quinta-feira, 19 de abril de 2012

ADAM SANDLER É O PIOR ATOR DO MUNDO? (Crônica)



Decidi escrever sobre Adam Sandler influenciada por uma conversa com algumas amigas sobre o Framboesa de Ouro. Estávamos numa confeitaria deliciando-nos com bolo de chocolate quando surgiu a conversa sobre o filme "Cada um tem a gêmea que merece".

Eu ainda não assisti esse filme. Uma das minhas amigas achou o filme muito sem graça. Outra disse que é ruim, mas não é o único filme ruim de 2011. Já minha amiga que é professora de alunos de nível médio pensa que é bullying o fato de Adam Sandler ter ganhado sozinho nas categorias: pior ator, pior atriz e pior dupla. Isso pode acabar com a carreira de qualquer pessoa.

Comentamos que o comediante tinha uma carreira. Agora não será fácil para ele. Será que é divertido acabar com outros? Humilhar? Acabar com as chances que o outro tem em alguma profissão?

O Framboesa de Ouro é uma paródia do Oscar, um antiOscar poderíamos dizer, premia os piores filmes, atores, roteiros, etc.O idealizador do prêmio foi John Wilson. Ele iniciou a "premiação" nos anos 80.

O prêmio dos piores do ano não perdoa nem aqueles considerados grandes diretores como George Lucas, nem atores ganhadores de Oscar como Angelina Jolie, Michael Caine, Nicole Kidman, Nicolas Cage, Anthony Hopkins e muitos outros.

Nem Luciano Pavarotti conseguiu escapar do Framboesa, ele foi indicado em 1983 pelo filme Yes, Giorgio. Luciano ficou muito deprimido e nunca mais teve coragem de tentar carreira de ator.

O Framboesa de Ouro ao longo dos anos foi destruindo a carreira de alguns bons atores. No caso de Sean Connery, que foi indicado ao Framboesa de Ouro por Os vingadores (1998), ele fez mais dois filmes, que foram criticados, e desistiu do cinema desiludo com Hollywood.

Em 2011, aconteceu algo inusitado. Sandra Bullock, a menina de ouro, demonstrou que não seria o Framboesa de Ouro que acabaria com a carreira dela, não! Ela foi receber o prêmio. Corajosa, foi muito aplaudida. Poucos dias depois foi aplaudida na festa do Oscar. Como pode a mesma pessoa ser a pior e a melhor do ano? Vergonha para John Wilson. Errou feio, não é mesmo?

Talvez por isso, neste ano mudou a data do Framboesa de Ouro, agora é no 1º de abril, depois do Oscar. E, além disso, tinha que esculhambar alguém, mas esculhambar mesmo! Visando que o público esquecesse a vergonha do erro cometido contra a Sandra Bullock. Derrubar em uma só tacada Adam Sandler e Al Pacino era algo que o Framboesa não queria perder.

Discutimos sobre o fato de Adam Sandler ter sido vítima de bullyng por parte dos organizadores do antiOscar, o Framboesa de Ouro.

Penso que a melhor atitude quando não gostamos de um ator, de um diretor ou do assunto de um filme é não assistir. Só isso. Acho interessante que algumas pessoas assistem a filmes com atores ou roteiros que odeiam só para poder criticá-los.

Será que o mundo moderno é tão agressivo, tão seletivo, que a maioria das pessoas já sofreu de frustrações e quer descarregar essa carga emocional nos outros?

É como se o agressor estivesse dizendo: “Eu fracassei várias vezes, mas vejam o Adam Sandler, ele é pior do que eu. Ele é de nada. Ganhou três Prêmios Framboesa e pode ser considerado o pior do mundo”.

Será que isso dá prazer para algumas pessoas?

Vivemos em um mundo tão assustador como o mundo dos vampiros ou das tribos primitivas. Os terrores podem ser outros, mas o terror está aí. É o medo de perder o emprego, de fracassar, de ser criticado, de ser deixado para trás, de ser enganado. Medo do fracasso. Medo da solidão. Medo de morrer ou de não morrer... Nossa civilização é tão assustadora!






