sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O PAPEL DA LITERATURA


O papel da literatura na vida social é muito importante e atinge de maneiras diversas pessoas com temperamentos diferentes e de profissões diferentes. Além da função estética (arte da palavra e expressão do belo), uma obra literária pode ter várias funções.

Entre elas podemos citar, a função lúdica (divertimento), a função cognitiva (forma de conhecimento de uma realidade objetiva ou psicológica), a função filosófica (questionar, provocar o leitor); a função catártica (que é muito importante, entendendo catarse a purificação de sentimentos, como o próprio Aristóteles falava ou, simplesmente, a libertação de emoções reprimidas) e a função pragmática (pregação de uma maneira de viver).

Não podemos esquecer que no Quixote de la Mancha, o protagonista enlouquece lendo novelas de cavalaria. Ou seja, a literatura pode modificar a maneira de ver o mundo do leitor.


Isabel Furini é autora de "O Livro do Escritor".

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

!!! (Pontos de exclamação - poema de Isabel Furini)

É preciso abolir a paixão!...
Não grite,
não exclame,
não conclame,
não derrame a emoção entre as letras!!!

Enfatizar o drama? Não!
É melhor ocultá-lo.

Os !!! são enfáticos demais,
expressam admiração, surpresa, medo
assombro, indignação, raiva, paixão e desespero.
Quem deseja emoções no vespeiro
do moderno mundo globalizado?

O imperativo é logo descartado,
bom mesmo, é ser falso ou persuasivo.
Ah! meu querido !!! serás banido!
Extinto como um vulcão sem fogo.

Tu és emoção que dramatiza,
súbita comoção já destronada.
O mundo não tem mais lugar para a paixão
o subjetivo cede lugar ao objetivo,
e as estratégias não admitem
pausa para pensar nem para refletir.

Refletir,pensar!!!
Pensar, meu amigo, é quase palavrão
nesta aldeia global em que vivemos.
Colocar !!! é como semear flores
em um jardim sem paixão e sem amores...

O sonho, o drama, o ingênuo e tu, chamado !!!
(ponto de exclamação)
serão suprimidos,
triturados,
extintos como dinossauros.
Amigo ! Já é hora de dormir no labirinto do Minotauro,
e talvez acordar depois de anos
para falar ao homem
que o instante de emoção deve ser pontuado!!!
Pontuado!!! Pontuado!!!

E termino meu poema com teu símbolo!!!
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Isabel Furini

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O CONSELHO LITERÁRIO DE CAMILA FAMOSA (Conto)

– O conselho da escritora Camila Famosa foi não escrever com compulsão – afirmei com voz autoritária.

– E como faço? Perguntou o homem tirando os óculos e colocando-os sobre a mesa escura perto de um livro aberto, à direita do copo com refrigerante.

– Eu faço tudo de maneira compulsiva, falo compulsivamente, fumo compulsivamente, até transo compulsivamente, mas, não quero que espalhe essa última informação, hein?... pois odiaria ver mulheres me perseguindo para constatar se é verdade – a verdade é que sou um amante à moda antiga, eu gosto de paquerar mulheres e não gosto mesmo de mulheres tentando me paquerar.
Penteou o cabelo com dedos da mão direita, levantou a cabeça e recolheu o queixo de maneira vaidosa e começou a cantar:

“Eu sou aquele amante à moda antiga
do tipo que ainda manda flores
e escreve, e escreve, e escreve, e escreve, e escreve, e escreve, e escreveeeee...
porque no peito ainda abriga
Recordações de seus grandes amores...”


Além de modificar a letra, como ele cantava mal! Sua voz era rouca. Eu fiz um gesto de desaprovação mexendo a cabeça várias vezes para um lado e para o outro horizontalmente.

