segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A MENINA SAPECA (Crônica de Humor)

Eram os anos 60 – dos hippies, do rock, do sonho de uma comunidade universal e pacífica. As freiras da escola frequentada por minha amiga Carla - o nome é fictício - não toleravam indisciplina. Eram muito tradicionais e rejeitavam essas posturas “modernas” diante da vida, especialmente a irmã Lúcia.

É preciso entender que era um Colégio tradicional cheio de regras e padrões. A irmã Lúcia cuidava das crianças com a diligência e a rigidez de um sargento. Qualquer movimento, qualquer palavra dos alunos era considerado indisciplina.

A irmã Lúcia gritava: “ Quem falar sem pedir licença vai para o inferno. Quem não escovar os dentes depois do almoço vai para o inferno... Meninas sapecas irão para o inferno”. . E Carla era uma menina sapeca.

Um dia entrou na cozinha, pegou uma jarra e molhou as plantas da entrada que pareciam precisar de água.

– Você não pode decidir sozinha, tem que pedir autorização para pegar uma jarra. Eu já falei que desordem leva ao inferno, pense nisso, Carla.

– Sim, irmã Lúcia, respondeu a menina.

– Pode voltar para sua sala de aula.

Carla entrou na sala, sentou-se perto da janela e soltou sua imaginação... entre as nuvens desenhou o inferno. Um lugar lindo e colorido, cheio de crianças bagunceiras que corriam e brincavam. Depois, visualizou o céu. Um lugar frio e chato, cheio de freiras...

Isabel Furini é escritora e poeta - Contato: isabelfurini@hotmail.com


O HIPNÓLOGO (Crônica de Humor)

O Hipnólogo
Quando apareceu o hipnólogo – contratado especialmente para essa festa – todos sabiam que era diversão garantida. E o espetáculo começou: o hipnólogo fez um rapaz de camiseta laranja cantar como Pavarotti, um gordo de óculos cacarejar como uma galinha e uma moça bonita desfilar como Gisele.
Para fechar o espetáculo, aproximou-se de uma senhora muito charmosa, de blusa prateada, que estava com um copo vinho na mão, e disse-lhe:
Olhe bem o copo, lá verá imagem do homem que você ama...

Arte Digital de Carlos Zemek

A mulher, em transe, grita: Leonardo!... Leonardo, o amor de minha vida!...

E o marido arregala os olhos e grita: Querida, meu nome é Osvaldo!

Isabel Furini é escritora e poeta. 
Contato: isabelfurini@hotmail.com



Ex-libris (Resenha de livro)



Se você for bibliotecário ou se ama os livros e tem uma biblioteca na sua casa, se, como já falou Sócrates, prefere livros a comprar outros objetos bonitos, então precisa conhecer a obra Ex-Libris, da Ateliê Editorial, organizado pelo professor Dr. Plínio Martins Filho. A obra, cuidadosamente trabalhada, com fotografias de ex-libris, é uma delícia para bibliotecários, bibliófilos e curiosos.


Mas o que é ex-libris?

Vejamos primeiro a origem do nome: em latim, ex libris significa “dentre os livros de”, “da biblioteca de”.

De “Ex-Libris” (Ateliê, 2008, 196 páginas), extraímos um fragmento esclarecedor escrito por Dorothée de Bruchar:

“O ex-libris, sabe-se, é aquela etiqueta, colada geralmente nas primeiras folhas de um livro ou na contracapa, contendo o nome ou as iniciais do proprietário e podendo, através de uma imagem ou texto, indicar sua profissão, seus gostos, seu ideário, ou até (nem sempre) discreto lembrete a eventual surrupiador da obra.

O ex-libris do desenhista e caricaturista francês Gus Bofa (1883- 1968), por exemplo, indagava sarcástico: “Esse livro pertence a Gus Bofa. / O que está fazendo aqui?” Por meio do ex-libris é que os bibliófilos, ou os leitores que prezam os seus livros e se orgulham da sua biblioteca, costumam personalizar cada um dos seus volumes.”


A coleção publicada no livro foi cedida por José Luís Garaldi, quase toda formada por exemplares brasileiros. E nada de imitações! Amostragem expressiva de ex-libris genuínos, ou seja, daqueles criados por grandes artistas especializados no gênero, como o foram Agry, gravador dos ex-libris do Barão do Rio Branco. Uma verdadeira preciosidade.


Plínio Martins Filho, organizador, esclarece: “As reproduções mantêm, sempre que possível, as características dos originais, tais como tamanho, cor e variantes, tendo-se procurado identificar os titulares, incluindo-se, em acréscimo, dados bibliográficos e apontamentos sobre os artistas criadores, os gravadores e a técnica utilizada”.


O trabalho feito para ilustrar o leitor sobre as características dos ex-libris foi realmente um trabalho cuidadoso. O esmero é visível em cada página. Um belo livro, além de educativo. Merece um lugar de destaque em qualquer biblioteca.

