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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

ConversArte: Devora Dante e Isabel Furini

 

Em 29 de outubro, 16 horas de Brasil (2:00 PM da Colômbia), a diretora do programa ConversArte, Devora Dante, entrevistará a poeta, escritora e professora Isabel Furini. 

No programa serão abordados assuntos importantes, entre eles: O caminho do escritor, Características da Poesia na atualidade,    Poesia em época de pandemia;
Poesía em sala de aula.

Estão todos convidados para esta Live.







sexta-feira, 25 de maio de 2018

Entrevista com Assionara Souza realizada em 2010

Em 2010, uma amiga também escritora Zeny Belmonte, falou que estava participando de uma oficina ministrada por Assionara Souza. Eu pensei em entrevistar Assionara para meu blog "Falando de Literatura" do Bonde, e Zeny falou com ela. Assionara aceitou a entrevista pelo e-mail.

Há poucos dias Assionara deixou sua forma física e foi a poetizar outras dimensões, por isso decidi reproduzir a entrevista, pois algumas pessoas tem interesse no trabalho dela. Na continuação a transcrição dessa entrevista.



Você tem paixão pelos livros? Você lia quando era criança?

Gosto dos livros. Mas ultimamente tenho gostado mais ainda daqueles que não foram escritos. Pelo menos estes guardam-se puros e intocáveis. Os livros são como pessoas, a gente nunca sabe o que pode acontecer com eles. Alguns são imprevisíveis; e outros mais previsíveis e chatinhos. Tenho fechado com a máxima do poema "Liberdade", de Fernando Pessoa: "Livros são papéis pintados com tinta." Então, não acho que o livro pelo livro seja importante, mas a relação que temos com esses objetos é que faz toda a diferença. Eu não lia livros clássicos quando criança. Como o Drummond no poema "Infância", ou seu eu lírico, que leu a extraordinária história de Robinson Crusoé. Por outro lado, eu ouvia muita conversa de adulto. Na minha família nós sempre tivemos grandes contadores de histórias, e uns poucos fantasistas, também. O que vem a ser, em alguns casos, quase a mesma coisa.

2. Como surgiu o livro de "Amanhã. Com sorvete"?

Fui escrevendo textos. E quando vi tinha um livro pronto.Acho que isso deixa transparecer um certo amadorismo de minha parte.Há pessoas que fazem um projeto, traçam planos para escrever um livro único. Com relação a esse livro, eu selecionei, entre os muitos textos escritos, alguns que talvez se comunicassem melhor. Embora ainda tenha deixado escapar no conjunto uns três ou quatro que realmente não parecem participar da ideia geral do livro. De qualquer modo, assino todos. Fui eu que escrevi e traz o meu jeito de pensar. É um livro leve.Mas de uma leveza aparente.

3. Se você tiver que escolher um conto de seu livro "Amanhã. Com sorvete", qual escolheria e por quê?

Bom, de certa forma, eu já escolhi todos esses contos que estão no livro. Não sei se os escolhi bem. Tenho muito texto. Escrevo sempre. Em todo caso, gosto das histórias mais divertidas. Essas que podem causar uma sensação melhor no leitor. Não sei se tenho muito a dizer. É bem difícil hoje dizer algo novo ou original. As coisas mais originais são tão simples. E atingir a simplicidade é para poucos; considerando que os grandes sábios pouco se arriscam a dizer uma única palavra. Nós escritores, no geral, somos tagarelas demais. E tagarelice resulta quase sempre em literatura enfadonha.

4. Qual é sua relação com os leitores de seus livros de contos?
A maioria são meus amigos. Então, posso dizer que tenho uma relação boa. Não tenho milhares de leitores. Se algum dia isso acontecer, acredito que eu particularmente não terei relação direta com esses leitores, uma vez que eles estarão mais envolvidos com o universo das personagens. O escritor, na maioria das vezes (estou falando no meu caso) atrapalha o próprio livro. É quem menos pode opinar sobre o livro que escreveu. Principalmente porque, se o livro está escrito, não há absolutamente nada mais a dizer sobre ele. Se eu fosse vizinha ou amiga pessoal de um desses grandes (Salinger ou Kafka) jamais me atreveria a falar sobre literatura. Talvez um bom assunto fosse o cuidado que se deve ter ao trocar uma plantinha de vaso.

5. Você também orienta oficinas na Fundação Cultural de Curitiba. Você acha que é possível formar escritores ou escrever é um "dom", como uma marca de nascença?

