![]() |
| Imagem gerada pela IA do Bing |
Uma vírgula?
pergunto ao meu ser interior
:
será possível que eu seja menos que nada?
talvez só uma vírgula observando estrelas
ou uma imagem alada
flutuando suavemente sobre uma almofada
Isabel Furini
Ego&mania
Isabel Furini
o som de um tambor
quebra a monotonia da manhã
o ego (assustado)
precisa de um afago
o som do tambor revela
que o ego é um troglodita mimado
quer ser alimentado sem descanso
o ego precisa do elogio demorado
do aplauso, exige carinho
quer ser notado
quer se impor
como o som de um tambor
a palavra que o guia é autossatisfação
o ego nasceu rei - um leão mimado
ele quer ser amado
mas nunca pensa em amar
nem em compreender
nem em valorizar
aqueles que estão a seu lado
*
![]() |
| Imagem gerada pela IA do Bing |
O lugar da mulher?
Isabel Furini
é na cozinha
cozinha
cozinha
cozinha
sim, na quimérica cozinha das Musas
lá
com alcaparras, sal e champignon
a mulher tempera os versos perversos
e suaviza os destinos adversos
a mulher saboreia
vinho branco Meursault Clos de la Barre
(um vinho encorpado, salino, acetinado)
enquanto escreve um poema
e na hora do Angelus
a sua alma como vinho envelhecido
voa sobre um mar de sonhos
![]() |
| Imagem gerada pela IA do Bing |
Vamos todos desenhar
lindas flores nas janelas.
Vamos alegres cantar,
pois chegou a primavera.
A primavera chegou
com flores e borboletas.
Na praça um músico cego
está tocando trombeta.
Na televisão, o palhaço
fica fazendo piruetas.
As crianças estão contentes
e dançam alegremente.
Viva! Viva a primavera!
Isabel Furini
![]() |
| Imagem gerada pela IA do Bing |