sábado, 14 de novembro de 2015

AQUELA ESTÁTUA (Poema de Isabel Furini)


era belo e de pedra
(qual um anjo dormido)
em dias de chuva
seu rosto entristecido
adquiria uma aura
de passado e penumbra

e quando as gotas de chuva
escorregavam
pelas bochechas claras
parecia que a estátua
baixinho soluçava
(como uma criança
quando é castigada)

era uma estátua viva
pintada com cal
e feita de cimento
lembranças sentimentos
ecoava o passado
e os sonhos de seu dono

a estatua parecia
cansada nesse outono
esperando o retorno
dos raios do Sol
morreu o dono e a estátua
foi para uma chácara

e contam que nos dias
de tormenta e de chuva
seus lábios se mexiam
e seus olhos de pedra
carregados de lágrimas
pestanejavam tristes
como um pássaro branco
com as asas quebradas

Isabel Furini




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