Não sei muito bem. Mas tenho uma impressão de que não se escolhe ser escritor. É uma condição que vai se contribuindo de acordo com o modo de ver o mundo e a necessidade que sentimos de traduzir esse modo de ver. Mas a literatura é a arte que menos demanda em termos de material físico. Ao contrário da escultura, que exige que se tenha um grande bloco do melhor mármore; ou a pintura com suas telas e tintas e tudo o mais; a escrita só exige de quem escreve um lápis e um pedaço de papel. E hoje é a época em que mais se evidencia a verdade de que, sim, qualquer um pode se tornar um escritor. Os escritores que chegam às oficinas de criação literária sabem disso. E são bastante convincentes para provar que é simples ser um escritor. Mas a questão não está somente nisso. Escrever é uma baleia branca. Você vai sempre buscá-la. Mesmo sabendo que ela é maior que você. É angustiante.

6. Você já teve em suas aulas algum aluno com talento excepcional para a escrita, quase um "gênio", como se fala popularmente?

Não acredito em gênios. Acho que isso é uma especulação publicitária.Há alguns iluminados: Jesus, Buda, Einstein ou Darwin. Os talentos excepcionais podem muito bem não saber fazer um arroz. Então é tudo muito relativo. As artes e a ciência selecionam demais a sociedade como se somente aqueles que puderam propor um teorema de sua imaginação e provar como ela funciona é que sejam dignos de serem chamados de gênios. Um homem simples que viveu toda a vida quieto e sem expressar muitas palavras pode igualmente ser um gênio sem que ninguém tome conhecimento do fato. Isso sim me parece genial.

7. Que conselho pode daria aos novos escritores?

Escritores, não deem ouvidos para conselhos de outros escritores. Nenhum destes servirá pra vocês.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

AUTOCRÍTICA POÉTICA



AUTOCRÍTICA POÉTICA

deletou palavras
escreveu outras
e deletou alguns versos
- maldito ponto final - xingou

escreveu novos versos
(sonhou um outro universo)
apagou as primeiras linhas
eliminou
palavras e silêncios

sentiu depressão
frustração
- esse maldito ponto final!
xingou.

Isabel Furini




sábado, 12 de novembro de 2016

Entrevista com Amauri Nogueira

Entrevista realizada por Isabel Furini.

Amauri Nogueira é o coordenador da Antologia Conexão I e Conexão II. Essas antologia reúnem trabalhos de poetas paranaenses que fazem parte da Feira do Poeta de Curitiba e de poetas de outros estados.

Quando surgiu sua paixão pela poesia?

Em 17 de março de 1981 surgiu meu primeiro poema, mas sempre relutei em dizer que escrevia. Eu trabalhava no Mercadorama, no centro, e engraxava sapatos também, pois eu tinha que me sustentar, já morava sozinho em quarto de pensão.
Quando engraxava sapatos conheci um seco bigodudo no bar Bife Sujo na Marechal Deodoro. Somente mais tarde fui saber que meu cliente era Paulo Leminski.
Em 1984 quando resolvi voltar estudar, meus colegas de sala começaram a me pedir que eu escrevesse poemas. Eu disse que não escrevia poemas...
Em uma certa ocasião uma amiga me pediu um poema que tinha escrito, e eu disse: “então faz de conta que é poesia”. Esta frase se tornou o nome de meu primeiro livro em 1990.


Pode citar seus livros e autores preferidos? 

Parece uma sina, mas não criei um hábito de dar preferência aos autores que li. Não tinha muito tempo para ler, pois desde a infância trabalhei. Monteiro Lobato foi o único que esteve em minha infância, pois sempre acompanhei o Sítio do Pica Pau Amarelo na tevê.

Fale sobre o seu processo de criação. Você escreve a partir de uma palavra, de uma imagem, de uma ideia...


Acredito na inspiração, pois acordei muitas vezes de madrugada somente para escrever. Hoje tenho um pouco mais de facilidade em escrever sobre os temas atuais. Quando comecei a escrever escrevia muito sobre o amor e a natureza.

Como surgiu a ideia da Antologia de poesia Conexão? 

