doutorado na Escola Técnica Superior de Arquitetura da Universidade Politécnica da Catalunha "Conservação e restauração de monumentos e ambientes", realizado pela Cátedra Gaudí. Na Universidade de Saragoça fez o curso "Prehistória tradicional frente a las nuevas tendencias".

Javier Navarro é vice presidente da Seção de Arqueologia do Colégio Oficial de Doutores e Licenciados em Filosofia e Letras e Ciências de Aragón (Espanha). Também orientou cursos para formação de professores.


Participou de cursos de Aquarela, Pintura à óleo, Pintura com tinta acrílica e aulas livres de aquarela na Universidade Populas de Saragoça.
Realizou exposições individuais e coletivas em Espanha.
2003-2005.- Clases de acuarela con Mercedes Ariza.
2009.- Curso de pintura acrílica en la Universidad Popular de Zaragoza
2011-2013.- Aula libre de acuarela en la Universidad Populas de Zaragoza, bajo la autoría de Áurea Plou Agudo.
2013. Taller de fotografía de la naturaleza. Asociación micológica de Ayerbe, impartido por José de Uña y Villamediana.

domingo, 18 de maio de 2014

POEMA DAS ASAS (de Isabel Furini)

O poema de minha autoria Poesia das asas, obteve Menção Honrosa no XII concurso "Fritz Teixeir de Salles". Carlos Alberto Martins, da comissão organizadora, destacou no jornal impresso Monte Sião que 1458 poetas enviaram poema para o concurso. Cada poeta podia apresentar até dois poemas, foram 2753 poemas, de todos os estados do Brasil (menos Roraima)e de 14 países.
Aproveito a oportunidade para agradecer a oportunidade de participar de tão importante concurso.

POESIA DAS ASAS
(Poema inspirado em uma escultura de José Antonio de Lima)

(sons de asas ao vento)
dançando entre sombras
essa escultura ulula dependurada do teto

retrai-se o tempo
encolhe-se para observar o recinto
e pula entre os gravetos
dos minutos devorando-se a si mesmo

o passado entra pela janela de uma catedral
e invade o presente
(sons de asas ao vento) 
Isabel Furini


Escultura de José Antonio de LIma

Um pedido ao Anjo (poema de Isabel Furini)


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Rua Riachuelo - poema de Isabel Furini e fotografias de Neni Glock



RUA RIACHUELO

quando caminho pela Riachuelo
nunca fico incomodada
tem buraco na calçada
mas fica contente o meu olhar
com tanta arte popular


Isabel Furini - isabelfurini@yahoo.com.br





Poema A Palhaça Sombrinha - Poema de Isabel Furini

Palhaça Sombrinha

Milene é uma palhaça
de sombrinha e de chapéu.
Às vezes, usa uma blusa
de seda da cor do céu.

Ela gosta de contar piadas
e brincar com a sombrinha,
ela também sabe cantar
e brincar com figurinhas.

Sombrinha alegra os espaços,
com risos e sensibilidade.
Ela merece um troféu
pela sua criatividade.

Poema de Isabel Furini (Contato: isabelfurini@hotmail.com)
SINTONIA DA DANÇA

Vibram as castanholas,
fortalecendo o ritmo
da bela dança espanhola.

O ritmo sempre seduz
e uma poderosa aureola
rodeia as dançarinas.
Envolve forte marola
o público e as "bailaoras".

O rosto no quadro (poema de Isabel Furini)



O ROSTO NO QUADRO

A tristeza do rosto
transpõe oceanos de silêncio.

Desgarram-se torres de lembranças
e injustiças.

Nas espirais das horas
diminui o preconceito,
e a esperança volta a brilhar.

Poema de Isabel Furini inspirado no quadro de Di Magalhães.

Onde está o lindo gatinho? -Poema de Isabel Furini

ONDE ESTÁ O LINDO GATINHO
(Poema de Isabel Furini e Arte Digital de Carlos Zemek)

Esse gato que se esconde,
onde, onde,
onde está?

Ele ficou na lavanderia
e quebrou um cálice de cristal!

Onde está o lindo gatinho?