E o glamour é tão falso, não é? Você notou que os profissionais não vão a festas para se divertirem, eles fazem “contatos”. Não vão à praia porque gostam de praia, mas porque temem os comentários dos vizinhos e amigos. Alguém poderá se perguntar: Ele não tem dinheiro para lazer?

Vivemos no mundo da imagem, do photoshop, todos queremos ser lindos e bem sucedidos como algumas estrelas de Hollywood – digo, algumas estrelas, porque tudo nos leva a pensar que Adam Sandler foi simplesmente sacaneado. Ou, para usar uma imagem mais própria de Hollywood, posso dizer que ele foi devorado por um buraco negro. E não merecia isso. Vamos esperar agora que algum Justiceiro da galáxia possa salvá-lo.


Isabel Furini é escritora e poeta premiada, autora de “Eu quero ser escritor – a crônica”, do Instituto Memória, Curitiba.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

LITERARTE PARANAENSE


LITERARTE PARANAENSE - Promoção: SESC Água Verde - Curitiba /PR LOCAL: SESC Água Verde Salão de Eventos Av. República Argentina, 944 Fone: (41) 3342-7577 DATA 20 de Abril de 2012 (sexta-feira) HORÁRIO Das 18 horas às 21h30 CONTATO literarteparanaense@gmail.com

PROGRAMAÇÃO

18h00 – Abertura Oficial - Apresentação de expositores convidados (educação, literatura, música e artes visuais)

18h10 - Lançamentos de livros e início da sessão de autógrafos 1- BALELA – Mario Auvim 2 - ESTRANHA VISÃO - Rosalina Candida Carvalho 3 INICIAÇÃO CRISTÃ - Diácono Sérgio Ferreira de Almeida

18h15 – Grupo de Seresta Sesc Água Verde 18h30 - Palestra com Anthony Leahy, Diretor do Instituto Memória: Identidade Nacional e Cultura Regional 19h00 – Mesa Redonda: A produção intelectual docente e a responsabilidade de seu legado para a cultura local. Mediadora: Susan Blum (Universidade Positivo) Componentes: Adélia Maria Woellner (UFPR), Adonai Sant'Ana (UFPR), Anthony Leahy (Instituto Memória), Isabel Furini (professora do Solar do Rosário) e (Universidade Positivo).

20h00 – Performance poética Altair de Oliveira (Declamação e Varal de Poesia) João Bello e Susi Monte Serrat (música e poesia)

20h30 – Homenagem e show musical Suka Rodrigues: Fotografias de Ivo, família e Banda Blindagem (acervo pessoal em multimídia) Adriano Antunes (canta Blindagem e composições próprias) Todos os músicos ao palco (homenagem coletiva)

21h30 - Encerramento

sábado, 14 de abril de 2012

CAMPO DE TRIGO DE VAN GOGH


Corvos ferinos, mímicos ferinos,
sombras da genialidade,
murmúrio dos rios subterrâneos,
canal das águas do inconsciente.

Campo de trigo com pretos corvos
moendo
as tenebrosas horas.

O vento sussurra entre os ouvidos a tela
quase um ulular de morte.

Poema do livro “Os Corvos de Van Gogh”, editora Virtual Books, 2012.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O CACHORRO E O GATO (Poema infantil)

Fotografia de Isabel Furini



















Miau, miau, miau.
O gato do vizinho
comeu a comida
do meu cãozinho.

Miau, miau, miau.

O gato atrevido
caminhou pela calçada
pulou o muro,
colocou o focinho
no prato do cão
e acabou rapidinho
com a carne e o pão.

Auu, auu, auuuuu.
O cachorro chegou latindo,
o gato subiu na árvore
e o cachorro começou a grunhir.
Grrr, grrr, grrr.


