sexta-feira, 20 de julho de 2018

A Folha - Poema de Isabel Furini



A FOLHA

Ao rasgar a folha
o poeta espalha as letras
dos versos
entre galáxias
de possibilidades poéticas.

Isabel Furini

Ser odiado? Poema de Isabel Furini



SER ODIADO?

A vantagem de ser odiado
é que depois de morto,
você será lembrado.
Pois enquanto o carinho é morno,
o ódio é tão ardente quanto o fogo.

Isabel Furini

A mão misteriosa - poema de Isabel Furini



A MÃO MISTERIOSA

os monstros são tenazes
como o vento
fogem na Lua Nova
e inundam as cidades
de tristeza e de dor

mas às vezes
surge do invisível
uma mão misteriosa
acalma o músculo cardíaco
e diminui o terror

é uma mão amiga
suave como uma rosa
será a mão de um anjo
ou a mão de Deus?

Isabel Furini

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Velhas Fotografias - Poema de Isabel Furini


VELHAS FOTOGRAFIAS

línguas de vento
atiçam o fogo do passado
nebulosos os olhares
e os raios da Lua sobre o álbum
voltam antigos amores
guardados em fotografias desbotadas

voltam os amores?
partiram para sempre ou ficaram?
descansam no vórtice dos tornados?
tal vez permanecem ancorados
nos interstícios
do músculo cardíaco.

Isabel Furini

Arte Digital de Isabel Furini

domingo, 15 de julho de 2018

Portas - Poema de Isabel Furini




PORTAS

Nunca se submeta, poeta!
jogue fora as muletas 
da autocomiseração

prestígio? reconhecimento? glória?
a abertura dessas portas ilusórias
é aleatória
pois a vida  é uma roleta

só as cartas de tarô
revelarão o nome do poeta 
capaz de corroer 
as oxidadas fechaduras 
e de abrir as portas.

Isabel Furini



terça-feira, 10 de julho de 2018

ASAS - Poema de Isabel Furini

Em 2016,  visitei pela segunda vez Seattle (USA) e as cidades vizinhas. Estava caminhando perto do lago de Kirkland e tirando fotografias, quando vi esse corvo levantando as asas. Parecia uma imagem mágica. Nessa região essa ave é comum. Mas nunca havia visto um corvo nessa postura. O corvo levantou as asas e ficou alguns segundos imóvel, com corpo erguido e as asas abertas. Projetava uma sombra sobre o chão. Parecia uma pessoa tentando reerguer-se de seu passado.

Abri a bolsa, e procurei a caneta e a agenda. Surgiu esse poema:


ASAS

as gárgulas do medo
açoitavam minha vida
mas um poder dormido
acordou de repente
e me fez deixar o ninho

nunca mais
oxidarei minhas horas
com tristes pensamentos
minha alma é poderosa
levantarei a cabeça
abrirei minhas asas
e desafiarei o vento.

Isabel Furini

quinta-feira, 5 de julho de 2018

O bolo cor de rosa - Poema infantil de Isabel Furini


Esse bolo cor de rosa
eu amo de coração!
A avó terminou o recheio
e falou: - Netinha, por favor,
preciso de sua opinião.

- O recheio é muito saboroso!
Eu falei para a vovó.

E posso contar a verdade:
- É uma bela combinação.
O bolo tem morango e creme
e a avó fez com muito amor.

Isabel Furini

Arte digital de Isabel Furini

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