Estava com o Luis Ronconi e Regina Bostulin descendo a São Francisco quando disse aos dois: “Temos que fazer algo que marque o retorno da Feira do Poeta”. Então começamos a dar sugestões, surgiu o “Varal de poesias” com o Ronconi e o “Pise Poesia” com a Regina.
Lembro-me que disse: “Isso é pouco, pois a Feira merece muito mais. E por que não uma Antologia?” Os dois olharam para mim e perguntaram “Com quantos participantes?”
Eu respondi: “Com uns vinte.”
E fui retrucado de novo: “Será que conseguimos vinte? E quem assume a responsabilidade?”
“Eu.” -  respondi, e complementei: “Eu quem deu a ideia. Eu assumo, desde que vocês façam parte.”
E assim comecei a convidar os poetas conhecidos, mas também queria mesclar com os novos. Aos domingos ia até a Feira do Poeta garimpar quem poderia estar com a gente nesse processo. Depois defini a data e o lançamento, mesmo sem ainda ter os poetas participantes. Escolhi o dia 04 de outubro por ser o Dia Internacional do Poeta, e assim comecei a definir o Conexão.


Foi difícil organizar Conexão I e Conexão II? 

Posso dizer que sim, pois há quase doze anos sem conversar com a maioria dos poetas e sem conhecer os novos, isso exigia confiança por parte deles.Vencendo esta parte e fazendo reuniões semanais, depois passando para uma reunião quinzenal, formamos o grupo. Assim se tornou possível realizar a Conexão.

Como foram escolhidos os participantes? 

Na Conexão I os poetas foram garimpados por mim e por outros participantes, como por exemplo, o Osmarosman Aedo, que foi convidado pela Vanice Zimermman. Ele chegou em hora oportuna, colaborando muito para a realização e além de enriquecer a antologia convidando poetas de outros estados.
Já na Conexão II, fiz questão de chamar os poetas que não participaram da primeira. Mas muitos participantes do Conexão I fizeram questão de participar novamente, o que tornou a obra bem rica e variada.

Fale de seus próximos projetos.

Pessoalmente, não gosto muito de projetos longos, mas sei que é necessário. Tenho um pouco de cautela, pois a vida nos prega algumas peças.
Mas pretendo dar continuidade nesse projeto de antologia, pois sei que existem muitos poetas que ainda não tiveram a chance de publicar seus trabalhos. Esta é uma das formas deles mostrarem seus trabalhos, participando de uma antologia.



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Entrevista na revista ZK 2.0 da Espanha


Os autores do livro Passageiros do Espelho foram entrevistados pela escritora Zeltia G, editora da revista ZK 2.0 da Espanha.

Ver entrevista completa no site:

http://www.zonakeidell.com/zk24/paginas/passageiros/

quarta-feira, 8 de junho de 2011

QUEM É A VOVÓ XANINO?



















Magda R. Martín é romancista e também escreve contos para crianças. Na entrevista conseguimos entender um pouco o processo criativo que ela segue:


1) Magda, os contos publicados na revista ZJ 2.0 da Espanha, sob o pseudônimo de Vovó Xanino, são um sucesso. Conte-nos, qual é a chave para comunicar-se com o público infantil?
Tento entrar na mente da criança lembrando-me da minha própria infância. A mente infantil não percebe diferença entre os fatos dos quais nós, os humanos, participamos e os que podem viver os animais de qualquer espécie. A sua imaginação é rica e flexível, por isso compreende de maneira natural, com os mesmos programas, o traslado de sucesso de nossa vida quotidiana a uma vida animal. Daí o êxito de tantos contos com animaizinhos humanizados.


2) Como surgiu o pseudônimo de "Abuela Xanino", Vovó Xanino?
De uma maneira muito simples. Eu sou pouco hábil para encontrar títulos e pseudônimos e quando estava escrevendo a novela EL PIANO DE COLA, no fragmento no qual são citadas as "Xanas" asturianas (assim nomeiam as fadas dos rios na Astúrias), alguns amigos chamaram-me para participar de um foro literário. Como devia dar-me a conhecer mediante um pseudônimo, não pensei muito, escolhi "Xanino", que é o nome que se dá aos filhos das Xanas. Fazer-me chamar Xana me parecia demasiada pretensão. E com esse apelativo fiquei conhecida, logo, a causa de minha idade, já cumpri 77 anos, começaram a me conhecer como "Vovó Xanino", e assim permaneceu.

3) Qual é a sua rotina, em que horário você escreve?
Sou pouco notívaga e muito madrugadora, gosto de escrever durante as primeiras horas da manhã, quando, ainda, está tudo quieto, em silêncio. Mas se a inspiração surgir a qualquer outra hora do dia, eu aproveito. Inclusas algumas noites em que fico desvelada (fico com insônia) e, então, se surgir uma ideia, uma cena que possa ser interessante, se escrevo um texto, escrevo-o em um bloco que sempre tenho no criado-mudo, se por acaso as Musas se dignam visitar-me nessas horas.

