sexta-feira, 23 de junho de 2017

Afectos - Afectan (Poema en español de Isabel Furini)


Un nuevo amor permea los intersticios de los átomos
y orquesta el tiempo
en la dimensión de los afectos
(transitorios).

Danzan las gaviotas del amor más allá de las sombras,
danzan en los colores
de un cuadro expresionista
pintado por una artista loca
(lúdica recreación de amores).

Ella expresó la geografía emocional
de los chacales adormecidos
em la mente.
Sobre el lienzo
ululam imagenes e ideas paradojales.

La artista ríe en la soledad,
sus emociones
hacen temblar las amebas del tiempo.
Tiembla el corazón
mientras las manos pintan
y expresan
opacos sentimientos.

Isabel Furini

Arte digital de Isabel Furini

quinta-feira, 8 de junho de 2017

NOSSA FACE DO FACEBOOK SERÁ REAL? - Crônica de Isabel Furini

Eu tenho uma dúvida e gostaria de opiniões sobre o assunto: alguém sabe por que no Face as pessoas colocam insistentemente essas frases maravilhosas que ninguém consegue vivenciá-las. Porque AMAR é maravilhoso, e meu coração se divide em duas partes, amor e mais amor, e sempre o amor. Tem dias em que você acorda bem, tudo está certo, os caminhos estão abertos... Mas todos temos nossas idas e voltas, nossas voltas e idas...

Todos temos o dia de mau humor, sem sol, carranca de proa em nossas vidas que parecem sem destino.Penso às vezes que o Facebook foi uma iniciativa do mundo dos anjos. Sim, porque humanos têm alegrias e tristezas. Mas na internet todos são maravilhosos, todos estão sempre lindos, felizes, de bem com a vida, indo ou voltando da Europa, a viagem foi fascinante, a passeios incríveis, com festas glamorosas, olhares iluminados (desculpem, é o olhar do photoshop), mas parece que todos são anjos de amor. Será a face verdadeira? Por fim, a humanidade conseguiu dar um passo rumo ao paraíso? O mundo melhorou ou estamos nos enganando?

Será que aqueles "anjos" que escrevem no Facebook nunca acordam de manhã, vão até a garagem e descobrem que o carro não está mais? Ou que está com problemas e que não poderão usá-lo? O mundo “glamouroso” de um personagem, digamos, João. Ele precisa falar com o chefe, acalmar-se, ser objetivo. Não brigar com secretária que criticou sua roupa. Safada, o que ela sabe de moda? Ou com aquele novato que está doente, ou finge estar doente e soma o trabalho dele ao trabalho do João. João aproveita para falar com o gerente sobre esse pobre homem, melhor para o doente procurar outro emprego, não está preparado para enfrentar os desafios que a empresa exige.

Mas entendemos, João faz isso para ajudar esse pobre homem doente. Isso é amor universal – e justiça também, tem tantas pessoas preparadas para desafios que podem ocupar esse lugar. Por fim, horário de voltar para casa, suportar o cansaço do dia, os semáforos, as buzinas dos outros carros, o palavrão do cara de gravata que não suporta nem um minuto mais sem a sua cervejinha, e a fila de carros está separando-o da felicidade. Buzina e buzina. Os idiotas que abram passo, meu carro é mais potente! João pensa. Depois pensa em alguma frase positiva, enquanto xinga baixinho. Olha-se no espelho e tenta colocar posse de grande homem.

Nosso amigo de gravata vermelha chega à sua casa, bebe a sua cervejinha, o mundo parece voltar aos eixos. O mundo é tão bom, não é? Chegou a hora mais gostosa do dia, a ver criatividade! Venham já Musas, preciso uma frase bem positiva, uma frase de efeito para deixar com inveja os amigos do FACE, para que essa frase seja curtida, compartilhada, e... demore para ser esquecida.

Alguma frase positiva sobre amor, a paciência, o perdão, a fraternidade, sei lá, algo que me faça conseguir novos amigos. Porque o século XXI é de solidão, de profunda solidão.

Isabel Furini é escritora e poeta.
e-mail: isabelfurini@hotmail.com

terça-feira, 6 de junho de 2017

Descoberta (Poema de Isabel Furini)



DESCOBERTA

Na juventude amei as palavras
já adulta analisei as palavras
na velhice as palavras se esgotaram
e descobri o poder do silêncio.


