quarta-feira, 22 de junho de 2011

TEMPO

Intangível, solitário, tempo arguto, indefinível,
o minuto, o momento, o instante,
o passado e o futuro, onde estão?

Encontram-se nas ondas do presente
entre matizes coloridos extraídos das areias do deserto
e dos murmúrios do vento.

Univitelinos,
o passado e futuro
dão-se as mãos no útero do presente
– eternamente.

(de livro inédito de Isabel Furini)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

RESENHA: hábitos do musgo

(Eiléan Ní chuilleanáin -Foto Divulgação).


O título do livro está escrito dessa maneira, sem letras em maiúsculo, talvez querendo fazer referência a um mundo escondido na cabeça da poeta Eiléan Ni Chuilleanáin. A Kafka Edições publicou em 2010 uma edição bilíngue, organizada e traduzida pela poeta e professora Luci Collin.



Eiléan Ní Chuilleanáin nasceu em 1942 na cidade de Cork, na República da Irlanda. Recebeu o título de Bachelor of Literature no ano de 1968. É uma das editoras-fundadoras da revista literária Cyphers. Poeta premiada, emprega um ponto de vista poético deslocado, enigmático.
No prefácio, Luci Collin assinala que “no panorama da poesia irlandesa contemporânea há um surpreendente número de poetas cuja importância literária vem sendo constantemente apontada pela crítica”. A alta qualidade literária dos livros de Eiléan é reconhecida pela crítica mundial.



No poema Antigas Recordações, encontramos o verso que serve de título ao livro:
Descobri os hábitos do musgo
que secretamente paralisa a pedra,
a ferrugem que suavemente rói as dobradiças
para manter a porta sempre aberta.
Tornei-me consciente da verdade
como a maré, impotente, subindo e descendo num certo ponto.

E, como podemos intuir nesse poema, a metáfora hábitos do musgo, talvez seja a força avassaladora e penetrante da poesia. Existe algo de metafísico permeando os poemas, um olhar não convencional, por isso a leitura de seu livro “hábitos do musgo” demanda várias releituras.
Em síntese hábitos do musgo é um livro de poemas profundo, enigmático, excelente para quem quiser penetrar num mundo subjetivo e enigmático.




Resenha de Isabel Furini publicada no ICNews.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

QUEM É A VOVÓ XANINO?



















Magda R. Martín é romancista e também escreve contos para crianças. Na entrevista conseguimos entender um pouco o processo criativo que ela segue:


1) Magda, os contos publicados na revista ZJ 2.0 da Espanha, sob o pseudônimo de Vovó Xanino, são um sucesso. Conte-nos, qual é a chave para comunicar-se com o público infantil?
Tento entrar na mente da criança lembrando-me da minha própria infância. A mente infantil não percebe diferença entre os fatos dos quais nós, os humanos, participamos e os que podem viver os animais de qualquer espécie. A sua imaginação é rica e flexível, por isso compreende de maneira natural, com os mesmos programas, o traslado de sucesso de nossa vida quotidiana a uma vida animal. Daí o êxito de tantos contos com animaizinhos humanizados.


2) Como surgiu o pseudônimo de "Abuela Xanino", Vovó Xanino?
De uma maneira muito simples. Eu sou pouco hábil para encontrar títulos e pseudônimos e quando estava escrevendo a novela EL PIANO DE COLA, no fragmento no qual são citadas as "Xanas" asturianas (assim nomeiam as fadas dos rios na Astúrias), alguns amigos chamaram-me para participar de um foro literário. Como devia dar-me a conhecer mediante um pseudônimo, não pensei muito, escolhi "Xanino", que é o nome que se dá aos filhos das Xanas. Fazer-me chamar Xana me parecia demasiada pretensão. E com esse apelativo fiquei conhecida, logo, a causa de minha idade, já cumpri 77 anos, começaram a me conhecer como "Vovó Xanino", e assim permaneceu.

3) Qual é a sua rotina, em que horário você escreve?
Sou pouco notívaga e muito madrugadora, gosto de escrever durante as primeiras horas da manhã, quando, ainda, está tudo quieto, em silêncio. Mas se a inspiração surgir a qualquer outra hora do dia, eu aproveito. Inclusas algumas noites em que fico desvelada (fico com insônia) e, então, se surgir uma ideia, uma cena que possa ser interessante, se escrevo um texto, escrevo-o em um bloco que sempre tenho no criado-mudo, se por acaso as Musas se dignam visitar-me nessas horas.

