terça-feira, 29 de novembro de 2016
SENSAÇÕES - Poesia de Isabel Furini
SENSAÇÕES
A textura da rocha
(áspera e dura)
as texturas da alma
a textura do mar
(úmida e fria)
e o arrepio da pele
ao conjugar o verbo amar.
Isabel Furini
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Espelhos - poema de Isabel Furini
Cartografia de noites de insônia:
Cobras (fofoqueiras) espargem
Cobras (fofoqueiras) espargem
flechas de ódio
e vocábulos com veneno
sobre pergaminhos de silencio.
Acordo mais uma vez entre palavras de fogo e de água,
enxergo minha imagem
no espelho do armário.
Velhos traumas afundam canoas de ilusões.
Batem os sinos de uma igreja,
são três da manhã e não consigo dormir.
e vocábulos com veneno
sobre pergaminhos de silencio.
Acordo mais uma vez entre palavras de fogo e de água,
enxergo minha imagem
no espelho do armário.
Velhos traumas afundam canoas de ilusões.
Batem os sinos de uma igreja,
são três da manhã e não consigo dormir.
Isabel Furini
Naufrágio do Olhar - Poema de Isabel Furini
Sibilam inaudíveis as horas
catalizadoras
de solidão e indiferença
sibilam mulheres de longos cílios
e multiformes rostos
(projetadas nos retratos de Picasso)
os lânguidos olhares sucumbem sob o céu
e o mundo naufraga no passado
- sem futuro.
Isabel Furini
Medieval - Poema
MEDIEVAL
ardem os sonhos
no quintal das realidades.
queimam as utopias
na fogueira das bruxas da nova idade media
somos tao medievais que sonhamos com anjos
e príncipes e princesas
e tememos
e acreditamos
no pecado e no castigo
e continuamos cegos de entendimento
sempre preparados para acender a fogueira
dos preconceitos.
Poema de Isabel Furini
Poema de Isabel Furini
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Criação Poética - Poema de Isabel Furini
CRIAÇÃO POÉTICA
O poeta revive a antiga arte
de transformar pesadelos em poesias.
Pacientemente vasculha galerias,
túneis da memória,
e com palavras faz acrobacias.
Nutre-se de palavras
e das antigas sensações das adegas.
Experimenta sabores: azedo, salgado, doce, amargo,
agridoce, silvestre, áspero, aquoso,
apimentado, umami, cítrico, arenoso.
O poeta brinca com os versos
fermentados pelo tempo.
Muda os sabores e acresce sementes
de sonhos e de amores,
mas entalha o poema com o afiado cinzel dos escultores.
ISABEL FURINI
O poeta revive a antiga arte
de transformar pesadelos em poesias.
Pacientemente vasculha galerias,
túneis da memória,
e com palavras faz acrobacias.
Nutre-se de palavras
e das antigas sensações das adegas.
Experimenta sabores: azedo, salgado, doce, amargo,
agridoce, silvestre, áspero, aquoso,
apimentado, umami, cítrico, arenoso.
O poeta brinca com os versos
fermentados pelo tempo.
Muda os sabores e acresce sementes
de sonhos e de amores,
mas entalha o poema com o afiado cinzel dos escultores.
ISABEL FURINI
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
O Beija-flor e a sábia Coruja (Poema Infantil)
O Beija-flor e a sábia Coruja
Era um lindo beija-flor
muito, muito sonhador.
O beija-flor sonhava
em ser um grande condor.
Ele queria voar
sobre as altas montanhas.
Cada vez que o intentava
os amigos gargalhavam.
Tadinho desse sonhador
Nunca seria um condor!
A mãe sempre dizia:
- Você é um lindo beija-flor.
O pequeno Beija-flor
foi falar com a Coruja.
Muito sábia a coruja
disse para o passarinho:
- Sua função é dar beleza
e alegrar a natureza.
Nesta vida o importante
é ser autoconfiante.
Muitas aves gostariam
de ser tão belas quanto você.
Você deverá aprender
a amar o que você é.
Isabel Furini
![]() |
Imagem gerada pela IA do Bing |
Poema infantil de Isabel Furini - Contato: isabelfurini@hotmail.com
sábado, 12 de novembro de 2016
Entrevista com Amauri Nogueira
Entrevista realizada por Isabel Furini.
Amauri Nogueira é o coordenador da Antologia Conexão I e Conexão II. Essas antologia reúnem trabalhos de poetas paranaenses que fazem parte da Feira do Poeta de Curitiba e de poetas de outros estados.
Quando surgiu sua paixão pela poesia?
Em 17 de março de 1981 surgiu meu primeiro poema, mas sempre relutei em dizer que escrevia. Eu trabalhava no Mercadorama, no centro, e engraxava sapatos também, pois eu tinha que me sustentar, já morava sozinho em quarto de pensão.