Isabel Furini

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Cansaço - Poema de Isabel Furini

CANSAÇO

O idoso
desceu
e deitou no porão
para amarrar
o sapato das lembranças

mas o passado
escorregou
entre suas mãos

porque a mente
tem vários horizontes
mas o tempo
não conhece
o vaivém da contradança
e só avança.

Isabel Furini




O Véu

O VÉU

Na viagem da vida
os poema, as flores
e os sonhos arrasadores
são artifícios da alma para retirar o véu
revelar o seu lado oculto
e surpreender o nosso eu

esse eu
sempre obnubilado
com infantilidades.

Isabel Furini

O Elfo (Poema de Isabel Furini)

O ELFO

Rolou sobre uma flor
e iluminou suas pétalas

embelezou o amanhecer
com sua paleta
de emoções.

Isabel Furini


O Poço (Poema de Isabel Furini)

O POÇO

a Poesia é poço sem fundo
 (profunda loucura)
às vezes é euforia
e outras vezes é triste agonia

Poesia é trovão
que ensurdece as ruas
ou é vento galáctico
arrasando
o lado escuro da Lua.

Isabel Furini


Customização Poética (Poema de Isabel Furini)

CUSTOMIZAÇÃO POÉTICA

o poeta recria ilusões
e com velhas palavras
cria novas coreografias
poetiza afetos e desafetos
e na sua euforia
impulsiona a vida de antigos alfabetos.

Isabel Furini




quinta-feira, 1 de junho de 2017

Luz - Poema de Isabel Furini



LUZ

A saudade invade
o jardim emocional

sob o Sol do amor
o passado é transformado
em luz.

Isabel Furini

Motivação - Poema de Isabel Furini



MOTIVAÇÃO

Flores são sorrisos
que avançam
e atravessam o portal da vida

as flores guardam
a sabedoria antiga
por isso despertam
o amor e a calma
que dormem na alma.

Isabel Furini

sábado, 27 de maio de 2017

Paixões - Poema de Isabel Furini



PAIXÕES

Irredutível liberdade
dos amantes
universos
              de perfumes novos
a busca do prazer
a cada instante
a transformação da pele
em chamejantes
sensações de alegria.

Isabel Furini

Poetizando a Filosofia Grega (poema pedagógico)



Plato Silanion Musei Capitolini MC1377
Domínio Público - Wikipedia


Poema recomendável a partir de 11 anos de idade.

POETIZANDO A FILOSOFIA GREGA

olhava o céu e caminhava
o velho Tales de Mileto
quando caiu em um poço
e (muito esperançoso)
pensou na origem universo

o filósofo saiu do poço
teorizando os elementos
(água, terra, fogo e ar)
a origem das estrelas
ele queria encontrar

mas foi Platão – o filósofo
(e ex poeta)
que uniu a razão e a estética
o fundador da Academia
(que acreditava na vida eterna)
falou de "O Mito da Caverna"

desses seres com vazio existencial
amarrados à caverna
(de seus medos e incerteza)
tendo a simples alegria
de ver suas fotografias em alguma rede social

mas Platão não sabia
que muitos se matariam para conseguir
um selfie provocador
porque para Platão os humanos
foram separados – e somente o Amor
pode enobrecer o mundo quotidiano
e reunir essas almas que sofrem de solidão.

Isabel Furini

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Do amor ao ódio ao amor - Poema de Isabel Furini



DO AMOR AO ÓDIO AO AMOR


a serpente do rancor
envenena um poema
e sua toxicidade corrói os versos de amor

esse poema muda
a sua essência e a sua cor
agora é um poema feito de ódio e de rancor

arrependido o poeta
imprime um movimento veloz à sua caneta
e reescreve a palavra amor.

Isabel Furini

quarta-feira, 17 de maio de 2017

LAGOSTA (Poema infantil de Isabel Furini)


LAGOSTA

A lagosta dançarina
está muito apaixonada
pelo lindo peixe-palhaço.
Quando ele se aproxima
ela lhe dá
um forte abraço.