4) Prefere escrever para adultos ou para o público infantil?
Gosto de escrever para ambos. Desfruto muito plasmando sentimentos profundos em uma historia novela, acho que isso é muito meu, muito pessoal. Não obstante, me houvera gostado de ser uma boa escritora de contos infantis, acho que é um gênero literário bastante difícil de conseguir. As crianças são muito inteligentes, não podemos menosprezá-las, sabem muito bem o que desejam e gosto muito de chegar a seus corações. É muito gratificante ver como elas riem ou se emocionam quando lhes esclarecemos assuntos ou quando realizam leituras de um conto. Eu sou avó de quatro netos.


5) Em que ano começou a escrever? Seu estilo mudou com o tempo ou manteve o mesmo estilo?
Acredito que nós, as pessoas que gostamos de escrever, não podemos determinar uma data concreta de nossos começos. Temos escrito sempre. Considero a arte da escrita como um dom com o qual se nasce (logo se pode ampliar e melhorar com os conhecimentos adquiridos), portanto, sempre estão aí. Sim, lembro que o primeiro conto que escrevi foi aos 9 ou 10 anos e o dei de presente para minha mãe. Nele dava vida a duas baratinhas que falavam entre si. Lamentavelmente não sei onde ficou esse conto, perdeu-se. Logo, ao longo do tempo, segui escrevendo "para mim", uma vez escrito e lido, tudo ia parar no cesto de lixo, nunca me considerei uma escritora capaz, sentia muita vergonha de que alguém soubesse que eu gostava de escrever, não dava valor a meus escritos ainda que, durante meus tempos de estudante, me destacava nas aulas de literatura. Quando eram organizados concursos, geralmente eu ganhava o prêmio. Logo a vida, meu casamento e o cuidado de meus sete filhos afastaram-me um pouco da escrita, ainda que não me afastassem da leitura, tenho lido sempre. O detonador de minha volta à escrita foi a morte de minha mãe no ano de 1990. Escrevi um conto em sua memória, que enviei a cada um de meus irmãos, sem êxito, claro, somente como uma lembrança. Posteriormente, com o falecimento de meu esposo no ano 1992 e com os filhos já crescidos, tive tempo livre para me dedicar à escrita. Naquela época, assisti a uma oficina de escrita para aperfeiçoar um pouco o meu estilo e desde então pratiquei e sigo praticando e aprendendo.Meu estilo creio que sempre foi a narrativa, gosto de narrar, acho que vou melhorando (e isso espero) não mudando.


6) Quais são os seus livros preferidos?
Gosto de todos os que sejam de narrativa, as biografias e as novelas históricas. Logo, qualquer tema interessante ou que se destaque no momento. Não dou títulos porque gosto e já gostei de tantos que não posso escolher um título determinado. Impactou-me bastante uma novela intitulada "Los que vivimos" de Ayn Rand, o "Sinuhé o Egipcio" de Mika Valtari, etc. Não posso escolher, são demasiados. Na atualidade há tantos escritores que é muito difícil encontrar um bom escritor. Acho que antes, tempos atrás, havia melhor literatura que na atualidade. Peço perdão, sinto muito, mas é a minha opinião.


7) Fale um pouco de seu novo livro "El piano de cola" (O piano de cauda).
É um livro não muito longo (não costumo escrever historias longas) que comecei há dois ou três anos e ficou numa gaveta só com as primeiras páginas escritas, esperando tempos melhores, até que um dia eu falei: Daqui se pode criar uma terna história, e comecei a trabalhar. Como quase tudo que escrevo, relatam-se acontecimentos da vida quotidiana, feitos que podiam acontecer a qualquer um de nós em igualdade de circunstâncias. Sucessos correntes da vida. Além de narrar os acontecimentos ou circunstâncias em si, gosto de explicar e intento expor em letras com a maior claridade possível todos os sentimentos que os personagens sofrem, e isso é muito difícil porque os sentimentos, como muito bem fala a palavra, se sentem, mas não existe uma palavra determinada para descrever um sentimento, então, o escritor deve fazer uma unidade com o personagem e, dentro do contexto da história, fazer chegar esse sentir do protagonista ao sentimento do leitor. É algo como ter que escrever entre linhas, coisa que o leitor deve captar.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

OSCURO RETRATO DE CLARICE

Dos Lunas (torrentes impetuosos, espejos de pasión)
soterradas en las cuencas de los ojos,
y en los labios agujas de palabras
(palabras fascinan los oídos
y el flujo del pensamiento clava estacas en la arena). 