Estará escondido sob o sofá
ou brincando no quintal?

Ajude-me a procurar
esse gato engraçado
cujo nome é Cipriano.

sábado, 19 de abril de 2014

13 linhas atribuídas ao escritor García Márquez



Positivismo é algo muito interessante – ajuda as pessoas a ter alegria e a observar o mundo com a cor da esperança, mas, quando frases positivas são atribuídas a personalidades do mundo das letras, surge a dúvida sobre a autoria. O nome de García Márquez aparece em dois textos positivos que estão sendo publicados nos blogues e sites. As pessoas gostam das ideias e compartilham nas redes sociais.

O primeiro é postado na internet como Carta de despedida, e muitos internautas aconselham ler, reler e seguir, acreditando que García Márquez escreveu essa página como legado para a humanidade, há alguns anos, quando estava com câncer. O fato irritou o autor de Cem Anos de Solidão. Ele disse: “Lo que me puede matar es que alguien crea que escribí una cosa tan cursi". O verdadeiro título desse texto é Marionete, e parece que a autoria é do ventríloquo Johnny Welch.

Com a morte de García Márquez, pulula na internet outro texto com mensagens lindas, mas sem o estilo literário que caracteriza esse autor. Custa acreditar que alguém capaz de escrever O Amor nos Tempos do Cólera tenha perdido sua arte e escrito "13 linhas para viver". Procurei na internet e encontrei poucos sites declarando que esse texto não é de García Márquez, esperamos que alguém da família, amigos ou sua agente literária se manifeste sobre o assunto.

É muito difícil que o texto seja realmente de autoria de García Márquez, e quero colocar na continuação alguns detalhes de “13 linhas” que não se alinham com a obra do grande escritor:

1) A linguagem de Garcia Márquez é metafórica. Existe poesia em seus textos. Ele era um escritor que lia e pensava como escritor – buscando a estética das frases. As "13 linhas" estão escritas em idioma coloquial;

2) As mensagens podem estar enquadradas nos textos de mente positiva, textos escritos com o objetivo de ajudar as pessoas a viver melhor, mas como já falamos, o escritor declarou que nunca escreveria um texto “cursi” como A Marionete, e nada faz pensar que tenha mudado seu pensamento e escrito "13 linhas";

3) García Márquez foi simpatizante do comunismo, muito voltado para as causas sociais e alguns dizem que era ateu. Não era um homem cuja filosofia de vida aconselharia: “Não se esforce”;

4) Em uma entrevista, García Márquez disse que um escritor não pode ler de maneira ingênua. Faz parte de sua bagagem não só ler, mas analisar os detalhes para entender como foram escritos, que técnicas o autor utilizou. Entender como um autor conseguiu estruturar um bom conto ou um romance. Compreender os mecanismos que melhoram cada frase, cada parágrafo. O texto 13 linhas está escrito de maneira ingênua, sentimental. As mensagens têm seu valor, mas não revelam a genialidade estilística do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura;

5) É difícil imaginar García Márquez fechando um texto com a frase: “Tudo o que sucede, sucede por alguma razão”. Assim, curto e grosso. Conselhos simples e estimulantes como esse eu sempre escuto da boca da cabeleireira, que além de cortar e pentear o cabelo com bom gosto, faz questão de ser conselheira sentimental gratuita. García Márquez, se pensasse desse jeito, expressaria essa ideia com linguagem literária;

6) Li as 13 linhas em espanhol e tem algumas frases mal construídas. No 11º conselho, existe uma cacofonia que faz doer a alma de qualquer poeta, escritor ou simples leitor de bom gosto. “Sempre haverá gente que te machuque, assim que o que você tem que fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem você confia duas vezes”. A sintaxe da frase está errada em português e em espanhol, García Márquez não se permitiria esse erro. Ele era perfeccionista. Na entrevista concedida ao jornalista e escritor Plinio Apuleyo de Mendoza e publicada em Com Cheiro de Goiaba, confessa que jogou fora 300 páginas de um livro porque o resultado não lhe agradou. Mas salvou o título;

7) Quero esclarecer: tenho paixão por frases positivas, mas o mundo dos livros é como uma casa. Não se janta no banheiro, nem se toma banho na cozinha. Ou seja, existe um lugar e um momento para cada coisa. Existem momentos para ler mensagens positivas e outros para ler boa literatura.