Isabel Furini

Chuva - Poema de Isabel Furini



CHUVA NA CIDADE

Sob a chuva
a cidade
é viajante do tempo e das horas
fiel espetadora
das águas do rio de Heráclito.

Isabel Furini

Semelhanças (Poema de Isabel Furini)


SEMELHANÇAS

O amor e a rosa
são dois seres
semelhantes

ambos são alegres
belos
e também ferem
os dedos
e a alma.

Isabel Furini

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Poemas de autores brasileiros na exposição de Buenos Aires



OS POEMAS DE: Clevane Pessoa, Maria da Glória Colucci, Angel Popovitz, Isabel Sprenger Ribas, Maria Antonieta Gonzaga Teixeira, Decio Romano, Elciana Goedert e
Sonia Andrea Mazza farão parte da exposição.








Escravidão (Poema de Isabel Furini)




ESCRAVIDÃO

flores, flores
essas flores
contornam os sentimentos
e agitadas pelos ventos
traduzem sombras e
amores
na vertigem do momento
porque as flores
e os homens
são só escravos do tempo.

Isabel Furini


sexta-feira, 12 de maio de 2017

O ator Edwin Luisi entrevistado por Isabel Furini



EDWIN LUISI é formado pela EAD (Escola de Arte Dramática) da USP.
Sua primeira novela foi ‘Camomila e Bem-me-quer’, da saudosa Ivani Ribeiro, produzida pela extinta TV Tupi entre 1972 e 1973.


Ao todo, são mais de 25 novelas de sucesso em sua passagem pela televisão, dentre elas algumas memoráveis como: ‘Escrava Isaura’ (que no ano passado comemorou 40 anos de sua exibição), ‘O Astro’, ‘Sétimo Sentido’, ‘Mulheres de Areia’ e ‘Sinhá Moça’, ambas na Rede Globo, ‘Dona Beija’ e ‘Tocaia Grande’, na extinta TV Machete e ‘Rebelde’ na Record TV.


Atualmente, além de "5 Homens e Um Segredo", o ator ensaia ‘Alair’ comemorando em grande estilo seus 45 anos de carreira. A peça homenageia o fotógrafo Alair Gomes (1921-1992), tem a direção de César Augusto e texto de Gustavo Pinheiro.

Você tem anos de trabalho nas áreas de teatro e Tv., na sua opinião que tipo de personagem exige mais concentração e mais trabalho do ator?

Eu tive a sorte de cursar a Escola de Arte Dramática em São Paulo, que era uma escola bastante séria, e tive a sorte também de no começo da minha carreira trabalhar com diretores extremamente consequentes, sérios, muito conceituados, que me ensinaram algumas lições que eu carrego ao longo da minha vida. Uma delas é ter muito respeito pelo público. É uma das regras básicas pra se fazer teatro. Em consequência desse respeito tudo pra mim passa a ter uma concentração muito grande pra fazer bem o trabalho, tanto na comédia que precisa de uma precisão cirúrgica, quanto no drama que precisa de uma concentração emocional muito grande. Eu fico extremamente concentrado a peça inteira, tanto na comédia, quanto no drama. Isso muito em respeito ao público e também em respeito a mim mesmo como ator.

Você tem sensação de maior liberdade quando trabalha no teatro ou quando trabalha na TV?
Sem sombra de dúvida, é no teatro onde o ator sente maior liberdade porque o espetáculo é dele. Ele ensaia dois meses sob o comando de um diretor e à medida que o pano abre o espetáculo é dele. Ele é dono do seu trabalho, ele é dono do seu desempenho. Na televisão não. Você depende de muitas coisas, né, porque tem a edição, tem a censura interna, o autor que escreve pra você um tipo de papel e no meio do caminho vai pra outra coisa. Você não é dono do teu papel. O público é dono do teu papel, né. As pesquisas de opiniões são donas do teu papel. Então é no teatro, à medida que estreia o ator é totalmente dono. E quando você é dono, você tem essa liberdade de poder achar que o trabalho é teu. Tanto que eu sempre digo que na televisão eu participo, o teatro eu faço.