Quando engraxava sapatos conheci um seco bigodudo no bar Bife Sujo na Marechal Deodoro. Somente mais tarde fui saber que meu cliente era Paulo Leminski.
Em 1984 quando resolvi voltar estudar, meus colegas de sala começaram a me pedir que eu escrevesse poemas. Eu disse que não escrevia poemas...
Em uma certa ocasião uma amiga me pediu um poema que tinha escrito, e eu disse: “então faz de conta que é poesia”. Esta frase se tornou o nome de meu primeiro livro em 1990.
Pode citar seus livros e autores preferidos?
Parece uma sina, mas não criei um hábito de dar preferência aos autores que li. Não tinha muito tempo para ler, pois desde a infância trabalhei. Monteiro Lobato foi o único que esteve em minha infância, pois sempre acompanhei o Sítio do Pica Pau Amarelo na tevê.
Fale sobre o seu processo de criação. Você escreve a partir de uma palavra, de uma imagem, de uma ideia...
Acredito na inspiração, pois acordei muitas vezes de madrugada somente para escrever. Hoje tenho um pouco mais de facilidade em escrever sobre os temas atuais. Quando comecei a escrever escrevia muito sobre o amor e a natureza.
Como surgiu a ideia da Antologia de poesia Conexão?
Estava com o Luis Ronconi e Regina Bostulin descendo a São Francisco quando disse aos dois: “Temos que fazer algo que marque o retorno da Feira do Poeta”. Então começamos a dar sugestões, surgiu o “Varal de poesias” com o Ronconi e o “Pise Poesia” com a Regina.
Lembro-me que disse: “Isso é pouco, pois a Feira merece muito mais. E por que não uma Antologia?” Os dois olharam para mim e perguntaram “Com quantos participantes?”
Eu respondi: “Com uns vinte.”
E fui retrucado de novo: “Será que conseguimos vinte? E quem assume a responsabilidade?”
“Eu.” - respondi, e complementei: “Eu quem deu a ideia. Eu assumo, desde que vocês façam parte.”
E assim comecei a convidar os poetas conhecidos, mas também queria mesclar com os novos. Aos domingos ia até a Feira do Poeta garimpar quem poderia estar com a gente nesse processo. Depois defini a data e o lançamento, mesmo sem ainda ter os poetas participantes. Escolhi o dia 04 de outubro por ser o Dia Internacional do Poeta, e assim comecei a definir o Conexão.
Foi difícil organizar Conexão I e Conexão II?
Posso dizer que sim, pois há quase doze anos sem conversar com a maioria dos poetas e sem conhecer os novos, isso exigia confiança por parte deles.Vencendo esta parte e fazendo reuniões semanais, depois passando para uma reunião quinzenal, formamos o grupo. Assim se tornou possível realizar a Conexão.
Como foram escolhidos os participantes?
Na Conexão I os poetas foram garimpados por mim e por outros participantes, como por exemplo, o Osmarosman Aedo, que foi convidado pela Vanice Zimermman. Ele chegou em hora oportuna, colaborando muito para a realização e além de enriquecer a antologia convidando poetas de outros estados.
Já na Conexão II, fiz questão de chamar os poetas que não participaram da primeira. Mas muitos participantes do Conexão I fizeram questão de participar novamente, o que tornou a obra bem rica e variada.
Fale de seus próximos projetos.
Pessoalmente, não gosto muito de projetos longos, mas sei que é necessário. Tenho um pouco de cautela, pois a vida nos prega algumas peças.
Mas pretendo dar continuidade nesse projeto de antologia, pois sei que existem muitos poetas que ainda não tiveram a chance de publicar seus trabalhos. Esta é uma das formas deles mostrarem seus trabalhos, participando de uma antologia.
Amauri Nogueira é o coordenador da Antologia Conexão I e Conexão II. Essas antologia reúnem trabalhos de poetas paranaenses que fazem parte da Feira do Poeta de Curitiba e de poetas de outros estados.
Quando surgiu sua paixão pela poesia?
Em 17 de março de 1981 surgiu meu primeiro poema, mas sempre relutei em dizer que escrevia. Eu trabalhava no Mercadorama, no centro, e engraxava sapatos também, pois eu tinha que me sustentar, já morava sozinho em quarto de pensão.
Quando engraxava sapatos conheci um seco bigodudo no bar Bife Sujo na Marechal Deodoro. Somente mais tarde fui saber que meu cliente era Paulo Leminski.
Em 1984 quando resolvi voltar estudar, meus colegas de sala começaram a me pedir que eu escrevesse poemas. Eu disse que não escrevia poemas...