Lembro-me de que quando eu era pequena, meu pai, quando alguém cometia erros graves por falta de discernimento, sempre dizia: “No confundir aserrín com pan rayado” (Não confundir serragem com farinha de rosca). Autoajuda é baseada em mensagens, e os autores não realizam o trabalho de cinzelar o texto. Literatura é outra coisa. Literatura trabalha mensagem e texto, ideias e palavras.

Um personagem livre e singular da obra Cem Anos de Solidão é Remedios, a bela, a única que permaneceu imune à peste da companhia bananeira. Esse personagem foi citado como exemplo de mente positiva em uma palestra a que assisti há alguns anos. Na continuação um fragmento do livro que fala de Remedios, a bela, para que o leitor possa comparar com o estilo de 13 linhas e perceber a diferença de estilos:

“– Você está se sentindo mal? – perguntou a ela.
Remedios, a bela, que segurava o lençol pelo outro extremo, deu um sorriso de piedade.
– Pelo contrário. – disse. – Nunca me senti tão bem.


Acabava de dizer isso quando Fernanda sentiu que um delicado vento de luz lhe arrancava os lençóis das mãos e os estendia em toda a sua amplitude. Amaranta sentiu um temor misterioso nas rendas das suas anáguas e tratou de se agarrar no lençol para não cair, no momento em que Remedios, a bela, começava a ascender. Úrsula, já quase cega, foi a única que teve serenidade para identificar a natureza daquele vento irremediável e deixou os lençóis a mercê da luz, olhando para Remedios, a bela, que lhe dizia adeus com a mão, entre o deslumbrante bater de asas dos lençóis que subiam com ela, que abandonavam com ela o ar dos escaravelhos e das dálias. 
(...) Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez – Editora Sabiá Ltda. RJ, 1969, página 212 – Tradução de Eliane Zagury.

Isabel Furini é escritora e poeta, autora de “Os Corvos de Van Gogh”.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Em 17 de abril, morre o escritor García Márquez


Em 17 de abril, morreu García Márquez, o escritor colombiano. Fotos e frases do autor pulularam pela internet. Algumas frases são verdadeiras e outras falsamente atribuídas a ele. Muitos leitores, admiradores, escritores e homens públicos mostraram tristeza com a sua morte. Eu não fiquei triste.

Essa afirmação pode parecer de uma pessoa que não gostava de sua obra, ao contrário eu sempre admirei o grande escritor. Li várias vezes "Cem anos de Solidão. Não fiquei triste porque penso que o grande mestre da literatura tinha direito ao descanso. Seu corpo não era mais um fiel instrumento de sua alma, havia-se transformado em um instrumento mudo.

Talvez o mundo perdeu Garcia Marques quando foi diagnosticada a demência senil. Sua memória e sua capacidade de raciocínio estavam afetadas. Esse foi o grande momento de perda para o mundo. Um escritor morre quando não escreve. Essa é uma verdade que todos os escritores, reconhecidos ou anônimos sabemos. Não escrever é a verdadeira morte do escritor. Parar o coração só revela a morte física.

E ontem, 17 de abril de 2014, o coração de Garcia Márquez parou e seus pulmões deixaram de respirar, seu corpo cessou as atividades vitais como uma árvore carregada de frutos, já idosa e fragilizada, é quebrada pelo vento. O escritor descansa depois de uma vida frutífera.

Na sua obra mais reconhecida, Cem anos de solidão, memória e esquecimento fazem parte de um dos primeiros capítulos do livro, quando os habitantes de Macondo ficam com insônia e "Foi Aureliano quem concebeu a fórmula que havia de defende-los, durante vários meses, das evocações da memória. (...) Um dia, estava procurando a pequena bigorna que utilizava para laminar os metais, e não se lembrou do seu nome. Aureliano escreveu o nome num papel que pregou com cola na base da bigorninha(...) Em todas as coisas haviam escrito lembretes para memorizar os objetos e os sentimentos."