Na sua opinião, quais são as características mais importantes para o crescimento de um ator de teatro?
Olha, são muitas as características, né. Eu acho que a característica te torna um grande ser humano, antes de mais nada. Você precisa ter uma série de qualidades pra desempenhar bem um papel. Você precisa ter cultura, inteligência, precisa ter muito poder de observação, generosidade, trabalho em equipe. Eu tive a sorte de ter sido atleta antes de ser ator. Então, todas as qualidades que um atleta precisa ter eu joguei para o teatro. É trabalho de grupo, é concentração, disciplina. Mas para o ator especificamente, eu acho que você tendo um grande poder de observação, você tendo inteligência, cultura, sensibilidade, apego ao próximo, respeito, tudo isso faz também de você um ser humano melhor. Eu acho que, quanto mais você cresce como ser humano, você crescerá como ator também.
3. Como foi realizada a escolha dos atores para a peça “5 Homens e um Segredo”?
Olha, essa peça foi comprada por um produtor aqui de São Paulo e Rio de Janeiro pra eu fizesse. Isso faz muito tempo, e eu não podia fazer pelo fato de que estava me engajando em outras peças. Aí, passaram dois anos, eu estava fazendo uma grande viagem quando o produtor falou: ‘ou é agora ou nunca’. Voltei de viagem, eu estava em Quito, no Peru, cheguei e fui ensaiar no mesmo dia. E o elenco já estava pronto. Eu preferia ter ajudado na escolha. Mas deu tudo certo, as pessoas são ótimas, a gente se adora, temos respeito enorme um pelo outro, todos nós nos admiramos, o que é bom. Somos cinco homens, há uma camaradagem masculina muito gostosa, e cada um foi escolhido, acredito, por características do personagem, né. Um teria que ser mais velho, que foi o Pirillo (Roberto) com um tipo de temperamento que servisse pra fazer um padre. O Bonow (Carlos) que é um cara muito grande e forte pra fazer um delegado gay, e assim por diante as coisas foram se encaixando normalmente. Mas quando eu cheguei o elenco estava pronto. Eu que queria ajudar na escolha porque a peça tinha sido comprada pra eu fazer. Enfim, deu tudo certo, estamos há um ano e meio em cartaz e nunca houve sequer um probleminha qualquer que a gente pudesse ficar desgastado uns com os outros. A gente se gosta muito mesmo.
Edwin Luisi e Lucélia Santos -  Escrava Isaura
- FOTO CEDOC TV - Arquivo Internet

Como você resumiria a mensagem da peça “5 Homens e um Segredo”?

Eu acho que seria alguma coisa como: a gente tem que ficar muito atento às necessidades do outro. Por trás de qualquer coisa visível há sempre um drama. A nossa peça é uma grande comédia que tem um drama por trás que é: cinco homens têm um problema que é altamente visível, mas que esconde na verdade um grande drama, porque deve ser muito difícil pra quem tem o que eles têm, quer dizer, você viver a tua vida inteira com um pênis mínimo numa sociedade falocrata onde tantas mulheres acham um grande problema quanto aos homens, é uma coisa extremamente dolorosa, e que a gente tem que aprender a viver com aquilo que tem. É isso que a peça mostra, que apesar de todos os problemas, eles estão todos muito tristes, mas todos saem melhores. Praticamente eles irão aprender a conviver com aquilo que eles têm.

O ator de teatro consegue enxergar seu público. Qual foi a reação do público?

Não sei se você está perguntando no sentido de enxergar fisicamente ou metaforicamente. Fisicamente eu não consigo enxergar o público. Eu consigo ouvi-lo. Fico muito atento em pequenas reações, em risadas, gargalhadas. Estamos falando de uma comédia e eu fico prestando muita atenção com meu ouvido. No drama também, porque o silêncio absoluto do drama faz com que a sua emoção flua melhor ainda. A reação do público à nossa peça tem sido excelente. É um assunto tabu, um assunto que não se fala, porque quem tem o pênis pequeno fica quieto, né. Então, ninguém comenta sobre isso. A gente sempre ouvia falar, algumas mulheres falavam ‘ah, uma vez saí com alguém assim e foi complicado’. Tanto que, quando a gente foi levantar a peça, muitas mulheres vieram até nós para falar sobre isso. A reação do público é estranha. Muito divertida. Eles adoram. Na verdade, o drama que existe por trás da peça é muito grande. Esses homens sofrem. Mas é impressionante o quanto as pessoas se divertem. É claro que se divertem, pois esse drama é tratado como comédia. A gente está muito feliz, pois as reações de todos os lugares que a gente fez a peça são iguais. Todos adoram. Espero que o povo de Curitiba também goste o todo o Brasil inteiro gostou, e o Rio de Janeiro onde a gente ficou um ano e meio em cartaz.