Em uma certa ocasião uma amiga me pediu um poema que tinha escrito, e eu disse: “então faz de conta que é poesia”. Esta frase se tornou o nome de meu primeiro livro em 1990.
Pode citar seus livros e autores preferidos?
Parece uma sina, mas não criei um hábito de dar preferência aos autores que li. Não tinha muito tempo para ler, pois desde a infância trabalhei. Monteiro Lobato foi o único que esteve em minha infância, pois sempre acompanhei o Sítio do Pica Pau Amarelo na tevê.
Fale sobre o seu processo de criação. Você escreve a partir de uma palavra, de uma imagem, de uma ideia...
Acredito na inspiração, pois acordei muitas vezes de madrugada somente para escrever. Hoje tenho um pouco mais de facilidade em escrever sobre os temas atuais. Quando comecei a escrever escrevia muito sobre o amor e a natureza.
Como surgiu a ideia da Antologia de poesia Conexão?
Estava com o Luis Ronconi e Regina Bostulin descendo a São Francisco quando disse aos dois: “Temos que fazer algo que marque o retorno da Feira do Poeta”. Então começamos a dar sugestões, surgiu o “Varal de poesias” com o Ronconi e o “Pise Poesia” com a Regina.
Lembro-me que disse: “Isso é pouco, pois a Feira merece muito mais. E por que não uma Antologia?” Os dois olharam para mim e perguntaram “Com quantos participantes?”
Eu respondi: “Com uns vinte.”
E fui retrucado de novo: “Será que conseguimos vinte? E quem assume a responsabilidade?”
“Eu.” - respondi, e complementei: “Eu quem deu a ideia. Eu assumo, desde que vocês façam parte.”
E assim comecei a convidar os poetas conhecidos, mas também queria mesclar com os novos. Aos domingos ia até a Feira do Poeta garimpar quem poderia estar com a gente nesse processo. Depois defini a data e o lançamento, mesmo sem ainda ter os poetas participantes. Escolhi o dia 04 de outubro por ser o Dia Internacional do Poeta, e assim comecei a definir o Conexão.
Foi difícil organizar Conexão I e Conexão II?
Posso dizer que sim, pois há quase doze anos sem conversar com a maioria dos poetas e sem conhecer os novos, isso exigia confiança por parte deles.Vencendo esta parte e fazendo reuniões semanais, depois passando para uma reunião quinzenal, formamos o grupo. Assim se tornou possível realizar a Conexão.
Como foram escolhidos os participantes?
Na Conexão I os poetas foram garimpados por mim e por outros participantes, como por exemplo, o Osmarosman Aedo, que foi convidado pela Vanice Zimermman. Ele chegou em hora oportuna, colaborando muito para a realização e além de enriquecer a antologia convidando poetas de outros estados.
Já na Conexão II, fiz questão de chamar os poetas que não participaram da primeira. Mas muitos participantes do Conexão I fizeram questão de participar novamente, o que tornou a obra bem rica e variada.
Fale de seus próximos projetos.
Pessoalmente, não gosto muito de projetos longos, mas sei que é necessário. Tenho um pouco de cautela, pois a vida nos prega algumas peças.
Mas pretendo dar continuidade nesse projeto de antologia, pois sei que existem muitos poetas que ainda não tiveram a chance de publicar seus trabalhos. Esta é uma das formas deles mostrarem seus trabalhos, participando de uma antologia.
sábado, 5 de novembro de 2016
Dançar - poema de Isabel Furini
DANÇAR
É a alegria de dançar
sozinha
os pés descalços
o coração puro
e a alma de andorinha
enquanto uivam as lembranças
imagens e palavras pulam da memória
instigam emoções
desenterram amores e esperanças
a dança é arte
proporciona a calma
e é catarse para a alma.
Isabel Furini
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Quadro de Ana Letícia Mansur |
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Santa Teresa de Ávila (Poema de Isabel Furini - quadro de Ivani Silva)
Santa Teresa de Ávila
Atravessa a tarde em oração
e ao ouvir estranhos sinos
Teresa percebe
(com olhos cristalinos)
que sua alma
sobrevoa os muros de Ávila
- rumo ao infinito.
Isabel Furini
O SORRISO (Poema de Isabel Furini)
O SORRISO
Um cálice de vinho
sobre a pequena mesa
nos reflexos do vinho
um antigo Anjo
cantando em um circo
o santo Anjo
tem nos lábios
um sorriso
feito de pão e de vinho
um sorriso suave
sorriso de criança
e nos olhos têm duas aves
que dançam
sobre as águas
do rio de Heráclito
(silenciosamente)
as águas passam
e só fica o sorriso do Anjo
eterno
como o movimento da galáxia.
Isabel Furini
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