O terrível mal acaba quando Melquíades, o cigano visita a cidade. Ele abre a mala, tira uma maleta com muitos frascos e da para beber a seu amigo José Arcadio Buendía, "uma substância de cor suave, e a luz se fez na sua memória".

Garcia Márquez escreveu livros, fez cinema, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. Consagrou o seu estilo, mas a crítica ficou dividida. Alguns o consideraram um escritor irregular. Sua obra completa mostra momentos de genialidade e momentos menos inspirados. Mas, os livro "Cem anos de solidão" de Garcia Márquez e "Pedro Páramo" de Juan Rulfo são considerados os melhores romances da língua hispano-americana, grandes obras do realismo mágico. Por isso a obra de Garcia Márquez não cairá no esquecimento, porque tem o sabor do trabalho realizado com os movimentos de sua alma.
Isabel Furini é escritora e poeta.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A capivara, a tartaruga e o presente de Páscoa - Poema de Isabel Furini


Estava doente a capivara
E não podia comer chocolate.
Por isso, nessa Páscoa
Ela ganhou um abacate
Um bolo de morango
E uma torta de tomates.

A tartaruga percebeu
Que a capivara chorava,
E chamou o avô Tartaruga.
O vovô era sapateiro,
Ele no nariz tinha uma verruga,
Mas era um idoso bondoso.

O vô Tartaruga disse com voz calma:
- Vou presentear a capivara
Com este sapato de couro:
Este sapato anima,
pois é a minha obra prima.

A capivara recebeu os sapatos
E secou as lágrimas.
Ela ficou muito agradecida:
- Obrigada, vovô Tartaruga.

E o vovô Tartaruga falou:
- Por favor, jovem capivara
não conte para ninguém
sobre os sapatos,
eu prefiro ficar no anonimato.



Isabel Furini




"Paco de Lucía" - poema de Isabel Furini - quadro de J.Bonatto

POEMA PARA PACO DE LUCÍA 
Tu guitarra relucía
en tierras de Andalucía
y de allí conquistó el mundo.

Porque tu guitarra tenía
sentimentos tan profundos
que sacudía las aguas
insensibles de este mundo.

Poema de Isabel Furini



Traduzido ao idioma português:

POEMA PARA PACO DE LUCÍA 

Seu violão reluzia
nas terras de Andaluzia
e de lá conquistou o mundo.

Porque seu violão tinha
sentimentos tão profundos
que sacudia as águas
insensíveis deste mundo.
Isabel Furini



O artista plástico J.Bonatto, autor do retrato de Paco de Lucía e o curador Carlos Zemek, na abertura da exposição de Arte e Poesia "Encantos de España", que permancerá no Instituto Cervantes até 10 de junho/2014. 

sábado, 12 de abril de 2014

EL LLANTO DE MANOLA

EL LLANTO DE MANOLA
Descubrimos un oscuro baúl en la playa de la subjetividad,
entre las arenas de las recordaciones.

El baúl de los recuerdos ya fue descubierto,
contemplado,
sitiado,
atrapado,
arrumbado por gaviotas (hembras),
bellas,
aladas,
cleptómanas de sueños.

Irreflexivas jóvenes danzan
y despiertan sueños dormidos,
sueños de danza y de vino
y el llanto de Manola.

Solamente quedaron las fotografías
como monólogo arcaico de su juventud.

Poema de Isabel Furini - Contato: isabelfurini@hotmail.com





Foto artística de Arrieta Rangel de Abreu del Proyecto SemeARTE
Esa foto fue sacada en la abertura de la exposición "Encantos de España", comisaria de Carlos Zemek, en el Instituto Cervantes de Curitiba. Danza flamenca de Maria Isabel (profesora del Instituto).

