terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Amor II, III, IV, V (Poemas de Isabel Furini)


O AMOR II

Tudo canta.
A fonte de água clara,
o deserto, a montanha,
as árvores do campo
e a chuva na vidraça.

O tamborilar
dos dedos
é uma sinfonia.

Tudo muda.
O mago amor
transforma
o mundo em poesia!

Isabel Furini



São olhares, são beijos,
 a mão que aperta
e sente que a solidão
para sempre foi morta.
 Não estou sozinho, não!
É o grito primitivo
do verdadeiro amante
que volta do passado
e encontra na mão amiga
o bálsamo constante,
para acalmar sua carência e sua dor.

Isabel Furini




Os amantes se encontram!
Luz de pirilampos
a iluminar a noite...
As estrelas titilam
ao mais breve toque
e se os corpos se enlaçam
om paixão e veemência.

O orvalho da manhã
cobre de amor as praças
e os pássaros cantam
e levantam as asas
em vôos fortes e rápidos,
de poderosas águias.

Isabel Furini

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Éramos -Poema e Isabel Furini

Arte digital de Carlos Zemek



ÉRAMOS

Antes de nascer
éramos alma
      - flores puras
pura alegria
do jardim de Deus.

Isabel Furini

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

SOL - Poema de Isabel Furini


SOL

o Sol vence a bruma
é ilumina a praia
a areia e a espuma

de noite ou de dia
que o Sol da alegria
consuma as tristezas.

Isabel Furini

sábado, 18 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O GATO GUITARRISTA (Poema de Isabel Furini)

O GATO GUITARRISTA

Tobias é um gato mimado
Ele quer ser trapezista.

Por isso está sempre treinando
E subindo no telhado.

O Tobias é um lindo gato,
Mas ele tem suas fobias.

E quando foi ao circo
Tentou subir no trapézio,

Mas começou a chorar,
Ao perceber que não conseguia.

Um velho amigo falou:
- Você pode ser guitarrista.

Tobias fez curso de música,
E o gato tinha talento.

Hoje é de um grupo de rock
E na Tv. fez um depoimento:

- Existem muitos caminhos,
Cada gato tem seu dom.

Nunca seja derrotista!
Eu queria ser trapezista...

Mas hoje sou muito feliz,
pois sou um grande guitarrista.

Isabel Furini - e-mail: isabelfurini@hotmail.com





quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Estudos sobre a identidade cultural poetisa Isabel Furini - por Maria de Fátima Gonçalves

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO GRANDE DO NORTE
CURSO: Literatura e Ensino (especialização)
DISCIPLINA DE PÓS-GRADUAÇÃO: Estudos Culturais
PROFESSORES: Francisco Leandro, João Batista e Maria Eliane
Discente: Maria de Fátima Gonçalves
ATIVIDADE AVALIATIVA DO MÓDULO IV: Minicurso
TITULO DE MINICURSO: Estudos sobre a identidade cultural da escritora e poetisa Isabel Furini na perspectiva de identidade cultural pós- moderna.
             I ENCONTRO SOBRE LITERATURA E ESTUDOS CULTURAIS
                                                         
                                                                  ***

PROFESSORA RESPONSÁVEL: Maria de Fátima Gonçalves

                                                           E-mail: fatimamare@bol.com.br

Mini Currículo: graduada em pedagogia (UFRN) pós graduanda (especialização) em Literatura e ensino (IFRN) professora e poetisa. Com poemas publicados no site Recanto das Letras e no Blog da escritora poetisa e educadora Isabel Furini.

INSTITUIÇÃO DO RESPONSÁVEL: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte

TÍTULO: Estudos sobre a identidade cultural da escritora e poetisa Isabel Furini na perspectiva de identidade cultural pós- moderna.

PÚBLICO-ALVO: estudante da Educação Básica (Ensino Médio)

NÚMERO MÁXIMO DE PARTICIPANTES: 50 estudantes.