4) Prefere escrever para adultos ou para o público infantil?
Gosto de escrever para ambos. Desfruto muito plasmando sentimentos profundos em uma historia novela, acho que isso é muito meu, muito pessoal. Não obstante, me houvera gostado de ser uma boa escritora de contos infantis, acho que é um gênero literário bastante difícil de conseguir. As crianças são muito inteligentes, não podemos menosprezá-las, sabem muito bem o que desejam e gosto muito de chegar a seus corações. É muito gratificante ver como elas riem ou se emocionam quando lhes esclarecemos assuntos ou quando realizam leituras de um conto. Eu sou avó de quatro netos.


5) Em que ano começou a escrever? Seu estilo mudou com o tempo ou manteve o mesmo estilo?
Acredito que nós, as pessoas que gostamos de escrever, não podemos determinar uma data concreta de nossos começos. Temos escrito sempre. Considero a arte da escrita como um dom com o qual se nasce (logo se pode ampliar e melhorar com os conhecimentos adquiridos), portanto, sempre estão aí. Sim, lembro que o primeiro conto que escrevi foi aos 9 ou 10 anos e o dei de presente para minha mãe. Nele dava vida a duas baratinhas que falavam entre si. Lamentavelmente não sei onde ficou esse conto, perdeu-se. Logo, ao longo do tempo, segui escrevendo "para mim", uma vez escrito e lido, tudo ia parar no cesto de lixo, nunca me considerei uma escritora capaz, sentia muita vergonha de que alguém soubesse que eu gostava de escrever, não dava valor a meus escritos ainda que, durante meus tempos de estudante, me destacava nas aulas de literatura. Quando eram organizados concursos, geralmente eu ganhava o prêmio. Logo a vida, meu casamento e o cuidado de meus sete filhos afastaram-me um pouco da escrita, ainda que não me afastassem da leitura, tenho lido sempre. O detonador de minha volta à escrita foi a morte de minha mãe no ano de 1990. Escrevi um conto em sua memória, que enviei a cada um de meus irmãos, sem êxito, claro, somente como uma lembrança. Posteriormente, com o falecimento de meu esposo no ano 1992 e com os filhos já crescidos, tive tempo livre para me dedicar à escrita. Naquela época, assisti a uma oficina de escrita para aperfeiçoar um pouco o meu estilo e desde então pratiquei e sigo praticando e aprendendo.Meu estilo creio que sempre foi a narrativa, gosto de narrar, acho que vou melhorando (e isso espero) não mudando.


6) Quais são os seus livros preferidos?
Gosto de todos os que sejam de narrativa, as biografias e as novelas históricas. Logo, qualquer tema interessante ou que se destaque no momento. Não dou títulos porque gosto e já gostei de tantos que não posso escolher um título determinado. Impactou-me bastante uma novela intitulada "Los que vivimos" de Ayn Rand, o "Sinuhé o Egipcio" de Mika Valtari, etc. Não posso escolher, são demasiados. Na atualidade há tantos escritores que é muito difícil encontrar um bom escritor. Acho que antes, tempos atrás, havia melhor literatura que na atualidade. Peço perdão, sinto muito, mas é a minha opinião.


7) Fale um pouco de seu novo livro "El piano de cola" (O piano de cauda).
É um livro não muito longo (não costumo escrever historias longas) que comecei há dois ou três anos e ficou numa gaveta só com as primeiras páginas escritas, esperando tempos melhores, até que um dia eu falei: Daqui se pode criar uma terna história, e comecei a trabalhar. Como quase tudo que escrevo, relatam-se acontecimentos da vida quotidiana, feitos que podiam acontecer a qualquer um de nós em igualdade de circunstâncias. Sucessos correntes da vida. Além de narrar os acontecimentos ou circunstâncias em si, gosto de explicar e intento expor em letras com a maior claridade possível todos os sentimentos que os personagens sofrem, e isso é muito difícil porque os sentimentos, como muito bem fala a palavra, se sentem, mas não existe uma palavra determinada para descrever um sentimento, então, o escritor deve fazer uma unidade com o personagem e, dentro do contexto da história, fazer chegar esse sentir do protagonista ao sentimento do leitor. É algo como ter que escrever entre linhas, coisa que o leitor deve captar.
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