A peça foi muito aplaudida no Rio, mas cada cidade tem características diferentes. Como é apresentar a mesma peça para o público carioca e para o público de Curitiba?

Tradicionalmente a gente já acha que o povo carioca é um pouco mais solto, mais descontraído. E o curitibano é mais sério, mais consequente, com uma educação formal e de criação maior do que o pessoal do Rio de Janeiro. Então, a gente tem certo receio de apresentar sempre uma peça em Curitiba com medo de uma reação fria. Mas eu tenho certeza de que não vai acontecer isso porque já fiz teatro em Curitiba algumas vezes e a reação sempre foi excelente, até por esse grau, esse nível de criação e de cultura melhor do que em alguns outros lugares pelo Brasil afora. Tradicionalmente o povo do Sul, em que faz parte o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e São Paulo também, embora seja Sudeste, a educação é um pouco melhor. Quando falo de educação, falo da educação formal. É estudo, é universidade. O povo de Curitiba, eu tenho certeza de que irá entender, pela cultura que ele tem. As pessoas têm mais aptidão à filosofia, à psicologia, então irão entender até melhor a peça do ponto de vista que tem esse drama por trás. A gente tá muito feliz em poder fazer em Curitiba, porque além de estar nessa linda cidade que é de vocês, a gente gosta muito da gastronomia também. E estar junto ao público curitibano sempre é bom. Pelo menos pra mim, todas às vezes eu fui muito bem recebido.

Quais são seus livros preferidos?
Bom... Meus livros preferidos... Eu não vou lhe dizer títulos. Vou dizer o que eu gosto muito. Gosto de romances históricos, biografias históricas, eu gosto de uma boa ficção científica, adoro ler de vez em quando um romance genuíno, aqueles romances tradicionais. Gosto muito de literatura. Sou um ávido leitor


Ladear - Poema de Isabel Furini



LADEAR

as linhas-férreas
(paralelas)
avançam rumo ao infinito

flores ladeiam os trilhos do trem
o perfume nubla os sentidos
e acorda lembranças

na oposição das linhas de aço
o reflexo embaçado
do amor e do céu
:
 um amor que transgrede
(mas não regride)
e  um pedaço de céu
(quase sempre nublado).

Isabel Furini


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Mãe Mitológica (Poema de Isabel Furini)

MÃE MITOLÓGICA

Continuo apegado a sua imagem 
e implorando o seu afeto

quem sou eu 
no luminoso-sombrio espelho da mãe?
eu sou Pégaso - nascido de seu sangue
sou filho de uma Medusa de longos cabelos

porque no interior de todas as mães 
moram uma bela princesa 
e uma cruel Medusa que julga e acusa.

Isabel Furini

Medusa de Michelangelo Caravaggio
Wikipédia - Domínio Público

Saudade (Poema de Isabel Furini)


SAUDADE

iluminadas pela Lua Cheia
as emoções
rangem
sobre as tábuas da madeira
do passado.

Isabel Furini


terça-feira, 9 de maio de 2017

Camarão no Prato (Poema infantil de Isabel Furini)



CAMARÃO NO PRATO

Quado como camarão,
com palmito, azeitonas,
ovos de codorna e limão,
eu me sinto poderoso
- um poderoso tubarão.

Quando como camarão
eu brinco de tubarão.

E minha mãe fala:
- Sem fazer algazarra,
abra grande essa bocarra
de filhote de tubarão!

hahahahahaha!
Eu abro grande a boca
e mastigo lentamente
o gostoso camarão.

Isabel Furini

A Volta de Zaratustra - poema de Isabel Furini

Zaratustra voltou.
Caminhou pelas ruas de cimento,
andou junto à lojas e mercados;
por fim, se deteve frete a um templo.
Os homens do povo olhando-o, o seguiam
esperando que a sua voz arcana
despertasse suas almas, que dormiam...

alguém entre a multidão,
jovem e ousado, informou-lhe
que Nietzsche estava morto.