OBJETIVO(S):

Entender os três tipos de identidades (Iluminismo, sociológica e pós-moderna) situadas por Stuart Hall;
Ter acesso a biografia e obras literárias (poemas, crônicas e contos) da escritora Isabel Furini;
Saber identificar elementos das estruturas dos textos como fatores que definem a identidade da escritora como pós- moderna;
Assimilar as ideias da escritora, Isabel Furini por entrevista concedida via email no que toca a ideia de identidade nacional, local, comunitária no processo do estágio da globalização;
Entender a postura da escritora ao articular os contextos literários: antigo e de tradição numa realidade contemporânea.

EMENTA:

Identidade cultural pós-modernidade (sujeito do Iluminismo, sujeito sociológico e sujeito pó- moderno);
Uma síntese biográfica da escritora Isabel Furini contendo os principais dados pessoais e profissionais;
Uma breve análise sobre o livro “A BARCA DE RÁ - POEMAS DA TRAVESSIA DOS PERSONAGENS MORTOS PELOS PORTAIS DAS 12 HORAS”.
Estudos dos poemas (“PRANTO INDÍGENA” E “GENTIL GESTO”) e a crônica (“AMOR UNIVERSAL NA LÍNGUA”).
Exposição da entrevista com a escritora concedida via e-mail (a respeito da identidade pós-moderna considerando a questão da identidade nacional, regional, local e comunitária no mundo global).
Vídeo com duração de 2 minutos sobre exposição e lançamento do livro “Outros silêncios”.
Dinâmica de identidade e valores.

JUSTIFICATIVA: 

O presente trabalho tem como finalidade primordial desenvolver um pensamento crítico reflexivo a partir de uma articulação do saber teórico e prático no que diz respeito às identidades culturais abordadas por Stuart Hall considerando estudos realizados sobre a ou as identidades da escritora e poetisa Isabel Furini na perspectiva de uma identidade literária pós-moderna. Os referidos estudos foram realizados a partir de leituras e análises de algumas obras literárias (poemas, contos e crônicas assim como também entrevista semi-estrutural concedida via E-meil e leitura biográfica da autora).  É inquestionável a importância da literatura para a construção de identidades do sujeito enquanto intelectual principalmente no que toca à literatura regional, local, comunitária e nacional, todavia sabemos que o período histórico contemporâneo ou pós-moderno traz características bem pertinentes a uma aldeia global em que as culturas nacionais vão cada vez mais se hibridizando e dando espaço para múltiplas identidades de plurais referências. Sendo assim, este minicurso objetiva desenvolver um estudo articulado literatura, estudos culturais e identidade pós-moderna tendo como saber prático a realidade dos escritos literários (obras) da escritora e poetisa Isabel Furini com um olhar dirigido para a identificação de uma identidade pós-modernidade sem desprezar um posicionamento crítico acerca dos pontos negativos e positivos do fenômeno globalização na concepção de literatura e estudos culturais.

METODOLOGIA:

Aula do dia 20/02/2017, será ministrada em dois momentos o primeiro iniciará com uma dinâmica sobre identidade e valores, logo após será exposto em slides o conteúdo sobre tipos de identidades na visão de Stuart Hall (aula expositiva dialogada) intervalo de 10 minutos em seguida será exposto em slides à biografia da escritora Isabel Furini e entrega de uma cópia em papel ofício 4A da crônica (“AMOR UNIVERSAL NA LÍNGUA”) para a turma. E também exposição de um roteiro de leitura contemplados os aspectos internos e externos da obra. Será solicitado à turma que se divida em grupos com no máximo 10 componentes. Cada grupo vai ler a crônica e registrar em uma folha as impressões da obra que leva a autora a ser identificada como escritora de identidade pós-moderna. Será escolhido por cada grupo um componente do grupo para compartilhar para todos os participantes os registros feitos em grupos. A aula será finalizada com uma breve análise do livro em PDF “A BARCA DE RÁ - POEMAS DA TRAVESSIA DOS PERSONAGENS MORTOS PELOS PORTAIS DAS 12HORA" e disponibilizada o link o qual o livro pode ser acessado para os participantes lerem como atividade extraclasse.
Aula do dia 21/02/2017, será ministrada em dois momentos o primeiro os participantes vão expor suas impressões sobre a leitura do livro sugerido como leitura extra classe, logo em seguida será exposto em slides uma entrevista semi estrutural  feita pela ministrante do minicurso via email com a escritora. Depois da exposição da entrevista será aberto um momento de 30 a 40 minutos para discussão acerca do conteúdo da entrevista. Após esse momento será entregue aos participantes dois poemas intitulados “Pranto Indígena” e “Gentil Gesto” em papel ofício 4A para os participantes lerem e fazer uma análise acerca da identificação de identidade da escritora enquanto  nacional e global tendo como embasamento teórico os tipos de identidades situadas por Stuart Hall e a entrevista à qual se refere mais a questão de identidade regional,  local, comunitária e nacional articulando com o contexto atual da globalização. O encerramento da aula se dará com a exposição de um vídeo o qual a escritora Isabel Furini falar sobre a publicação de mais um livro (“Outros Silêncios”) de sua autoria assim como também traz uma exposição de artes plásticas com o mesmo tema do título do livro.