O vizinho foi camarada
e deu um lanche
para o cachorrinho.

Splts, splts, splts.
O cachorro lambeu
o prato de comida
e mexeu o rabo com alegria.


Poema de Isabel Furini

Isabel Furini é escritora e palestrante, autora da coleção "Corujinha e os filósofos", da editora Bolsa Nacional do Livro. Ministra oficinas e palestras para futuros escritores.
Contato: isabelfurini@hotmail.com

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O TELEFONE (Poema de Isabel Furini)



O Telefone achava que era um artista
e foi ao Teatro de Revista.

Tocou o telefone
uma sinfonia desafinada.

Triimmm, triimmm, triiimmmm,

O público foi embora
e não pagou nada.

Isabel Furini é autora da colação "Corujinha e os filósofos" da editora Bolsa Nacional do Livro.

sábado, 7 de abril de 2012

O DINHEIRO NÃO TRAZ A FELICIDADE?

É muito interessante perceber que a maioria de nós muitas vezes fala frases impensadamente. Temos frases comuns que nos levam por caminhos que não pensamos, é comum dizer “matou por amor”, “o amor domina o mundo”, “ a honestidade é a melhor política”, “dinheiro não traz a felicidade” e outras.

Lamentavelmente nenhuma dessas afirmações resiste ao pente fino. Quando filtramos essas frases vemos que não se adaptam à realidade. A primeira já foi discutida por psicólogos. Ninguém mata por amor, em geral, quando uma pessoa ciumenta mata a sua namorada, ou namorado, falamos “matou por amor”, mas a causa não é o amor, é o ciúme.

Outra frase que leva a discussões é dizer que “o amor domina o mundo”. Será? No mundo, seja empresarial, social, político, quem domina é o jogo (ou joguinho) de poder. Um quer mostrar que é superior ao outro, ou um quer dominar o outro ou usar o outro como degrau para subir mais alto. Existe amor nas relações internacionais? Entre sérvios e bósnios? Entre árabes e judeus? Entre ateus e crentes? Entre ricos e pobres? Os Estados Unidos “ama” e protege os países subdesenvolvidos ou aproveita para sugar as riquezas naturais? Às vezes é difícil entender o porquê dessa frase romântica: o amor domina o mundo. Se o amor dominasse mesmo, este mundo seria quase um paraíso.

Eu também pensei durante muito tempo que a honestidade era a melhor política – e como criei inimigos por essa minha compulsão à honestidade. Uma vez uma aluna me disse que em uma festa um bêbado brindou à memória do pai morto fazia pouco tempo e disse: “Obrigado, papai, graças a você eu sou bom. Obrigado, papai, graças a você eu sou autêntico. Obrigado, papai, graças a você eu sou honesto, muito honesto. Obrigado, papai, graças a você eu sou pobre…”.

E sobre o “dinheiro não traz a felicidade”, ele sozinho não traz felicidade, não, mas sem ele ninguém é feliz. Se você precisar ir a um médico, a um dentista, viajar, comprar uma casa, ir ao teatro, comprar um livro, de um computador e não tiver dinheiro, imediatamente pensará que o dinheiro não é tudo, mas que ajuda muito. É uma das condições para ser feliz. Como disse aquele piadista, “não é que eu goste do dinheiro, é que ele me acalma os nervos”.

Mas essas frases feitas as pessoas repetem, até fica bonito dizer que o “dinheiro não traz a felicidade”, ou que o “amor domina o mundo”. Um amigo que gosta de luzir-se dizendo que seus filhos só usam tênis das melhores marcas, que custam em torno de R$ 1.000,00, que vão às melhores escolas e fazem esporte em bons clubes, etc., fecha sua fala dizendo: o dinheiro não traz a felicidade. Em uma reunião um rapaz exclamou: “A quem quer enganar, seu mané?”.

* Isabel Furini é escritora e palestrante, autora do livro “Eu quero ser escritor – A Crônica”,
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