Ele escutou com os olhos fechados,
a boca muda
e os braços abertos.

- Inicia-se uma nova era de esperança - disse
- a fé, como a Ave Fênix,
ressurgirá das próprias cinzas.
e os homens escutavam-no em silêncio.
Zaratustra olhou cada um deles
e a todos interrogou com o olhar,
e viu que tinham medo,
mesmo aqueles
que mantinham os olhos fixos no céu.

Por que esperam uma verdade de fora,
uma verdade alheia, emprestada?
perguntou-se a si mesmo.
Depois gritou:
- eu anuncio que Deus ressuscitou
e que Ele quer
que ausculteis com força de titãs
em vosso próprio interior
para escutá-lo.


Isabel Furini
do livro "O Homem e Deus"



Prometeu (Poema de Isabel Furini)

Prometeu

Devolva-me a fé, Pai do céu.
Escuta me clamor, minha voz de trovão,
e não me deixes sozinha nesta senda,
porque a minha alma é nova e sente medo
de caminhar sobre os ecos do passado.

O vento da minha história se deteve,
e sobre o horizonte fantasioso
que meus sonhos teceram ao acaso,
se levanta o fogo do fracasso,
e me queima.

Ai! Meu Deus, sou um novo Prometeu,
estou atada às rochas deste Cáucaso,
não me posso defender e fico quieta,
enquanto uma água brutal, devoradora,
rói meu fígado, que cresce eternamente.

Até quando sofrerei? Por que sofrer?
Por que não chega já, um Hércules veemente
e me liberta agora e para sempre.

Isabel Furini

Poema do livro "O Homem e Deus"
Pintura de Peter Paul Rubens

A Mente (Poema de Isabel Furini)





 A MENTE

Conheceis as silenciosas brumas?
Eu falo das trevas do passado,
e pergunto: Alguém olhou de frente,
a construção monolítica da mente?
Dólmenes e menires interiores
que perpetuam no tempo, a sua memória,
que esperam qual noite enevoada
o despertar de um dia azul - de glória,
da glória de um Deus de luz, triunfante,
a glória azul de um Deus que é mente cósmica.

Do Livro "O Homem e Deus" - Isabel Furini - 1983.

domingo, 7 de maio de 2017

Metamorfose I (Poema de Isabel Furini)



METAMORFOSE I

amordaçado
o grito das lembranças

fluem
palavras silenciosas
pelos lábios fechados
e as flores se tornam

 mensageiras da esperança.  

Isabel Furini

sábado, 6 de maio de 2017

Gratidão - Poema de Isabel Furini



GRATIDÃO

sobre o abismo
da arrogância
a flor da gratidão
desdobra suas pétalas

sem o medo
da rejeição nem da burla
as almas despidas
extravasam a beleza
como a flor do lótus
sob os primeiros raios
do Sol.

Isabel Furini

Aulas no Teatro Rodrigo D'Oliveira

Seja criança, adolescente ou adulto, iniciante ou profissional, se você tem o desejo de conhecer um pouco mais sobre a arte do TEATRO venha participar desse super aulão!

Benefícios: O teatro não tem contra-indicação nem pré-requisito. "Além de promover o autoconhecimento e desenvolver a autoconfiança, fazer teatro é um exercício de escuta do próximo. Todo mundo deveria fazer teatro pelo menos uma vez na vida!"

O Teatro Rodrigo D'Oliveira oferece também cursos de teatro, para mais informações: mensagem inbox ou pelo telefone (41) 99747-8395.

Adeus, Amor - Poema de Isabel Furini


ADEUS, AMOR

Naufraga a carícia
entre espadas
de palavras

depois
só resta o adeus
na solidão
o mês de março se faz quase eterno
interminável
como um poema inacabado.