EQUIPAMENTOS E MATERIAIS NECESSÁRIOS:
Data show, notebook, folha de papel ofício 4A.

LOCAL: Sala de aula B do setor I IFRN central
Avenida Salgado Filho, Tirol Natal-RN

DATA DO MINICURSO:
De 20 a 21 de fevereiro de 2017, no horário vespertino de 13h. 30 min às 17h. 30 min.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
Poemas: Pranto indígena, Chapéus e Gentil Gesto. Disponível em: https://www.facebook.com/comendadoraisabelfurini/ acessado em: 30 de jan de 2017.
Crônica: Amor universal na língua. Disponível em: Isabelfurini.blogspot.com acessado em 29 de Jan de 2017
Vídeo YouTube: exposição e lançamento do livro “Outros Silêncios” publicado em 10 de Jun de 2015. Entrevista concedida a TV educativa Paraná.
Livro: A BARCA DE RÁ - POEMAS DA TRAVESSIA DOS PERSONAGENS MORTOS PELOS PORTAIS DAS 12 HORA". PDF  Disponível em:
http://revistacazemek.blogspot.com.br/2017/01/livro-de-poemas-barca-de-ra.html: acessado em 26 de Jan de 2017.
GONÇALVES, Ana Maria e PERPÉTUO, Susan Chiode: Dinâmica de grupos na formação de lideranças, Ed. DP & A, 1998.
Livro em PDF Stuart Hall: Identidade cultural pós- modernidade. Disponível em:
https://comunicacaoeesporte.files.wordpress.com/2010/10/hall-stuart-a-identidade-cultural-na-pos-modernidade.pdf.
Biografia de Isabel Furini. Disponível em:
https://sitedepoesias.com/poetas/IsabelFurini, acessado em: 03 de fev. de 2017.

ANEXO:

PRANTO INDÍGENA
Cadê nossas pegadas
Nas areias do mundo?
Em um grande buraco serão enterrados
Nossos corpos
e chorarão às árvores, as estrelas e o rio.
Isabel Furini

GENTIL GESTO
No mundo globalizado
Vivemos famintos de palavras
e de amizades.
Traços sombrios percorrem as cidades.
Estranhos rostos subentendidos
na sombras das árvores das calçadas.
O medo agita os corações.
De repente, surge um gesto amistoso
e é reorganizado o ritmo das emoções.
Isabel Furini

CHAPÉUS
Nos espelhos ancoram
oceanos de emoções
e podem refletir
sua essência nos espelhos,
mas preferem
espelhar-se no infinito.
Isabel Furini

OBS: (poema “CHAPÉUS” foi utilizado na dinâmica sobre identidade e valores)