Planta rosas (carmesíes e indestructibles rosas
que resisten la guadaña de Cronos).
Hechizados contornos transfiguran la realidad,
entre ondas y monolitos de piedra A Paixão segundo G.H.
quiebra intrincados muros de angustias,
se abren perfumados pétalos artísticos
y en el orbe de la soledad es cincelada la pasión de Clarice. 

Isabel Furini

terça-feira, 31 de maio de 2011

Revista ZK 2. 0 da Espanha


Leia na revista virtual ZK 2.0, da Espanha:

Taller Literario de Isabel Furini (oficina).

Cuentos de la abuela Xanino,Música, Cocina, El prólogo del héroe y mucho más.

http://zk.zonakeidell.com/zk20/paginas/index.php

segunda-feira, 30 de maio de 2011

ESCREVER LIVROS PARA CRIANÇAS?



Iniciará em 06 de junho (segunda-feira, a partir das 14:30 horas) no Solar do Rosário, uma oficina especial para pessoas que desejem escrever livros infantis.

Já orientei essa oficina em vários espaços, entre eles, no Centro Filosófico Delfos, e na Fundação Cultural de Curitiba (2004). O objetivo da oficina é orientar novos escritores, ajudá-los a compreender os mecanismos que tornam agradável uma história para crianças.

Na oficina analisaremos as técnicas para escrever contos infantis.

Como despertar o interesse de meninos e meninas? Os contos direcionados ao público infantil têm algumas características próprias: a oralidade, a fantasia, a curiosidade, o descobrimento do mundo, o olhar mágico.

Na primeira aula serão analisados alguns contos do ponto de vista dos símbolos. Uma maneira de descobrir a subjetividade e o estágio das crianças que escutarão ou lerão as histórias.

Serão analisadas: a teoria da escada, os elementos da composição literária, a plasticidade da narrativa, os elementos da composição literária.

A oficina, aberta para o público em geral, procura motivar e dar as ferramentas para escrever histórias infantis.

Tive a oportunidade de publicar livros para o público infantil, entre eles Joana a Coruja Filósofa, pela editora Sophos, e a coleção Corujinha e os filósofos, pela editora Bolsa Nacional do Livro, de Curitiba.

A oficina iniciará 06 de junho, e terá duração de dois meses. Será ministrada no Solar do Rosário, no Largo da Ordem. Essa casa senhorial é um cartão postal da cidade, é uma casa assobradada de arquitetura eclética porque, como em todas as casas senhoriais do fim do século XIX , havia uma mistura de estilos: colonial português, francês, alemão, acrescido de características neoclássicas como o frontão com suas volutas curvas, janelas e sacadas.

O Solar do Rosário de propriedade de Regina Casillo foi inaugurado em maio de 1992, e hoje é um complexo cultural que possui Galeria de Arte, Livraria e Editora, Cursos, Oficinas, Antiquário, Molduraria, Restaurante, Casa de Chá e Jardim de Esculturas, além de ceder seus espaços para lançamento de livros e eventos de arte, música, teatro, performances e arte educação.

Os interessados na oficina Como Escrever livros para Crianças podem solicitar mais informações pelo fone (41) 3225-6232, ou pessoalmente na rua Duque de Caxias, 04, Largo da Ordem, Curitiba.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O ESCRITOR, ESSE ESTRANHO
































Alguns acham que escritores são seres estranhos. Solitários, reflexivos, diferentes... O talento é inato. A natureza outorga ou não. Como as velhas fórmulas mágicas que as bruxas utilizavam em seus caldeirões - o dom e a técnica são os componentes primordiais que necessitam amalgamar-se para dar nascimento a esse estranho ser chamado escritor. Esse ser que tem um pouco de anjo e um pouco de demônio. Porque os escritores, todos eles, não importa seu tamanho, nem sua estatura - física e mental - são perigosos.




Um escritor é visto sempre como alguém diferente, como um inovador, um criador de casos, um questionador, um desobediente, um sonhador, um louco com idéias perigosas.Aos olhos do público, até o menor dos escritores - até um liliputiense - tem a coragem de querer deixar suas pegadas no mundo. Parafraseando Platão, podemos afirmar que o escritor "quer ser mais ser".

(Crônica de Isabel Furini publicada no Bonde).

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