terça-feira, 17 de março de 2009

FLORES 2


UMA FLOR PODE DAR ENSINAMENTOS DE ALEGRIA E AMOR.

MENSAGEM DA FLOR

E no mundo subjetivo
somos todos arrebatados
por intensos tornados
de tristeza ou de rancor

é preciso observar
a beleza de uma flor
e compreender que a vida
é amor e é perdão.

Isabel Furini


***


A CHAMA

Comendo a grama
está alegre a chama.

Pela janela aberta
a chama observa
uma sala de jantar.

Sobre uma mesa
tem uma enorme flor
-  uma flor amarela.

A chama chama
a sua avó materna,
cujo nome é Bela.

Muito curiosas,
as duas observam
a flor amarela.

Vô Bela exclama:

- É um girassol!
Uma enorme flor
que sempre procura o Sol.

Netinha: –  Essa flor é bonita.
Mas, para as chamas
o melhor é comer grama.

Isabel Furin

FLORES 1


UMA FLOR É SEMPRE SÍNTESE DE BELEZA

ORQUÍDEAS

Ásperas imagens
perfuram a alma
a velha coruja
permanece sentada
perto das orquídeas
esperando a noite

brilham as orquídeas
sob o Sol da tarde
parecem mais belas
e a coruja pensa:
- A vida me negou
a beleza da orquídea
mas me deu sabedoria.

Isabel Furini



quinta-feira, 5 de março de 2009

O LIVRO DO ESCRITOR

Estamos na época da democratização da escrita. Esse fato tem provocado um fenômeno mundial: muitas pessoas estão escrevendo e querem aprimorar o estilo. Por isso, cresce o número de oficinas para futuros escritores. Pois à medida que progridem no trabalho de escrever, os autores descobrem que dominar a técnica de escrita não é fácil. Durante uma década, quem escreve esta matéria, orientou ma Oficina Como Escrever um Livro, no Solar do Rosário, em Curitiba. Alguns alunos conseguiram terminar seus livros e publicá-los. Fruto desse trabalho é a obra: O LIVRO DO ESCRITOR, e-book, edição da Mesa do Editor. No livro são abordados assuntos fundamentais para os iniciantes, entre eles: a estrutura do conto, a construção personagens marcantes, como escrever livros para o público infantil, característica do romance, técnicas dos grandes mestres da literatura. No final de cada capítulo o leitor encontrará exercícios práticos para aprimorar o próprio estilo. “Narrar a história com maestria. Imprimir o tom certo gera preocupação. Inquietude. Muitas vezes, apesar de todos os esforços, permanece a sensação de que a obra não ficou perfeita. Precisa de alguns ajustes. E isso não acontece só com iniciantes. Autores consagrados – consagradíssimos - também aprimoram suas obras. Mudam palavras. Idéias. Imagens.” Esse trabalho árduo que o escritor realiza faz a diferença. Os autores consagrados elaboraram técnicas diferentes para aprimorar a escrita e, muitas delas, podem ajudar o iniciante a descobrir e desenvolve o próprio estilo. Esse é o objetivo do livro.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

NAMORAR UM GATÃO?

empre achei estranho relacionamento amoroso entre maturidade e juventude. Talvez com o tempo se imponha com força, e seja comum ouvir conversas como estas: “Estou despontada, pois meu namorado é mais velho que o namorado de minha mãe” ou “ a namorada de meu avô é mais jovem que eu”. Não sei a opinião do leitor, nem sou totalmente contra... às vezes dá certo. Conheço pessoalmente no mínimo dois casais nessa situação e são muito felizes. Se formos observadores veremos que geralmente – nem sempre, mas geralmente - o mais velho tem estabilidade econômica. Você já refletiu sobre o passo dos anos?.. Aos 15 a gente veste roupa tamanho P, depois vai passando para o M, imediatamente vêm o G, então é preciso o GG... depois do GG vem a cirurgia de estômago. Os anos nos deixam lentos para a ginástica, mas rápidos para o garfo. Parece que a gente vai se aperfeiçoando na arte do gourmet. Comida preenche o estômago e preenche o medo da solidão, medo do fracasso, medo do dentista... enfim comida é um preenchimento natural de estados emotivos variados. Tudo isso é para dizer que apesar de estar fora de forma e a pesar de não ser rica, não conheço educador rico, mesmo assim eu fui almejada por um desses conquistadores de mulheres da maturidade. Em março do ano passado, eu estava concluindo a primeira aula da Oficina de Redação que ministro no em Curitiba, quando se aproximou um jovem bonitão. Aproximadamente 25 anos, cabelo preto, brilhante, propositadamente despenteado, barba sem fazer, o que lhe acrescia um encanto extra, além de contrastar com suas roupas, com camiseta vermelha e jean de griffe. Com um sorriso de ator premiado em Hollywood, apresentou-se dizendo que queria escrever um livro e necessitava de orientações. A conversa colou, porque amo falar sobre o tema, quando o rapaz lançou o anzol para ver se havia peixe no rio, não peixe-boi, mas peixe-burro: “professora, o que acha de nos encontrarmos outro dia para tomar um drink e falar mais sobre o assunto”. Sua intenção ficou mais exposta que joelho de escoteiro. Era isso! Pensei. Ele quer consultoria literária de graça. Que gracinha!.. Seu safado!... Sorri e falei: Claro, podemos sair, levarei meus filhos que tem sua idade, assim poderão falar de futebol e de garotas... O sorriso amarelo do rapaz demonstrou que havia entendido o recado. Por um instante os ombros desceram e pareceu abatido. Mas se recompus imediatamente e se despediu com um sorriso lindo, um sorriso de dar inveja aos atores de Hollywood. Talvez o recado dele fosse: “Veja a beleza que perdeu, sua coroa”. Eu saí da sala de aula cantarolando. Ao passar pelo corredor olhei-me no espelho e pensei: eu sou uma coroa feliz. Não posso evitar envelhecer, mas eu tenho a capacidade de manter o bom senso. É isso é muito bom mesmo!..