AMOR UNIVERSAL NA LÍNGUA (CRÔNICA)
É assim como uma amiga chama o fato de escrever frases positivas, repetir, enviar por e-mail, pelo Twitter, pelo Facebook, de maneira quase obsessiva, mas não resistir a uma opinião diferente. Muito amor, muita paz, muita boa vontade, até que alguém expresse uma ideia contrária a deles, nesse momento “o amor universal” que estava na língua cai fora e aparece o verdadeiro eu, com suas raivas, frustrações e limitações.
Pessoalmente acho invasivo alguém bombardear o e-mail e a página nas redes sociais de outra pessoa para divulgar as próprias ideias, sejam religiosas, políticas ou positivas. É o fanatismo de querer impor uma maneira de pensar aos outros. A máscara pode ser o amor universal, mas atrás da máscara está o desejo de impor um determinado ponto de vista.
Isso me faz lembrar uma tira cômica que vi há algum tempo. O primeiro desenho mostra dois grupos de pessoas em lados opostos de uma rua, ambos os grupos com cartazes dizendo “Paz”. No segundo momento, os dois grupos se encontram e brigam porque cada grupo acha que está divulgando a verdadeira paz.
Enfim, nesta época, além da ditadura da beleza, temos que suportar a ditadura da felicidade… Sim, porque há pessoas que exigem que os outros sejam felizes o tempo todo, como se isso fosse possível. Mas é só mexer um pouquinho na tinta das letras para ver o eu humano, limitado, frágil, impermanentemente buscando o carinho, a aprovação ou simplesmente o aplauso.

* Isabel Furini é escritora e poeta premiada, autora de "Escrevendo Crônicas: Dicas e Truques".

Dinâmica Identidade e Valores (poesia musica e crônica)
Finalidade: Consiste em ouvir uma poesia e/ou música para ajudar na introdução de um assunto ou de uma vivência subjetiva.
Material: Letra (cópia xerográfica ou mimeografada) de uma poesia ou canção.
Descrição da dinâmica:
Escolher uma poesia ou canção sobre o tema a ser trabalhado.
Dividir os participantes em grupos.
Cada um lê em voz baixa, murmurando.
Escolher a palavra que mais marcou, em cada estrofe.
Gritar essas palavras juntas, bem alto. Depois bem baixo, até se calar.
Andando, procurar sua “palavra-sentimento” com outra pessoa do grupo.
Explique, sinta, expresse, toque.
No seu grupo, responda o que você faria com esse sentimento-palavra trocada.
O grupo deve montar uma história com os sentimentos trocados e com a poesia recebida.
Cada grupo apresenta no grupão sua história de maneira bem criativa.
Buscar o que há de comum em todas as histórias.
Comentários:
Este trabalho leva à reflexão de um tema/assunto, abrindo um espaço para que as pessoas falem de um assunto sob diferentes olhares.
Contribui para o desenvolvimento da expressão verbal e do trabalho coletivo.

Fátima Gonçalves e  Luciane Terra

ENTREVISTA

Entrevistada: Isabel Florinda Furini (Escritora e poetisa)
Entrevistadora: Maria de Fátima Gonçalves (Professora e discente de pós-graduação).

 Profª: "As identidades nacionais não são coisas com as quais nós nascemos, mas são formadas e transformadas no interior de uma representação". Considerando essa afirmativa de Stuart Hall e sabendo que você já habitou em três países (Argentina, Colômbia e atualmente Brasil) você tem identidades nacionais e de qual país? Ou suas identidades nacionais são hibridizadas (surgimento de novas identidades multireferenciais)?
Esctª: Uma poesia de Mário Quintana pode responder a sua pergunta: “Não importa que a tenham demolido. A gente continua morando na velha casa em que nasceu”. Os primeiros anos de vida são os que formam a personalidade do ser humano. Você pode adquirir hábitos diferentes conhecendo outros países, seus usos e costumes, mas no mais profundo do ser, as primeiras lições e os primeiros exemplos recebidos estão sempre vivos e pulsantes.

Profª: É sabido que a literatura nacional, regional, local e comunitária são elementos importantíssimos para a construção da identidade intelectual do indivíduo. Considerando essa realidade qual a sua visão enquanto escritora no que tange às consequências da globalização?
Esctª: Já nos primeiros graus do ensino fundamental começamos a estudar a história da humanidade. Geralmente, aprendemos sobre guerras, como se levantaram e como caíram os impérios da antiguidade. A história da humanidade é permeada de violência. A globalização, apesar de receber inúmeras críticas, é um esforço para que o ser humano perceba que mesmo com as diferenças podemos conviver pacificamente com outros povos.
A literatura é um espelho do mundo e quando ele muda, a literatura também precisa ser modificada. A globalização exige que o escritor seja um observador arguto.  O mundo atual é veloz, dinâmico, que permite muita interação através das redes sociais. Consequentemente, a literatura também mudou suas características. Na literatura atual se fala de desconstrução do texto. O texto certinho ficou no passado. A preferência pelo tempo labiríntico (oposto ao tempo linear), a construção polifônica, o jogo linguístico, fala das diferenças com a literatura clássica. O miniconto, por exemplo, é típico desta época.
O escritor precisa reconhecer os elementos que mudam no mundo.  Nesta época de globalização o olhar do escritor precisa ser semelhante ao do psicólogo e do sociólogo, para que seus personagens espelhem as mudanças comportamentais da sociedade.

