quinta-feira, 30 de março de 2017

A Casa Paterna - Poema de Isabel Furini

Trituradas as garras do silêncio
sobre o velho álbum fotográfico.
O pai (morto há anos) sobrevive
nos retratos desbotados.

Revelam-se fisionomia e emoções.

Quantos olhares,
quantos rostos deixei submersos
nos interstícios da memória,
quantos exílios na areia do passado
e exílios futuros projetados
no palco dos sonhos.

Genealogias, uivos e fumaça
despencam do álbum fotográfico
aberto sobre a mesa.
Observam-nos os mortos,
pousam nas fotografias como estacas de mutismo.

Amam-nos.
Esperam-nos (sedentos de carinho)
com os braços paralelos
                                       abertos
entre galáxias de culpa e de mistério.
                                              Imensamente abertos.


Fotografia de Isabel Furini


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