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Medalhas Mérito Cultural para Celia Dunker, Gerson Delliano, Jul Leardini e Miguel Almada

Hoje, 10 de abril, a partir das 19 horas, no Instituto Cervantes de Curitiba, na abertura da exposição "Encantos de España", receberão Medalhas de Honra Mérito Cultural a professora e artista plástica Celia Dunker, o filósofo, professor, o ator de teatro e TV. professor Gerson Delliano, diretor de teatro e promotor cultural Jul Leardini, o poeta Miguel Almada da Academia Campolarguense de Poesia.
Eles são de áreas diferentes,  e as incentivam as pessoas, promovem atividades culturais, formam novos artistas, ou seja, são batalhadores incansáveis do mundo da Arte.

Para eles, uma singela homenagem.

A professora Celia Dunker reuniu seus alunos para participar de várias exposições.
Ela, além de lecionar,  luta para que seus alunos possam crescer como artistas.


Gerson Delliano é ator de teatro e de TV., diretor de teatro, e também realiza cursos na área de teatro, incentivando os novos atores e abrindo espaços para que possam crescer.
Jul Leardini, é professor, filósofo, ator, declamador e diretor de teatro. Ele sempre lutou em prol dos artistas em diversas instituições. 


Miguel Almada, é poeta e escritor e um dos fundadores da Academia Campolarguense da Poesia.

terça-feira, 1 de abril de 2014

7º Concurso Internacional Poetizar o Mundo - Livro de poemas publicado

ORGANIZADORAS: Isabel Furini e Vanice Ferreira

Livro de poema - obra publicada em 2013, em língua portuguesa, em qualquer lugar do mundo.

Regulamento
1) O Concurso de Poemas tem como objetivo estimular a produção literária e é destinado a todas as pessoas maiores de 18 anos, que enviem dois exemplares de um livro de poemas de sua autoria publicado em 2013, em qualquer lugar do mundo, em língua portuguesa.

2) O assunto do livro é livre, a inscrição é gratuita e poderá ser feita de 10 de abril/2014 até 15 de agosto/2014.


3) Cada concorrente poderá participar com apenas uma obra.


4) Pode ser apresentado qualquer livro de poemas publicado em 2013, que não tenha sido premiado em outro concurso. No livro pode estar incluído até 3 poemas premiados.


5) Consideram-se inscritas as obras enviadas para o seguinte endereço: Vanice Ferreira, Concurso Internacional Poetizar o Mundo, Rua: Alferes Alfredo Antônio Müller, 336. Bairro: Bacacheri - Conjunto Solar CEP: 82.600-500 Curitiba-Paraná


6) O autor deverá enviar em um envelope os dois (2) exemplares do livro de poemas e uma folha com o nome completo do autor, seu endereço, e-mail, telefone e resumo de currículo. Os exemplares enviados não serão devolvidos.


7) A comissão julgadora será composta por quatro jurados: a poeta Andréa Motta (Presidente da UBT - Curitiba e Vice-Presidente da Academia Paranaense da Poesia), a poeta Isabel Furini, o poeta Jocelino Freitas a poeta e professora Vanice Ferreira.



8) Premiação: o primeiro lugar receberá troféu e diploma. O segundo e terceiro lugares receberão diploma e medalha simbólica.


9) O resultado do concurso será divulgado em 15 de SETEMBRO/2014, em sites literários da Internet e nos blogues: www.isabelfurini.blogspot.com/ 

 poetizaromundo.blogspot.com.br/

10) Em 10 de abril/2014, no lançamento do concurso, serão homenageados com medalhas comemorativas três personalidades que trabalham em prol da cultura: o professor e gestor cultural Daufen Bach, editor da revista virtual Biografias, a professora, jornalista cultural e artista plástica Katia Velo e o poeta Miguel Almada, da Academia Campograndense de Poesia, .



11º) O encaminhamento dos trabalhos na forma prevista neste regulamento implica concordância com as disposições nele consignadas.


***













6º Concurso Internacional Poetizar o Mundo


Poema Minimalista



Organizadora: escritora e poeta Isabel F. Furini, autora do livro de poemas "Os Corvos de Van Gogh" da editora Instituto Memória.

Regulamento – Ano 2014


1) O Concurso de Poemas tem como objetivo estimular a produção literária e é destinado a todas as pessoas maiores de 18 anos, de qualquer lugar do mundo, que apresentem um poema minimalista inédito e escrito em português.