Profª: O mero fato da sua identidade enquanto escritora ser pó- moderna (não fixa, não unificada, não individual no sentido do eu ser o centro da razão, mas sim em processo contraditório e transitório, de plural identidade que tem o futuro como perspectiva de visão é não o passado este específico do sujeito da Identidade do Iluminismo ou tradição) não lhe impede de fazer articulações literárias com as identidades culturais do período histórico antigo e da tradição? Justifique.
Esctª: O homem faz parte dessa roda que é a história. O escritor não pode se fechar em seu mundinho, em seu espaço-tempo. Ele tem a possibilidade de alimentar seu mundo ficcional com elementos do passado ou do futuro. O importante é recriar o ontem, ou seja, trabalhar o texto para que o passado histórico se torne um passado ficcional. A crônica trabalha com elementos do dia a dia, mas o conto, o romance, a poesia, podem afastar-se do cotidiano e recriar mundos imaginários.

Profª: Qual o propósito comunicativo para com os leitores da sua obra "A BARCA DE RÁ - POEMAS DA TRAVESSIA DOS PERSONAGENS MORTOS PELOS PORTAIS DAS 12HORA"?
Esctª: A fantasia não pode ter limites. O autor precisa de liberdade para se mover no tempo e no espaço. Essa obra está construída de maneira polifônica. Existe união de elementos: A barca de Rá, (mitologia egípcia), o Coral que em cada capítulo interrompe a narrativa - lembra o teatro grego - e no final de cada capítulo aparece a fala de alguns personagens de livros marcantes, entre eles: “Pedro Páramo” de Juan Rulfo; Úrsula de “Cem Anos de Solidão” de Garcia Márquez,  Ofélia (de “Hamlet”) de Shakespeare, entre outros. O medo desses personagens é cair no esquecimento, morrer. A pergunta fundamental é. Se o mundo caminha para a exacerbação do consumismo e da tecnologia, será que os personagens resistirão ou morrerão?

Profª: Qual a intencionalidade da escritora ao trazer uma ficção literária dentro de outra ficção de um contexto da antiguidade e da tradição para um contexto contemporâneo?
Esctª: O mundo exterior foi mudado com a tecnologia. Mudou também nossa maneira de viajar, de vestir e de nos comunicarmos. Mas o ser psicológico teve poucas mudanças: os instintos, as emoções, continuam dominando a vida humana. Só que o homem aprendeu a racionalizar, a mudar as perspectivas. Por exemplo: se você está em um shopping e um homem com um revólver ameaça as pessoas, elas correrão sem pensar para onde estão indo. O instinto as levará a afastar-se o mais rápido possível do perigo. Todos correrão juntos: o ator famoso, a diarista, o respeitado juiz, a secretária, o pedreiro, o médico, a pedagoga, o desempregado... Pessoas de diferentes idades, sexos, condição econômica, social ou profissional terão a mesma atitude: fugir. É o comportamento imposto pelo instinto de sobrevivência. Ou seja, os instintos permanecem através do tempo. O egípcio antigo vivia a ficção de seus deuses, mas o homem moderno também vive uma ficção: a ficção da tecnologia e da invulnerabilidade. Procura segurança (isso é instinto), e sente-se seguro com uma conta bancária forte, com uma bela casa com muros, enfim, acha que está sempre enganando e driblando a morte. Nossa ficção contemporânea faz com que adolescentes corram o risco de se machucar e até morrer tirando selfies em locais perigosos. Isso porque o ser humano tem a capacidade de fabular, e esse poder fala ao ouvido do jovem que é preciso tirar uma foto especial para ter muitas curtidas. Essa selfie pode lhe dar visibilidade. Desejará o jovem ser aplaudido? Ser amado? Aquele homem que vivia no Antigo Egito não tinha celular, nem internet, mas também queria ser admirado e amado. Talvez alguns jovens morreram ao atravessar o rio Nilo nadando para despertar a admiração de seus amigos ou o amor de uma mulher.
Em síntese: o livro A barca de Rá tenta resgatar esse encantamento, essa ficção da qual todos fazemos parte.