Isabel Furini







MILAGRE DE NATAL (Conto de Humor)

João recebeu uma ligação da editora. A secretária disse que o senhor Eufrásio, o dono, queria vê-lo nessa mesma tarde.
João sentiu seu ego elevar-se sobre os prédios mais altos da cidade. Arrumou-se. Trocou duas ou três vezes de gravata para ver qual lhe dava um ar de homem respeitável. Agora ele era um escritor. Tinha que cuidar de sua imagem.
O editor o recebeu com um sorriso especial... um sorriso que não tinha fim.
Pode sentar-se, João – disse o senhor Eufrásio – quero enfatizar que raramente um autor estreante como você recebe uma carta de um autor consagrado como Mistópolos... e com tantos elogios! Eu posso dizer que foi um verdadeiro milagre!
Obrigado, obrigado – disse João, fingindo humildade.
Foi um milagre, rapaz, um milagre mesmo!
Foi?
 – Sim, João, foi um verdadeiro milagre, pois Mistópolos morreu em 2008.

Isabel Furini é escritora e poeta.


Vitrine de Shopping - Crônica

Fotografia de Isabel Furini

Quando a costureira entrou naquela loja chiquérrima do shopping, com uma sacola de plástico velha e amassada nas mãos, não sabia se a dona ia querer comprar o vestido que terminara de bordar na noite anterior.

- Sou amiga da Cidinha, eu também costuro -  disse a mulher.

Dona Cleotilde olhou o vestido.
- Lindo. Quanto quer?

A costureira titubeou, precisava tanto do dinheiro, pensou no marido doente... pensou nos dias bordando... R$600,00.

Clotilde examinou as costuras. Bem feitas. Dou R$ 550,00. A costureira aceitou pensando devia ter falado R$ 650,00.

A costureira recebeu o cheque e saiu, enquanto um rapaz entrava na loja, ele era da administração do condomínio. - Assine aqui, por favor .

Clotilde leu. Amavelmente solicitavam expor roupas chiques nas vitrines, as melhores, para poder competir com aquele outro shopping... Clotilde chamou a gerente. O que podemos colocar?

- Já colocamos as melhores peças, senhora. Não temos muita coisa, as vendas foram fracas...

- Marina, coloque esse vestido, disse dando-lhe o vestido que acabara de adquirir da costureira. Coloque Peça única, R$ 9.2500,00.

- Tudo isso? Difícil de vender.

- Faça, assim obedecemos à administração expondo um vestido especial.

Dona Clotilde foi almoçar, passou pelo banco, falou com o gerente. Eram quase 16:00 horas quando entrou no shopping. Viu que o vestido não estava na vitrine. Preguiçosa essa funcionária, pensou. Entrou gritando: - Marina, Marina, falei para colocar o vestido na vitrine.

- Eu coloquei, senhora.

- Mas não está lá.

- A funcionária nova vendeu.

- É brincadeira?...

- Não, senhora. Vendeu mesmo. Veio uma moça com a mãe e perguntou por que o vestido custava tanto e a funcionária nova não sabia, mas inventou uma história sobre o fio e a costura, sei lá... conseguiu vender. Novos ricos não olham para preço.

- Céus! Vamos ganhar R$ 8.700,00 só nesse vestido. Adoro novos ricos. Por favor, ligue para a costureira, fale que pode fazer um outro vestido bordado, mas diferente, tem que ser único, diga para ela que estou disposta a pagar R$ 850,00 não, R$ 950,00 reais, mas que preciso urgente.

Isabel Furini é escritora, poeta e palestrante.

O CONVIDADO - (Crônica de Humor)

O executivo chegou de um país exótico para negociar a compra de roupas. Afonso, o dono da firma, querendo agradá-lo, convidou-o a jantar. Ele disse que em seu país não comiam sem flores. Afonso ligou por telefone e falou com sua esposa, Simone. “Ele deve ser um poeta”!, exclamou a mulher.

Essa noite, Simone estava preocupada porque a floricultura ainda não havia enviado as flores. Ela serviu um jantar requintado, pato com laranja. De repente, tocou a campainha, a empregada atendeu, depois se aproximou de Simone e lhe disse no ouvido que as flores haviam chegado. “Pode colocá-las na mesa”, falou a senhora. E, dirigindo-se ao convidado:

- Desculpe se demoramos em colocar as flores...

- Já era hora – disse ele - eu nunca havia jantado ave sem um prato de salada de flores como acompanhamento.

Isabel Furini é escritora, poeta e palestrante.
Fotografia e Arte de Isabel Furini

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Edilene Guzzoni receberá Medalha de Honra

Em 24 de novembro, a partir das 19:30 horas, será realizado um evento que reunirá poesia e música. Será lançado o livro "Feliz Natal" das poetisas Neyd Montingelli e Isabel Furini, nas Livrarias Curitiba, do Shopping Estação, e um Coral alegrará o evento. Também serão entregues as Medalhas de Honra do Mérito para três pessoas que trabalham em prol da cultura:



Edilene Guzzoni, produtora cultural do SESC/Água Verde; Edilene com seu trabalho incansável tem dado apoio aos artistas e literatos.
















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