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A MEDUSA (poema de Isabel Furini)

Medusa - Imagem gerada pela IA do Bing

As tranças da Medusa embranqueceram.
Escrevia nas estrelas
(eu só sonhava e não via o entorno).

Mas o tempo diminuiu meus vôos.
Rasgaram-se minhas asas de águia.
Hoje caminho pela terra árida
caminho sobre a areia e nas florestas
e escrevo sobre húmus letras envenenadas.

Antes, silenciava as dores do mundo,
meu coração era um morcego bem comportado.
Hoje grito (esperneio como criança malcriada),
as lutas são as mesmas,
MAS EU SOU OUTRA!

Envelheci no espelho, mas rejuvenesci
na ansiedade de viver sem pausas.

Tranças de Medusa nos cabelos.
Um Sol de inverno espia pelas janelas da adolescência,
inventa histórias, pantomimas.
Envelhece a pele com os anos,
a tristeza desenha indecifráveis símbolos na pele
(mapas da vida).
Dos versos surgem prezas de veneno,
pinças de escorpião
e sangram na terra ressecada pelo consumismo,
terra revoltada de crianças sem moradia e sem almoço.

Este poema profano cuspe maledicência,
grita com as baleias, afoga-se no pântano da memória
e ressurge inesperado.
Invade a sala, o espelho, e desenha na janela
a imagem de uma Medusa, adormecida.

Isabel Furini


***

domingo, 18 de janeiro de 2009

OS SEIOS DE DONA RUPERTA

Não sei sua opinião, mas eu acho engraçado escutar as pessoas comentando assuntos que não deveriam ser falados em público. Por exemplo, homens odeiam mulheres que falam demais – especialmente se as mulheres são velhas, logicamente. Com a idade vamos perdendo um pouco de bom senso e adquirimos uma certa compulsão de honestidade. E, as vezes, a coisa fica feia... Vejamos o caso de dona Ruperta. Dona Ruperta, a moradora do 7.º andar, muito faladeira, decidiu arriscar uma cirurgia estética. Queria diminuir os seios. Poupou durante alguns meses, enquanto informava a todos os vizinhos sobre sua decisão. Falava da cirurgia dos seios no elevador, nos aniversários, nas reuniões de condomínio. Não tinha ninguém no prédio que não soubesse que dona Ruperta iria diminuir os seios. Por fim chegou a data esperada e dona Ruperta foi, feliz, a “recuperar a esbeltez” segundo suas próprias palavras. Dias depois estava sorridente sentada na recepção do prédio contando ao porteiro e a qualquer vizinho que tivesse paciência para escutá-la, como foi a cirurgia e mostrando como tinha ficado “outra, mais moça, mais elegante”. Eu voltava de ministrar aulas, um pouco cansada. Sentei-me a lado da dona Ruperta escutando, mais por educação que por interesse, sua conversa mole ... De repente, Carlinhos, o netinho de dona Marieta, desceu as escadas, com um aviãozinho na mão. Movimentou o aviãozinho, fingiu que estava voando, pulou os últimos três degraus, rolou no chão. Depois levantou-se e sentou a meu lado, na recepção. Olhou para Dona Ruperta que de pé diante do espelho permanecia admirando seu novo visual e auto-elogiando-se: “Minha figura mudou, estou muito mais jovem, mais magra....” -Não importa quanto gastei... comentou encarando-me, meus seios ficaram tão bonitos que valeu a pena. Carlinhos aproximou-se dela, olhando-a fixamente. - É verdade, dona Ruperta, agora ficou sem peito - afirmou o Carlinhos - mas que bunda, hein?

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

LER

– Por que devemos ler avô?
perguntou o menino,
e o avó respondeu com sapiência:
– Ler, meu querido netinho,
ajuda a compreender o mundo
e estimula a inteligência.

Isabel Furini
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