Profª: Tem como você falar um pouco sobre os símbolos e as diferentes cores que compõem cada capítulo do livro?
Esctª: O símbolo que escolhi foi Amon-Rá, que é um símbolo solar. No centro está o Sol ladeado por duas serpentes, e pelas asas. Como era um dos símbolos do poder do faraó, decidi usá-lo ao iniciar cada capítulo. Para que a imagem não fique cansativa mudei as cores com um programa do computador. Mas foi só com essa finalidade, não tendo nenhuma relação com a simbologia do Amon-Rá. Na Mitologia do Antigo Egito o dia era dividido em quatro partes: o nascer do sol, o meio-dia, o pôr do sol e a noite. Os egípcios imaginavam que à noite o Sol viajava em um barco rumo ao leste. Nessa viagem ao mundo das sombras, tinham de lutar contra Apópis, a serpente do mundo inferior que tentava devorá-los. De manhã o Sol triunfante aparecia no céu e se iniciava uma nova jornada. Durante a noite a barca de Rá enfrentava diferentes desafios. Cada hora era representada como um portal. Nesse mundo criado pela imaginação dos egípcios coloquei os personagens de alguns livros. Eles são chamados para fazer parte da viagem. Cada um deles carrega a sina designada pelo autor. Cada personagem é um ser fixo, estático, criado por um escritor, mas possui o poder de desafiar a nossa imaginação e de nos emocionar.


Isabel Furini no lançamento de Vírgulas e outros Silêncios
                                                                           
BIOGRAFIA: Isabel Furini
Educadora e escritora, de nacionalidade argentina, escreve poemas desde criança. Suas poesias foram premiadas no Brasil, na Espanha e em Portugal. Publicou 35 livros, entre eles a Coleção \\\"A Corujinha e os Filósofos\\\" da Editora Bolsa Nacional do Livro, em 2006, \\\"Joana a Coruja Filósofa\\\" e \\\"O Grande Poeta\\\", para o público infantil. Publicou \\\"Os Corvos de Van Gogh\\\" e \\\", e Outros Silêncios\\\" (Poemas). Foi nomeada Embaixadora da Palavra pela Fundação Cesar Egido Serrano (Espanha); Embaixadora da Rima Jotabé, Espanha; recebeu Comenda Ordem de Figueiró e foi nomeada Embaixadora Internacional e Imortal da Poesia pela Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura do Brasil, em 2015.

                                                                  ***

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Casais (poema de Isabel Furini)

CASAIS

Pêndulo - extremos
de água de de fogo
de amores e de ódios

casais
mistérios fechados
cruzamento de olhares
talismãs

ternos cisnes branscos
em lagos sinuosos.

Isabel Furini


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Convite para participar da Antologia Mulheres pela Paz


As poetisas estão convidados para participar gratuitamente da Antologia Internacional extraordinária da Fénix  "MULHERES PELA PAZ", será publicada no mês de março, em Ausburg (Alemanha) em coordenação co a poeta e embaixadora da Paz Alexandra Magalhães Zeiner.
Os interessados devem enviar só um poema até 25 de fevereiro. Tema: Mulher - Mulheres pela Paz, para o e-mail:
micarmovasconcelos@gmail.com


sábado, 11 de fevereiro de 2017

MUTÁVEL (Poema de Isabel Furini)


MUTÁVEL

clamor de beijos na noite de areia
a dúvida eletrifica o espaço emocional
palavas agressivas desequilibram
o barco do carinho
míngua a ilusão como a Lua avançando
pelos cais do silêncio (quase vinho azedo)
palavras ofensivas cerceiam o afeto.