Isabel Furini

Rumbo a Ítaca

avanza la barca de Caronte

a cada año
se aproxima un poco más del puerto
es necesario examinar el pasado
para observar si odios y rencores
ya fueron arrastrados por las olas
o están enredados en los pies cansados

navegar rumbo a Ítaca es más que una aventura
es el retorno del alma
exige dejar los interrogatorios y sus sombras
apagar el fuego de la duda
entendiendo las fluctuantes emociones

escuchar el graznar de los cuervos torvos
y entender que el miedo es un obstáculo – un estorbo
deja el corazón rígido como una estaca de madera

es necesario cubrir los oídos como Ulises
mostrar bajo los rayos de la Luna
las manos vacías
la mirada sin apegos
los ojos lúcidos
exponer el rostro auténtico
las arrugas, las culpas y los miedos
reflejados en las aguas del inconsciente


y de repente, simplemente,
el alma contempla su imagen en el mar del inconsciente
y comprende el porqué de retornar a Itaca.

Isabel Furini

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Capela do Eu - Poesia de Isabel Furini

Quadro de Carlos Zemek

CAPELA DO EU

ao esquadrinhar
a capela interior
é possível
abandonar os medos do pigmeu
e avançar
e descobrir
(à luz da lamparina)
o potencial do próprio eu.

Isabel Furini

Raíces ( poema sobre el Lienzo de Frida Kahlo)


RAÍCES (LIENZO DE FRIDA KAHLO)
Árbol de la esperanza, mantente firme.” – Frida Kahlo.

El viento zozobra entre sombras
y chicotea el pasado

torbellinos de sombras zozobran
en el plenilunio de las emociones

Crecen hojas
hojas
hojas
se multiplican
en el angustiado movimiento de las horas
(avanzan por el cuerpo
echan raíces
enlazan sueños
bloquean ilusiones)

las hojas transitan entre la euforia y la tristeza

como en un trapecio en movimiento
su cuerpo es sacudido por el viento de las emociones
lloran los sueños
y en la boca muda
revolotean elocuentes silencios

Frida tira una red en el mar de imágenes
(entre sueños
rosas y quetzales)
y eterniza efigies con la maestría azteca
heredada de sus ancestrales.

Isabel Furini

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Mandíbulas



MANDÍBULAS

Mandíbulas ferozes
essas do tempo!

o tempo é
um leão enfurecido
- tritura pessoas
casas e sonhos

só existe um caminho:
acalmar o ego e
enfrentar
o leão do tempo
usando como escudo
o despego.

Isabel Furini

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Noite de insônia (Poema de Isabel Furini)

NOITE DE INSÔNIA

o poeta caminha
sobre sobre a escuridão da noite
e sobre o abismo das letras

no encalço de um poema
ele transforma sua noite em insônia
traça itinerários
(imaginários)
e quando sua insônia encontra
a caneta da inspiração
despencam sobre o caderno
o ódio e o amor.

Isabel Furini

quinta-feira, 20 de abril de 2017

O círculo que o rio não levou

O CÍRCULO QUE O RIO NÃO LEVOU 

Observou o círculo. Uma cobra branca, nuvens e fantasmas faziam parte do espetáculo. A cobra era enorme e mordia a própria cauda. Devorava-se (como um homem mastigando seu passado). Pensou em Heráclito. As águas levariam o círculo branco dos sonhos? Cinzelava o rio de Heráclito quando foi deglutido pela cobra. Hoje, ele faz parte do círculo e de sua quadratura.

Isabel Furini
Esse conto foi escrito na oficina de narrativa orientada pelo poeta e escritor Ricardo Corona.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

No coração das lembranças - Poema de Isabel Furini


NO CORAÇÃO DAS LEMBRANÇAS

perceber o ritmo do poema 
que percorre os corredores da infância

o vô ouvindo música italiana
a vó cuidando das flores do jardim

e meu coração nutrindo-se
com as lembranças.

Isabel Furini


sábado, 15 de abril de 2017

A Guerra - Poema de Isabel Furini

A GUERRA

Podemos migrar com as aves silenciosas
e negar a investida das armas
contra os inocentes

a humanidade tem um arsenal de mentiras
para justificar
qualquer carnificina

mas quem poderá mascarar
o medo?
esse terror cinzelado nas retinas?

Isabel Furini


Arte feita com cartuchos de bala
Feira de Arte de Seattle
Fotografia de Isabel Furini

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Desafios - Poema de Isabel Furini



DESAFIOS

Nada a reclamar
nada a declarar
no livro do destino
na trajetória da vida
(esta viagem sem descanso)
somos como navios

navegamos
suportamos tempestades
naufragamos
descansamos
e voltamos a desafiar
as águas do oceano.