Ele tussiu ou fingiu tosser, retrocedeu alguns passos, sentou-se na cadeira de madeira e disse:

– Bem, continuando, eu sou obsessivo compulsivo e se eu não escrever por compulsão e de maneira compulsiva, eu não consigo. Sem compulsão não consigo fazer nada. Imaginem fazendo sexo sem compulsão, eu vou broxar, céus! E tentar escrever assim de fininho, como quem não sabe de nada, não sei, não! Mas sem paixão, sem obsessão, sem compulsão, Nossa Senhora! Isso não será texto, será página em branco. Algo me compele a colocar traços desiguais nas páginas, eu escrevo à caneta, nada de computador, nem modernidades. Já falei, sou um amante à moda antiga. Gosto de papel de verdade, papel no qual seja possível escrever, apagar com borracha, reescrever, riscar, colocar “x” ao lado de frases interessantes, sublinhar, dobrar o canto superior direito da folha, fazer anotações, ou pequenos desenhos nas margens e guardar nas estantes, nas gavetas, embaixo da cama, ou rasgar e jogar de longe no cesto de papéis gritando: Goooollll! Eu sou o melhor!!!

Levantou-se da cadeira. Parecia emocionado.

– E o que acha de deixar a mente em branco para escrever, não pensar em nada? - insisti eu fingindo indiferença.

– Acho bom, muito bom, para quem conseguir. Eu não consigo cara, eu preciso pensar, imaginar, observar os personagens pela fresta da fantasia, e falar deles, falar, falar, falar... ou melhor dito, escrever, escrever, escrever. Que escrevam sem compulsão os grandes literatos, os escritores calmos e disciplinados. Eu não. Minha obsessão é escrever. De manhã, à tarde, à noite. Eu gosto de escrever e odeio escrever. Por isso escrevo. Escrever é emoção – ou emoções. Quase um ritual de morte e renascimento. Quase um bater de asas de morcego na noite.

Olhei-o fixamente. – Você não faria a experiência por uma semana? – Perguntei com voz suave.

O escritor não respondeu, mas retrocedeu e voltou a sentar-se na mesma cadeira de madeira.

– Só por uma semana, escrever sem pensar, o que acha? Seguir o conselho de Camila Famosa?
Ele, vencido, fez um sinal de afirmação com a cabeça. Imediatamente seus olhos fugiram pela janela, rumo à rua poluída de carros.

Uma semana depois entrei em sua biblioteca. Ele estava sentado diante do computador, calmo. Sorridente. Você conseguiu? perguntei.

– Escrever sem pensar?

– Isso.

– Consegui, sim – murmurou.

Aproximei-me para ler no computador o que havia escrito e dizia: “escrever sem pensar, escrever sem pensar, escrever sem pensar”.... fui para a outra página: “escrever sem pensar, escrever sem pensar, escrever...”

– Você repetiu milhares de vezes a mesma frase! ­Gritei.

– Mas não pensei, retrucou ele, não pensei em nada. Eu escrevi. Diga essa verdade para Camila
Famosa: Mente em branco é para escritores autocontrolados. Muitas vozes é o caminho para escritores com múltiplas personalidades. Ser perseguido pelos próprios personagens é para escritores paranóicos, já escrever compulsiva, obsessivamente é para mim. Fazer o quê? Obsessão é destino.

Isabel Furini

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

UM QUADRO DE FRANCESCO FURINI




Bebo e escrevo.
Sonolenta vejo os versos loucos
brincando nos cantos de meu cérebro,
no vestido bege de linho,
no travesseiro,
na garrafa de vinho.

Poemas líquidos dançam como vampiros sedentos,
mas ao escrever
escondem-se (os mais ousados)
na cópia Giges e a alcova do rei Candaulo,
um quadro de Francesco Furini,
pintor barroco e louco (louco pintor barroco)
tão louco quanto eu, ou talvez menos...

O quadro de moldura dourada domina a parede pintada de azul,
a alcova com cortinas vermelhas (pintadas por Furini)
serve de esconderijo aos poemas,
mas se ficar bebendo eles pulam das cortinas,
deambulam pelo quarto
e soltam fortes gargalhadas
entre taças de vinho e lembranças.

Isabel Furini


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

LA NOCHE DE PEDRO PÁRAMO


LA NOCHE DE PEDRO PÁRAMO

Silencia el trueno amordazado en el árido desierto,

la noche macilenta
aprisionada por las violentas gárgolas del rencor, arquea.