Isabel Furini

Calçada - Poema de Isabel Furini


CALÇADA
os anos mumificaram amores
e trituraram esperanças
as cinzas se espalharam
e hoje com o olhar sombrio
ando pela vida

o frio das horas açoita meu rosto
volto ao passado e vejo brincando
meu eu criança na velha calçada.

Isabel Furini

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Aos que Partiram II - Poesia de Isabel Furini



AOS QUE PARTIRAM II

O porto da ausência é porto de tristeza
um vazio invade a cavidade
do músculo cardíaco
palavras e saudades

as cores das flores
espelham nas retinas
naves de esperança.

Isabel Furini

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A bondade humana! Poema de Isabel Sprenger Ribas

A bondade humana!

(Fragmento)

...nada melhor, nem mais bonito,
qualidade subjetiva de alguém,
indimensionável dom
...oriunda, por certo,
da divindade,
a bondade humana
invade o coração e plana
...amplitude de Ser,
continuidade plena!

Isabel Sprenger Ribas

Renúncia?

Renunciar ao amor
não é renunciar ao beijo
nem aos abraços

renunciar ao amor
é endurecer os sentimentos
e expelir ódio

fechar os ouvidos
à voz da alma
e apontar as garras para esses...

para os menos favorecidos
e cuspir ódio contra as vítimas
(sem remorso)

e depois rezar
a um Mestre - Divino carpinteiro
e fingir que esse amor é verdadeiro.

Isabel Furini

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O MACACO-NARIGUDO (BULLYING) (Poema infantil de Isabel Furini)

Pobre macaco-narigudo!
Ficava silencioso e quieto
Enquanto as tigresas
Cantavam em dueto:

- Com esse nariz,
Ninguém pode ser feliz!

Um dia, numa festa,
O macaco sentiu um cheiro
E gritou: Vejam o candeeiro!
Tem fogo saindo da fresta.

As chamas cresciam
Tocando as cortinas.
E o terrível crocodilo chorava
Chorava lágrimas coloridas.

Os bichos que faziam bullying
Pensaram que fosse um jogo,
Mas o perigo perceberam
E assustados dali correram.

O macaco-narigudo corajoso
Enfrentou o fogo sozinho
Pra salvar um elefantinho
Que chorava todo manhoso.

Foi assim que a bicharada
Aprendeu esta lição:
Não julgar pelas aparências
- e ao macaco pediram perdão.

Isabel Furini - é poeta e educadora. e-mail: isabelfurini@hotmail.com
Fotografia: Charlesjsharp
Autor da fotografia: Charlesjsharp. (Please feel free to use any of these wildlife photos that I have uploaded to Wikimedia Commons, most of which are also in Wikipedia articles).
http://www.sharpphotography.co.uk/http://www.sharpphotography.co.uk/

sábado, 4 de fevereiro de 2017

AUTOCRÍTICA POÉTICA



AUTOCRÍTICA POÉTICA

deletou palavras
escreveu outras
e deletou alguns versos
- maldito ponto final - xingou

escreveu novos versos
(sonhou um outro universo)
apagou as primeiras linhas
eliminou
palavras e silêncios

sentiu depressão
frustração
- esse maldito ponto final!
xingou.

Isabel Furini




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Atelier de Desenho e Pintura Infantojuvenil

Inicia em  04/02 o atelier de Desenho e Pintura para crianças e adolescentes no Solar do Rosário.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Mundos Paralelos (Poesia de Isabel Furini)



MUNDOS PARALELOS

um deles usa as mãos
para pintar a sua alma
e o outro usa as palavras.

a poética das imagens
e a poética dos versos
podem criar novos traços
e dar forma
a imaginários universos.

Isabel Furini

Conjugação Verbal (Poesia de Isabel Furini)


CONJUGAÇÃO VERBAL

Avança
o eterno vento marinho
abre as portas
de um passado distante
e escreve versos flutuantes
sobre as flores vermelhas

nas novas vértebras do tempo
o vento renova antigos
sentimentos
e conjuga o verbo amar.

Isabel Furini


Fantasias (Poema de Isabel Furini)



FANTASIAS

paradoxais
sentimentos
perturbam
as sonhadoras cabeças

exóticas flores
do jardim da fantasia
perturbam o dia a dia

o vazio a plenitude
navagem nas retinas.

Isabel Furini
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