as almas silenciavam enquanto a civilização
afundava nas trevas do consumismo
haviam sequestrado as palavras
os medos consumiam as almas
e ninguém transitava pelo caminho do amor
as palavras exiladas morriam e os homens
(aos poucos) emudeciam como as estátuas
e crescia o deserto sombrio das bocas amordaçadas
as pessoas buscavam as palavras nas ranhuras do tempo
nos desfiladeiros dos lobos, no oceano dos alfabetos
nas cavernas onde moram os morcegos
buscavam o Verbo – em vão
e a humanidade começou a observar o céu
e redescobriu o voo silencioso das aves
a música do vento, o perfume das flores
as coreografias das naves que atravessavam os mares
os movimentos dos escaravelhos
o uivar dos lobos, o voo dos condores
e as danças criadas por primitivas civilizações
sem palavras
os sorrisos silenciosos e os apertos de mão
as palavras perdidas atingiam os corações
inventavam poemas e recriavam ilusões
e nessas engrenagens inescrutáveis do espaço e do tempo
os homens mudos aprendiam a linguagem
que os séculos cinzelaram nos espelhos
aprendiam que os movimentos de diástole e de sístole do universo
incluem palavras e silêncios.
Isabel Furini
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Arte digital de Carlos Zemek - premiada em Buenos Aires, Argentina |
,,, sem palavras os humanos redescobriram os abraços, os sorrisos silenciosos...os homens mudos aprendiam a linguagem.. Lindo!
ResponderExcluirParabéns poetisa IsabelFurini! Muito bom poetar! Bom dia!
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