Noche que alimenta sombras, matriz de espectros
que deambulan por la árida tierra de los muertos.
Noche disfrazada de efigie de proa
naufraga en angustiados alfabetos.

(El abismal relato de Juan Rulfo penetra en los oídos
y en el alma,
mientras falanges descarnadas excavan remembranzas.)

Nada se mueve en lontananza.
Nada se mueve en esa noche sin estrellas.
Noche de niños muertos
enterrados en cajones blancos con arabescos.

Noche deshabitada – sin esperanzas, muerta,
casi un contorno de casas en penumbra,
las puertas aúllan y agrietan lúgubres sombras.

Sucumbe, verticalmente, la noche e impulsa el viento
que arremete contra ese pueblo polvoriento y olvidado,
trancado entre paredes de espectros y de traumas.

Pedro Páramo acecha nuestros pasos
con sus ojos crueles nos transforma en monolitos de piedra
y quedamos como estatuas avasalladas, inertes,
en el árido desierto de Comala.

(De "Laberintos" obra inédita de Isabel Furini).

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

VENTANIA


O passado persiste.
Eterno vento sopra no corredor
das lembranças.
As portas do passado abrem-se... Sementes de ontem germinam hoje em um poema.

Isabel Furini

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

CONCURSO DE POESIA “POETIZAR O MUNDO”

EVENTO LITERÁRIO Organizadoras: escritora e poeta Isabel F. Furini e professora Lourdes Lima, da Academia Feminina de Yoga, em Curitiba. 1) O Concurso de Poemas tem como objetivo estimular a produção literária e é destinado a todas as pessoas interessadas. 2) O tema é livre e a inscrição é gratuita e poderá ser feita até 20 de novembro/2010. 3) Cada concorrente poderá participar com apenas um trabalho inédito (ou seja, ainda não impresso nem publicado na internet), que não tenha sido premiado em outro concurso. 4) Consideram-se inscritas as obras entregues na sede da Academia de Yoga da professora Lourdes Lima, ou enviadas pelos correios, endereçadas da seguinte maneira: Concurso de Poesia: “Poetizar o Mundo”, Rua Cruz Machado, 258, Centro, Curitiba.PR. CEP 80410-170. 5) O poema deverá ser apresentado com pseudônimo em 03 (três) vias, escrito em língua portuguesa, digitado em espaço 2 (dois), com fonte Arial, tamanho 12 (doze), de um só lado do papel. 6) Deverá constar, no interior do envelope que contém o trabalho, um outro envelope menor, contendo em seu interior uma folha na qual constem o título do poema, pseudônimo, nome completo do autor, seu endereço, telefone, R.G., e-mail e pequeno currículo. E, na parte externa desse pequeno envelope, deverão constar apenas o pseudônimo do autor e o título do poema. 7) A comissão julgadora será composta por Adélia Woellner (poeta e membro da Academia Paranaense de Letras), Angela Reale (atriz, escritora e radialista, apresentadora do programa radial de literatura “Ensaios” com Angela Reale), Isabel F. Furini (escritora e poeta, autora de “O Livro do Escritor”), e Valdeck Almeida (jornalista, escritor e poeta). 8) Premiação: O primeiro lugar receberá troféu e diploma, o segundo e terceiro lugares, diploma. Também podem ser escolhidas até três menções honrosas que receberão certificado. 9)O resultado do concurso será divulgado no blog isabelfurini.blogspot.com – e em site literários da Internet, além do blog Falando de Literatura, do Bonde News. 10) Os certificados serão entregues aos ganhadores em 15 de dezembro/10. Na ocasião, também serão homenageados a poeta, escritora, professora e ativista cultural Leila Míccólis, do Rio de Janeiro, responsável pelo site literário Blocos Online o ativista cultural João Minali, de Santa Lúcia, São Paulo, responsável pelo Festival Cultural de Santa Lúcia,. 11) O encaminhamento dos trabalhos na forma prevista neste regulamento implica concordância com as disposições nele consignadas. 12) Os poemas enviados não serão devolvidos.
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