2) O tema é livre, a inscrição é gratuita e poderá ser feita de 10 de abril/2014 até 15 de agosto/2014.



3) Cada concorrente poderá participar com apenas um poema minimalista (até 5 versos ou linhas).


4) O poema deverá ser inédito (ou seja, ainda não impresso em papel, nem publicado na internet), que não tenha sido premiado em outro concurso. Máximo de 5 (cinco) linhas, com título, escrito em língua portuguesa, digitado em espaço 2 (dois), com fonte Arial ou similar, tamanho 12 (doze).


5) Consideram-se inscritas as obras enviadas para o e-mail: isabelfurini@hotmail.com - Deve ser enviado no corpo do e-mail sem anexo. Anexos não serão abertos. Em "assunto": 6º Concurso Internacional "Poetizar o Mundo".


6) Deverá constar no final: nome completo do autor, seu endereço, e-mail, telefone fixo e telefone celular, além de 4 ou 5 linhas de currículo.


7) A comissão julgadora será composta por quatro jurados: o poeta Alexsander Pontes, a poeta Andréa Motta (Presidente da UBT - Curitiba e Vice-Presidente da Academia Paranaense da Poesia), a poeta e professora Vanice Ferreira e o escritor e poeta Rodrigo Domit.



8) Premiação: o primeiro lugar receberá troféu e diploma. O segundo e terceiro lugares receberão diplomas.



9) Os poemas ganhadores com os nomes de seus autores serão publicados nos blogues: www.isabelfurini.blogspot.com/

http://poetizaromundo.blogspot.com.br/ no dia 15 de setembro de 2014.

10) Em 10 de abril/2014, no lançamento do concurso, serão homenageados com medalhas comemorativas quatro personalidades que trabalham em prol da cultura: o ator, professor de teatro e diretor Gerson Delliano, a professora Celia Dunker e o professor, filósofo, escritor, e diretor de teatro Julmar Leardini.



11º) O encaminhamento dos trabalhos na forma prevista neste regulamento implica concordância com as disposições nele consignadas.




***

O dançarino trapalhão (poema infantil de Isabel Furini - Tela de Elieder Corrêa da Silva)

João perguntou:
- Vamos dançar, minha querida?

E respondeu sua namorada
- Sim, João, mas lembre-se
que meus pés não são de gelatina.

-João, vamos dançar flamenco,
pois quando dançamos bolero
você pisa e machuca os dedos
de meus pés
e eu sinto que fui mordida
por um enorme jacaré. 

Poema de Isabel Furini - Contato: isabelfurini@hotmail.com

Quadro da artista plástica Elieder Corrêa da Silva.

Brinquedos (poema infantil de Isabel Furini)

A menina está brincando.
Brinca, brinca a menina,
ela tem lindos brinquedos
presentes que recebeu de sua tia.

São bonecas e bichinhos:
macaco, urso e leão,
também tem um cachorrinho
que ela ama de coração.

Poema de Isabel Furini - Contato: isabelfurini@hotmail.com

sábado, 15 de março de 2014

POETAS ANTIGOS (Poema de Isabel Furini)


Antigamente os poetas
eram como corvos:
paradoxais e taciturnos.
Eram como caminhos escuros e misteriosos,
constelações com estranhos augúrios.

Antigamente os poetas eram silenciosos
como Gárgulas de pedra,
eram orgulhosos como os leões
e como os oceanos
                    - misteriosos e profundos.

Esses poetas antigos eram loucos e misteriosos e apaixonados
e rebeldes e misantropos e magníficos!

Loucos - loucos de amor pela poesia
construíam com sonhos e emoções
suas rimas loucas e intempestivas.
Alguns (como Estácio de Sá, Alfonsina Storni e Flor Espanca)
desafiaram com suas impressionantes versos o tétrico rio Estígia
e a barca de Caronte.
Doentes de solidão
 tatuaram nas areias do deserto
 a própria vida e a própria morte
com a serpente letal da poesia.
Poema de Isabel Furini


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