Isabel Furini

sexta-feira, 31 de março de 2017

Amado Nervo: Espacio y tiempo e otros poemas

ESPACIO Y TIEMPO

Espacio y tiempo, barrotes
de la jaula
en que el ánima, princesa
encantada,
está hilando, hilando cerca
de las ventanas
de los ojos (las únicas
aberturas por donde
suele asomarse, lánguida).

Espacio y tiempo, barrotes
de la jaula;
ya os romperéis, y acaso
muy pronto, porque cada
mes, hora, instante, os mellan,
¡y el pájaro de oro
acecha una rendija para tender las alas!

La princesa, ladina,
finge hilar; pero aguarda
que se rompa una reja...
En tanto, a las lejanas
estrellas dice: «Amigas
tendedme vuestra escala
de la luz sobre el abismo.»

Y las estrellas pálidas
le responden: «¡Espera,
espera, hermana,
y prevén tus esfuerzos:
ya tendemos la escala!»

Amado Nervo



Y EL BUDA DE BASALTO SONREÍA


Aquella tarde, en la alameda, loca
de amor, la dulce idolatrada mía
me ofreció la eglantina de su boca.

Y el Buda de basalto sonreía...

Otro vino después, y sus hechizos
me robó; dile cita, y en la umbría
nos trocamos epístolas y rizos.

Y el Buda de basalto sonreía...

Hoy hace un año del amor perdido.
Al sitio vuelvo y, como estoy rendido
tras largo caminar, trepo a lo alto
del zócalo en que el símbolo reposa.
Derrotado y sangriento muere el día,
y en los brazos del Buda de basalto
me sorprende la luna misteriosa.

Amado Nervo

quinta-feira, 30 de março de 2017

Isabel Furini: A Visão do Jardim



A VISÃO DO JARDIM

Esse jardim representa
o espaço
o mundo
a vida

as alegrias da infância
os amores da juventude
a paciência da velhice
a magnitude da alma

porque o jardim
com seus espinhos e suas flores
é um reflexo da vida.

Isabel Furini

Xamã sentado em sua cadeira barcelona

O xamã sitia espaços sibilinos
e descobre oníricas couraças.

Na textura das palavras
desvenda temores infantis.
No leque das frases,
libélulas de esperança.

Desafia lembranças
perdidas em olhares despedaçados,
vasculha terrores noturnos,
farpas de ódio
e amores perdidos.

O psicanalista indaga e silencia.
Invade os pesadelos
e encontra princesas esquecidas.

Por fim, descobre os subterfúgios
e assinala trilhas desconhecidas
nas curvas da espessa linha do tempo
(subjetiva).

Sementes de lembranças crescem
entre as cinzas do esquecimento,
o xama
(sentado em sua cadeira Barcelona)
espera calmamente pelo milagre do renascimento.

Isabel Furini

A Casa Paterna - Poema de Isabel Furini

Trituradas as garras do silêncio
sobre o velho álbum fotográfico.
O pai (morto há anos) sobrevive
nos retratos desbotados.

Revelam-se fisionomia e emoções.

Quantos olhares,
quantos rostos deixei submersos
nos interstícios da memória,
quantos exílios na areia do passado
e exílios futuros projetados
no palco dos sonhos.

Genealogias, uivos e fumaça
despencam do álbum fotográfico
aberto sobre a mesa.
Observam-nos os mortos,
pousam nas fotografias como estacas de mutismo.

Amam-nos.
Esperam-nos (sedentos de carinho)
com os braços paralelos
                                       abertos
entre galáxias de culpa e de mistério.
                                              Imensamente abertos.


Fotografia de Isabel Furini


Um Pincel - Poema de Isabel Furini

UM PINCEL

Poema dedicado à artista plástica Katia Velo

A força telúrica
impulsiona o pincel.

Um carrossel de cores
invade a flora Amazônica.

Katia Velo é artista
e é ilusionista.

Seu pincel espalha cores brilhantes
e formas estilizadas.

A beleza das cores
impressiona a alma dos visitantes.


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