segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Um quadro de Monet



 





Um quadro de Monet

No vaso
chinês
as flores
da alma
desejam voar...

Isabel Furini

Flowers in a Chinese vase Claude Monet





sábado, 1 de outubro de 2022

Ecos na janela (Poema de Isabel Furini)

 





Ecos na janela


Um mar de sonhos giratórios
perturba a madrugada
o céu ainda está escuro
e o mistério sitia a mente
a palavra amor agita os lábios
os mortos batem a janela do quarto
surgem tantas lembranças
de amores condenados pelo tempo
amores que ontem pareciam sequoias
mas foram esmagados pelas horas
só ficou o sabor daquele adeus
cimentado entre as pedras do jardim
e hoje um riso de arlequim
ecoou no vidro da janela
e surgiram lembranças de aquarela
pois na falsa memória
o ontem só teve primaveras
e sempre o passado foi melhor

Isabel Furini

Imagem gerada pela IA do Bing


quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Uma tatuagem (Poema de Isabel Furini)


Uma tatuagem é desdobramento do instinto em imagens,
orbe de conceitos
chicoteados em flor, ou âncora, ou astro (caos de imagens)
silêncio angustiante e selvagem cinzelado no corpo.

Uma tatuagem é labirinto de conceitos
(metálicos),
gravura de emoções desafiando a impermanencia
e os preconceitos,
áspera formiga desfiando a crosta de um relógio vermelho
(no quadro de Dalí).

E, às vezes, às vezes, uma tatuagem
é como a fita de Moebius,
arco do tempo,
voz metafísica do universo
imprimindo o sonhos na epiderme do eu.

Isabel Furini

Imagem gerada pela IA do Bing





terça-feira, 16 de agosto de 2022

Perspectivas agridoces (Poema de Isabel Furini)

 

 

 

PERSPECTIVAS

Entre luzes e sombras
a esperança
(fantasiada de borboleta)
ondula sobre as pétalas das rosas
voa sobre as flores silvestres
e faz milhares de desenhos
geométricos
visando felizes perspectivas
mas, durante a noite
os desenhos são apagados
pelas lágrimas violetas
das prostitutas transfiguradas
em gárgulas de pedra
- pobres seres condenados ao abismo
e a ter (diariamente)
o fígado devorado
pela falsa e cruel moralidade humana 

Isabel Furini



domingo, 7 de agosto de 2022

Aquella fotografía (poema de Isabel Furini)

 

Aquella fotografía...


la fotografía colgada en la pared
incendia las remembranzas
porque el amor es un hechicero
lleno de trucos y de amuletos
derrama el fuego
de las caricias y de los besos
(ladino)
el amor entrega a cada beso
un pedazo de cielo
y la falsa promesa de ser eterno 

Isabel Furini

 




 



 


quinta-feira, 21 de julho de 2022

O peixinho costureiro (Poema Infantil de Isabel Furini)

 

 

O peixinho costureiro
só queria costurar,
criar lindos modelitos
e a todos encantar.

O peixinho tinha uma antiga
máquina de costurar.
Foi um presente de sua avó,
antes de se perder no mar.

Uma manhã chuvosa
o peixinho a costurar,
quando viu sua avó voltar.
Foi um momento de alegria!

A vovó usava um chapéu
de feltro da cor do mar.
A avó, suas aventuras contou.
E aos peixinhos encantou.


Isabel Furini

Arte digital de Isabel Furini


domingo, 5 de junho de 2022

Fixar o olhar (Poema de Isabel Furini)

 

 


FIXAR O OLHAR

               
a ferrugem dos cascos dos navios
espalha-se no horário do ocaso
e polui os sentimentos
    - sorrateiros, voltam os fracassos
é preciso soterrar as sombras
e fixar o olhar (sem medo)
nas chamas do fogo da vitória 

Isabel Furini



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